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Vitória da Conquista | 14 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 21/02/2017 - 22h30
A mobilização dos profissionais de saúde está acontecendo também em outros estados.

Representantes dos conselhos profissionais de saúde da Bahia participaram na manhã de ontem de uma audiência pública na Assembleia Legislativa na qual rechaçaram a possibilidade de formação profissional na área através dos cursos de graduação à distância, a chamada EAD. O evento proposto pelo deputado Fabrício Falcão (PC do B) reuniu representantes dos conselhos profissionais de Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia, Odontologia, Nutrição e Psicologia. Todos os representantes presentes foram unânimes em afirmar que não aceitam esta modalidade de ensino para a formação dos profissionais pelas particularidades e especificidades da área de saúde no trato com o ser humano e com os animais. Em nota conjunta eles argumentaram que “o ensino a distância caminha em sentido oposto ao projeto de humanização da educação, promove o distanciamento, tendo como consequência o enfraquecimento do diálogo entre os profissionais e destes com a comunidade”.

No final da audiência, tanto os representantes quanto Fabrício Falcão afirmaram que vão procurar o Ministério Público Federal (MPF) para que instituição ingresse com uma ação contra a portaria do Ministério da Educação (MEC) que permite a graduação à distância. O deputado comunista também se comprometeu a procurar o governador Rui Costa para discutir o assunto. A mobilização dos profissionais de saúde contra a portaria está acontecendo também em outros estados.

Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia da Bahia, Altamiro José dos Santos, formar profissionais de saúde em cursos à distância representa um grande risco para a sociedade. “Eu não faria um tratamento de canal com um dentista formado virtualmente. Na medicina veterinária é a mesma coisa: como exercer a atividade sem nunca ter tido contato com um animal antes?”, argumentou.
Para ele, o momento agora é de todas as categorias da área de saúde se mobilizarem contra a possibilidade de profissionais serem formados através da EAD. Na área farmacêutica, explicou ele, além de ser um risco e retrocesso para quem depende dos serviços, significará a precarização da profissão, que já sofre com os baixos salários. “Aceitar esse retrocesso é jogar a profissão ao limbo”, acredita.

Um grande número de estudantes participou da audiência de ontem, o que dá ideia do grau de mobilização na área de saúde. No final do evento, Fabrício Falcão defendeu o argumento de que áreas como a da saúde e de engenharia não podem ter profissionais formados à distância. “Na minha formação acadêmica pude constatar o quanto é importante o contato direto com o professor, o debate com os colegas, as atividades práticas. Essa necessidade aumenta muito mais quando se trata dos cursos na área de saúde”, afirmou.

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