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Vitória da Conquista | 15 de Dezembro de 2018
Por Thaís Pimenta | 22/12/2016 - 22h04
"Em outras cidade há centros culturais que pulsam durante o dia todo. Temos esse potencial aqui, mas ainda não conseguimos atingi-lo".

O Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, importante espaço de difusão cultural em Vitória da Conquista, está parcialmente interditado desde de 2013 por problemas estruturais e de acessibilidade. São mais de trinta itens listados pelo Corpo de Bombeiros e pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura|CREA para os quais o Governo do Estado não apresentou solução. A estudante de Arquitetura da Fainor, Ully Flores, apresentou nesta semana um projeto – fruto de trabalho de final de curso – de revitalização do Centro de Cultura. Ele propõe novos usos e eficiência para o equipamento.

Merece destaque a proposta de integração do espaço cultural com a Praça Guadalajara. “Se o Centro de Cultura abre-se sem barreiras para a praça as pessoas sentem-se convidadas a experienciar a cultura”. Ully Flores é também artista plástica e esclarece que, para além das reformas emergenciais do Centro de Cultura, seu projeto propõe mais funcionalidade ao espaço. “Falo, na verdade, em nome de uma gama de artistas de diferentes vertentes aqui na cidade, sinto falta de um espaço de interação aqui na cidade. Não só de público/artista, mas também de artista/artista, onde a gente vê o trabalho do outro, troca informação, experiência. Há muitos ambientes sem uso, como a lateral da Rua Siqueira Campos, algumas salas subutilizadas. Acho que o Centro deveria se abrir mais pra cidade, convidar as pessoas a entrar, intervir no espaço, ver o que está acontecendo”.

Com a proposta de integração do Centro de Cultura com a Praça Guadalajara, Ully resgata, na verdade, a ideia inicial do espaço, instalado em 1986, de ligação dos dois equipamentos durante a realização de eventos na concha acústica. A futura arquiteta entende que, juntos, os dois espaços tem um potencial imenso. O elemento de ligação é a criação de uma pista compartilhada, como da Orla da Barra, em Salvador, onde anteriormente passava uma rua rebaixada e agora passa uma passarela elevada compartilhada por veículos e pedestres. “É apenas um trecho de pequenos metros, devidamente sinalizado, e que proporciona uma melhor experiência para o pedestre, pois, sem barreiras, ele tem a sensação de que está caminhando por um equipamento só, e sente-se convidado a entrar no Centro de Cultura”, explica.

Proposta de edificação tem estilo contemporâneo de diálogo entre o novo e o antigo.

A Praça Guadalajara, citada no projeto com a proposta de intervenção passa por reformas no momento. Ully vê o que está sendo feito como um modo genérico de reestruturação de praças e com a falta de estudos para entender a identidade do local. “São estruturas quadradas que, pra mim, pouco refletem o que ali deveria ser feito. Acho que faltou perguntar pra população: o que vocês querem que aconteça aqui? No meu trabalho, fiz um questionário durante alguns dias no meio da praça, com as pessoas que de fato usufruem dela. Só quem usa sabe o que precisa ser feito. ”

Atualmente, uma série de projetos voltados para melhorias do espaço urbano da nossa cidade são propostos pelos estudantes de arquitetura. Projetos pensados para que o aluno mostre toda sua capacidade de projetar e pensar os espaços de forma ideal e de ser construídas, ideias que podem ser adequados para a realidade e execução pública. No entanto, segundo Ully, ainda há pouco interesse dos poderes públicos por esses projetos.

 

 

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