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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 18/04/2017 - 20h56
O quadro é ainda mais alarmante em relação às mulheres negras

O Brasil ocupa a incômoda 5ª posição em ranking global de homicídios de mulheres, entre 83 países elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2013, a taxa de mortes por assassinato de mulheres no Brasil para cada 100 mil habitantes foi de 4,8 casos. A média mundial foi de dois casos para 100 mil habitantes. Na Bahia, a situação que mais preocupa é a violência doméstica, responsável por 9,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres existentes. Este número coloca o estado como o segundo mais violento do Brasil, atrás apenas do Espírito Santo, que possui média de 11,24 para cada 100 mil mulheres.

Conforme os números do Governo Federal, 77% das mulheres em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente pelos seus companheiros ou parentes. A média de assassinatos na Bahia é também superior à registrada na região Nordeste, que é de 6,9 mortes para cada 100 mil mulheres. O quadro é ainda mais alarmante em relação às mulheres negras. A década 2003-2013 teve aumento de 54,2% no total de assassinatos desse grupo étnico, saltando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. Aproximadamente mil mortes a mais em 10 anos. Em contraposição, houve recuo de 9,8% nos crimes envolvendo mulheres brancas, que caiu de 1.747 para 1.576 entre os anos.

Os números constam do estudo “Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil”, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), a pedido da ONU Mulheres. “Em 2013, morreram assassinadas, proporcionalmente ao tamanho das respectivas populações, 66,7% mais meninas e mulheres negras do que brancas”, alerta o documento. A vitimização de mulheres negras – a violência contra elas, que pode não ter se concretizado como homicídio –, cresceu 190,9% na década analisada. A vitimização desse grupo era de 22,9%, em 2003, e saltou 66,7% em 10 anos.

Mulheres e meninas negras, jovens e de minorias étnicas sofrem violências de maneiras similares às outras mulheres. Isso inclui assédio e abuso na infância, violência sexual, tráfico e exploração, violência por parceiro íntimo, entre outras. Há, no entanto, diferenças em formas de violência que vão atingir desproporcionalmente as mulheres negras ante a combinação de múltiplas formas de discriminação, baseadas em sistemas de desigualdades que se retroalimentam – sobretudo de gênero, raça, etnia, classe e orientação e identidade sexual.

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