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Vitória da Conquista | 15 de Dezembro de 2018
Por Fabio Sena | 08/05/2017 - 00h33
"As lojas do centro são mais bonitas que lojas de shopping", disse Sheila Andrade para explicar a pujança do comércio local

Transformar o centro comercial de Vitória da Conquista num ambiente seguro para jovens, adultos, idosos e crianças e impedir que ocorra a perda de vitalidade econômica a exemplo de Salvador: este é um dos desafios que a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas\CDL, Sheila Andrade, tomou para si ao assumir a direção de uma das mais importantes entidades de classe local.

Carismática e bem falante, cheia de ideias inovadoras, Sheila Andrade tem convicção do tamanho do projeto de revitalização e sabe que não seria fácil torná-lo realidade da noite para o dia. Por isso, pretende iniciar modestamente em sua gestão as mudanças mais necessárias, como a renovação do piso de algumas ruas, praças e alamedas. Para tanto, já há conversas bastante adiantadas com o governo municipal.

Sheila pretende ainda estender a área de atuação da CDL, até hoje focada no centro da cidade. Ela quer dobrar o número de associados, inclusive atraindo lojistas do Bairro Brasil, com um leque de serviços que inclui o Cartão CDL Mais e até um plano de saúde para os associados. “Vamos começar fazer convênios com farmácias, postos de combustíveis, clínicas médicas, estamos tentando fechar um plano de saúde para os associados, funcionários e seus dependentes”, informa a presidente.

Abaixo, em entrevista ao Diário Conquistense, Sheila fala sobre os planos da CDL para a gestão 2017-2018, fala de renovação de lideranças na entidade e sobre como ela pretende incluir o comércio dos Bairro Brasil e Patagônia no projeto de ornamentação no período junino.

DIÁRIO CONQUISTENSE: Sheila, inicialmente eu gostaria de saber que avaliação você faz deste seu início de mandato, como tem sido dirigir esta instituição?

SHEILA ANDRADE: Bom, eu já na CDL desde a gestão anterior, de Cláudia (Dutra Melo Pereira), como vice-presidente dela, entre 2015 e 2016. Nesse período, eu sempre a estava assessorando, vendo sempre o que dava para fazer. Então, surgiu este convite para assumir este biênio e nós formamos uma equipe, procuramos convidar algumas pessoas que ainda não tinham participado das gestões para renovar com sangue novo. Assumimos em janeiro de 2017, sabendo dos desafios e com o desejo de aumentar o número de associados da CDL, porque o número é pequeno ainda se levada em conta a quantidade de lojas que nós temos.

DIÁRIO: São quantos associados atualmente?

SHEILA: Hoje, aproximadamente são seiscentas lojas associadas. Dessas, associados pagantes mesmo são 350.

DIÁRIO: Por que a diferença?

SHEILA: Vou te dar um exemplo: a Silva Calçados. São 12 ou 13 lojas, mas uma só é associada pagante. A Nacional, somos duas lojas, mas só uma é pagante. Daí essa diferença. Mas a gente pretende até o final do mandato dobrar esse número de associados.

DIÁRIO: E como é que você pretende fazer essa mágica?

SHEILA: Pois é, como vamos fazer esta mágica (risos)… oferecendo mais serviços. Hoje, a CDL vem oferecendo um serviço muito procurado, o serviço de convênios. Então, o associados CDL tem desconto em algumas faculdades, cursos de inglês, profissionalizantes, e a gente consegue agregar mais um valor com esses serviços aos lojistas, funcionários e dependentes. E foi pensando nesses convênios que a gente imaginou uma forma de dobrar o número de associados, oferecendo mais. Então, agora, por exemplo, estamos criando um cartão de vantagens da CDL, que vai se chamar CDL Mais. Vamos começar fazer convênios com farmácias, postos de combustíveis, clínicas médicas, estamos tentando fechar um plano de saúde para os associados, funcionários e seus dependentes. então, oferecendo mais serviços para que o lojista queira se associar à CDL, porque tem um porquê.

DIÁRIO: Sheila, a impressão que fica é que a CDL tem o grosso de seus associados no centro comercial da cidade. Vitória da Conquista tem um comércio forte no Bairro Brasil, Alto Maron, Patagônia… Como é a relação com esses comerciantes?

SHEILA: É verdade. Já há algum tempo que a CDL tenta esta aproximação, principalmente com o Bairro Brasil, que é um centro comercial mais antigo do que os outros, um comércio forte. A gente escuta muito dos comerciantes do Bairro Brasil que a CDL não faz nada por eles, mas é bom lembrar que nós não temos associados no Bairro Brasil, então é difícil você defender quem não está associado à entidade de classe. Então, digo sempre que precisamos estar mais unidos para estarmos mais fortes, até para a CDL tem mais legitimidade para reivindicar por eles. Mas mesmo assim a gente está tentando esta aproximação. Inclusive neste ano convidamos Zito (Manoelzito Dias Rocha), uma pessoa muito querida no Bairro Brasil, da MR Imobiliária, para ser nosso diretor da Zona Oeste. Então, nessa conversa com Zito estamos identificando o que os lojistas de lá precisam. Zito já nos solicitou de ver com a Prefeitura a questão das bandeirolas para ornamentar o comércio durante o São João, nós já conseguimos com a secretária de Cultura, Tina Rocha, a ornamentação de uma parte, e um palco do forró, assim como temos na 9 de Novembro. Vamos fazer este teste piloto e, se der certo, no Natal faremos algo a mais. Claro que a gente não pode fazer no Bairro Brasil e esquecer do Patagônia, que tem um comércio gigante, inclusive com agência bancária e tudo o mais. Então, solicitamos de Tina se é possível ornamentar também com bandeirolas lá. Mas uma coisa é preciso: ter consciência de que só vamos conseguir crescer se nos unirmos, no associativismo. Precisamos desenvolver essa cultura.

