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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Maurício Sena | 26/01/2017 - 18h21

Ibahia/Celino Souza

Em desabafo publicado em sua página na rede social Facebook, na última quarta-feira, 25, o médico Décio Montenegro não poupa críticas ao que ele considera falta de estrutura e péssimas condições de trabalho no Hospital Cristo Redentor, em Itapetinga, sudoeste da Bahia. Além de relatar a falta de materiais e medicamentos na unidade, ele ressalta a dificuldade em realizar alguns procedimentos devido à falta de material. “Eu era obrigado a mudar prescrições de pacientes porque havia acabado o soro glicosado. Tinha que usar antibióticos mais fortes sem indicação pois havia acabado o antibiótico mais fraco que ele vinha em uso. Corria risco de converter as cirurgias por videolaparoscopia porque o gás de CO2 acabavam durante os procedimentos (pois não havia qualquer dispositivo que quantificasse o gás disponível), colocando o paciente em risco”, relata.

Ainda no texto, ele faz o seguinte relato: “Passamos a não poder operar mais quando ficamos várias semanas tendo somente 1 bisturi elétrico disponível para um centro cirúrgico com várias salas. Durante muito tempo operávamos com aventais e campos cirúrgicos rasgados, aumentando o risco de contaminação”.

Até o momento a direção do Hospital Criste Redentor não se pronunciou.

Veja a mensagem na íntegra:

ESTA MENSAGEM É DESTINADA À POPULAÇÃO DE ITAPETINGA-BA E AOS MÉDICOS DE TODA A REGIÃO:

BOM DIA A TODOS. MUITOS ME PERGUNTARAM POR QUE EU OPTEI POR IR EMBORA DESTA CIDADE… HOJE EU RESPONDEREI:

Sou Cirurgião e em 2016 decidi ir trabalhar, dentre outros lugares, em Itapetinga-BA, no Hospital Cristo Redentor. Fiquei lá por cerca de 7 meses, trabalhando como Cirurgião e na UTI. Fui muito bem recebido pelos funcionários que trabalham na assistência ao paciente (aqueles que cuidam diretamente dos pacientes), bem como pela população daquela bela cidade. No período que estive lá, juntamente com estes funcionários, pudemos fazer algumas cirurgias nunca antes feitas nesta cidade, a maioria delas pelo SUS, sem receber 1 centavo por elas, pois as cirurgias eletivas eram incluídas no plantão, não remuneradas e ainda era cobrado que batêssemos metas. Assim, aos trancos e barrancos, conseguimos ajudar muitas pessoas.

Chegou um momento em que os trancos e barrancos cresceram muito (dentre eles, alguns citarei abaixo):

– Eu era obrigado a mudar prescrições de pacientes porque havia acabado o soro glicosado. Tinha que usar antibióticos mais fortes sem indicação pois havia acabado o antibiótico mais fraco que ele vinha em uso.

– Corria risco de converter as cirurgias por videolaparoscopia porque o gás de CO2 acabavam durante os procedimentos (pois não havia qualquer dispositivo que quantificasse o gás disponível), colocando o paciente em risco.
– Passamos a não poder operar mais quando ficamos várias semanas tendo somente 1 bisturi elétrico disponível para um centro cirúrgico com várias salas.
– Durante muito tempo operávamos com aventais e campos cirúrgicos rasgados, aumentando o risco de contaminação.

– Os pacientes que internavam por via particular começaram a reclamar muito das condições de hotelaria (uma me relatou que pediram pra ela sair da cama pra subirem em cima da mesma para consertar a lâmpada).

– Pacientes me procuravam no consultório afirmando que seus papéis de alta (incluindo receitas de antibióticos para casa, relatórios da cirurgia e atestados) não estavam sendo entregues.
– Por ora, me restringirei aos comentários estruturais e não incluirei neste texto as DENÚNCIAS que poderia.

Por melhorias, passamos a suspender as cirurgias eletivas. Ao invés destas melhorias serem realizadas, começamos a receber pacientes dizendo que a cirurgia deles havia sido cancelada porque os médicos não queriam operar.

POR QUE RESOLVI ESCREVER ISTO AGORA?? PORQUE UMA HORA CHEGAMOS AO NOSSO LIMITE.

O atraso nos pagamentos sempre foi uma constante. Depois de muita enrolação, acertamos um acordo para receber os nossos salários com no máximo 90 dias de atraso (no dia 30 do terceiro mês seguinte ao mês trabalhado). Isto só foi respeitado no primeiro mês, passando a seguir para dia 5, 6, 7 do quarto mês, e assim por diante).

O resumo disto tudo é que ainda não recebi meu pagamento de setembro/16; cirurgia de convênio feita em junho/16 ainda sem pagamento.
Na semana passada, conversei com funcionárias da administração do hospital (que por enquanto não vou citar nomes) que relataram que o prefeito garantiu que o seria tudo acertado até o dia 24/01/17 (ontem), mas isto não ocorreu.

E sabe o que estamos recebendo de resposta?? SEM PREVISÃO PARA PAGAMENTO.
Daqui a 5 dias teremos que receber o pagamento de outubro… e aí?

Por isto, quero esclarecer à população de Itapetinga que o único serviço hospitalar público de saúde que vocês têm à disposição vive em meio ao caos e limita a qualidade da assistência médica.
Aos médicos da região, que por ventura pensem em ir trabalhar lá,

NÃO VÃO!! SEJA DE QUEM FOR A CULPA, O CONJUNTO (HOSPITAL/PREFEITURA/FUNDAÇÃO) CONSTITUI UM PÉSSIMO PAGADOR! PROCUREM OUTRO LUGAR PRA TRABALHAR.

Quem tiver alguma condição e precisar de assistência de saúde, sugiro procurar a Policlínica. Embora eu nunca tenha trabalhado lá e não conheço o serviço, NÃO RECOMENDO O HOSPITAL CRISTO REDENTOR em Itapetinga-BA.

Aos meus pacientes da cidade e da região, espero que tenham entendido porque eu não trabalho mais aí.

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