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Vitória da Conquista | 14 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 25/01/2017 - 03h17
A explosão caldeira destruiu os fundos do motel e abalou a estrutura de várias casas vizinhas.

Reportagem Fábio Sena e Márcia Cristina

Moradores do bairro Conveima, em Vitória da Conquista, foram surpreendidos na tarde desta terça-feira (24) com um apavorante estrondo, que causou sérios danos à estrutura de várias residências e pôs em choque centenas de pessoas, entre idosos, gestantes e crianças. Uma caldeira, utilizada para aquecer a água do Motel Ritz – localizado às margens da Br-116 – explodiu quando era manuseada por dois funcionários – José Rocha Oliveira (Zezinho), de 43 anos, e Laudimar Carvalho Silva (Landinha), de 32, que ficaram feridos e foram socorridas pelo Samu 192 e encaminhadas ao Hospital Regional de Vitória da Conquista. Zezinho teve traumatismo craniano e Landinha fratura exposta na perna direita. Outros quatro funcionários também teriam se ferido, mas passam bem.

A explosão da caldeira causou estragos no motel, que teve parte do muro dos fundos destruído. Mas principalmente as residências vizinhas sofreram o efeito da explosão. Cerca de dez casas tiveram suas estruturas trincadas, forros despencados, portas e parte de telhados arrancados, portões derrubados, caixas dágua arremessadas à distância. O espanto foi generalizado e, sem saber ao certo a origem do estrondo, toda sorte de possibilidades foi aventada, de terremoto a dinamite. O Diário Conquistense esteve no local minutos após a ocorrência do desastre e ouviu o relato de moradores e de representantes do motel, que anotavam os estragos nas casas das pessoas e se colocavam à disposição para resolver os danos materiais.


O motorista Paulo César (foto acima), cuja casa fica defronte à caldeira, narrou seu espanto ao enxergar, cem metros distante do motel, a densa nuvem de poeira que se formou no céu, e o jato de água causado pela explosão. “Eu tava aqui na oficina, arrumando o caminhão, quando eu olhei vi aquele poeirão, a água subindo, pedaço de pau. Eu disse: ‘meu Deus, a caldeira explodiu, caiu encima de minha casa e matou minha filha’. Eu corri, mas de lá da esquina não dava para enxergar nada por causa da poeira, que tomou conta de tudo. Tu tava sem chave, pulei o muro da casa. Saltei, entrei, vi a casa toda arrebentada, mas vi que ela (a mãe) e a criança não ‘tava em casa, porque aquela explosão esta criança não ia suportar o barulho. Eu estava a 100 metros do motel, tava na oficina, nunca vi uma explosão igual esta. Eu logo imaginei que a caldeira tivesse voado e caído encima da casa. Eu falei para meu colega: ‘vou em casa correndo ver o que aconteceu com minha criança’. Nunca vi um estrondo igual esse na minha vida”.

Maria do Socorro Araújo da Silva, esposa de Paulo César, havia saído de casa para uma consulta dentária fazia 30 minutos, quando recebeu uma ligação da filha maior. “Desespero, muito desespero. Primeira coisa que eu me preocupei foi com minha filha, que tinha ficado na casa da vizinha. Mas foi Deus quem salvou ela. Aquele quarto da sala, que ficou todo quebrado, é dela. Tinha 30 minutos que eu tinha tirado ela de lá. Deus salvou minha filha (Na foto acima, o quarto onde a criança dorme). Eu tava tão desesperada, fiquei só pensando nela. Depois, vi minha casa toda destruída. Eu até pensei que tinha sido os botijões, que lá na firma tem muito botijão. Graças a Deus minha filha está nos meus braços”, contou Maria, ex-funcionária do motel. ‘Graças a Deus minha filha está nos meus braços, meu esposo tá com saúde. Que Deus tome conta da vida da gente”.

A moradora Eunice Lima (foto acima) passou mal com a explosão e, ainda emocionalmente abalada, contou ao Diário, o que ouviu, viu e sentiu: “Eu estava abrindo a porta da geladeira e ouvi um barulho muito forte, como se fosse uma dinamite. Aí minha filha falou: ‘mãe, terremoto’. Eu corri para o quarto, minha outra filha tava no outro. Eu comecei a passar mal, minha filha ficou sem saber o que fazer. Ficamos todos atordoados. Quando saímos na rua já tava cheio de gente dizendo que a caldeira do motel explodiu. Foi uma coisa assim, parecia dinamite, terremoto, a gente fica sem ação. Nunca tinha passado por isso na vida. É horrível, é horrível”.

Ana Paula, de 40 anos, mãe de uma menina de um ano e dois meses, também sentiu na pele os efeitos da explosão. Sua casa foi seriamente atingida, mas ninguém se feriu. “Foi simplesmente assim: tava tudo calmo quando, de repente, a gente ouviu um impacto enorme, e foi uma explosão. Eu me assustei, peguei minha filha e saí correndo pra rua. Quando cheguei na rua, tava os vizinhos todos aflitos. Quando nós entramos em casa, tava tudo despencado. Porta para um lado, caixa d’água para o outro. Graças a Deus não houve vítimas. Na hora que eu ouvi o impacto eu corri em direção ao quarto, que estava com a porta fechada, quando eu cheguei no meio da sala, que olhei na direção do quarto, a porta estava escancarada e ela no berço, gritando. Só fiz pegar ela de dentro do berço e saí correndo. Desmoronou tudo. Forro, muita terra, pedra, instalação não funciona mais. Tá lá tudo trincado lá. Na verdade, estávamos morando perto de uma bomba dinamite e ninguém sabia, porque isso é uma bomba.

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