DIÁRIO: Sheila, a CDL iniciou uma campanha anos atrás para revitalização do centro comercial, com a criação de um shopping a céu aberto e o assunto mornou. Parece que agora foi retomada a conversa de melhoria do centro com o novo governo municipal.

SHEILA: Pois é, Fábio. Nós temos um projeto belíssimo iniciado dez anos atrás. A CDL procurou o Sebrae em parceria, conversamos com a gestão anterior da Prefeitura, e nós elaboramos um lindo projeto chamado Shopping a Céu Aberto, uma coisa que ficou muito bonita mas que quando foi para a planilha de custo não dava. Não tinha condições da Prefeitura fazer, não conseguimos apoio junto ao Governo do Estado nem ao Governo Federal. Então era um projeto lindo e maravilhoso, mas que a gente não conseguia executar. Então resolvemos começar o projeto da base, fazer o que der. Ou seja, se dez anos atrás tivéssemos feito isso talvez hoje já tivesse pronto. Conversamos com o prefeito Herzem Gusmão e ele disse que a Prefeitura estaria aberta para isso. Chamou o secretariado e disse que poderíamos começar uma conversa. A CDL, junto com a Associação Comercial, conversou com esses secretários e alinhamos o que dava para fazer. Tínhamos como plano trabalhar com o projeto Adote Uma Praça e adotaríamos a 9 de Novembro, mas quando fomos analisar vimos que era algo inviável pela própria natureza do local, que tem uma grande quantidade de pessoas trafegando por ela. O prefeito pediu a procuradoria para analisar e conseguimos montar um projeto de Parceria Público Privado, a PPP. Então, o projeto está por via de ser assinado. Vamos tentar fazer algo além da Praça 9 de Novembro. Já conversamos com as secretarias de Serviços Públicos, Meio Ambiente, Indústria e Comércio, Cultura e Infraestrutura. Com o projeto em mãos, vamos procurar os lojistas desta área para que cada um contribua e montarmos um caixa para este reformulação. Vamos melhorar o piso, colocar bancos, humanizar o ambiente para o trabalhador, para o comerciante e para o consumidor.

DIÁRIO: Há um temor que ocorra aqui o que aconteceu em Salvador, onde o centro comercial virou um cemitério.

SHEILA: Sim. Claro. Olhe, uma grande parte do centro de São Paulo que não tem nada, é a Cracolândia. Lugar onde não há poder público, onde não há atividade comercial, acontece isto.

DIÁRIO: Principalmente porque, ao que parece, os shoppings não quebraram a cultura do conquistense de comprar no centro.

SHEILA: Não. Mas sabe por que? Porque nossas lojas são muito bonitas. As lojas do centro são mais bonitas que lojas de shopping, não falo só do shopping de Conquista, é do de Itabuna, de Salvador, do Rio. O que está faltando é cuidar da parte pública, dos passeios, das praças.

DIÁRIO: A questão do trânsito parece uma pauta forte também para esta questão do centro comercial de Conquista. Parece ser um entrave.

SHEILA: Olha, o que mais incomoda no centro comercial é a falta de estacionamento. Então, nós lutamos por três anos para conseguir junto com a Prefeitura trazer esta empresa para administrar a Zona Azul. Demorou demais. Foi uma luta, insistimos muito, mas conseguimos, foi uma luta da CDL. Mas digo que há culpa também dos próprios lojistas e funcionários, que querem comodidade, que deveriam colocar o carro um pouco mais distante e deixar a vaga livre para o cliente. Isto é o correto. O fluxo de carro no centro é difícil de resolver porque nossas ruas não foram planejadas, nosso centro é antigo, as ruas são estreitas. Então, é uma ideia da CDL, uma tendência na verdade diminuir a quantidade de carros. Você precisa ter um transporte público de qualidade. É algo que a gente precisa planejar para os próximos dez anos: seja a carona solidária, um grande bolsão de estacionamento fora do centro, sistemas de vans ou micro ônibus. Algo precisa ser pensado desde já.

DIÁRIO: Além disso, transformar algumas ruas do centro em alameda não seria uma solução?

SHEILA: Seria excelente. A gente tem o sonho de transformar o centro comercial num shopping a céu aberto, a exemplo do que foi feito em Ilhéus, que fechou aquelas ruas apertadinhas, transformou tudo em alameda. Então, a pessoa estaciona por fora e roda todo o centro em total segurança, sem risco de ser atropelado, como se estivesse num shopping. Inclusive o projeto feito em parceria com o Sebrae é pensado desta forma, transformando a Francisco Santos, a Ernesto Dantas, a Monsenhor Olímpio, a 7 de Setembro em alamedas. Mas isso precisa ser muito bem estudado porque todas essas ruas têm vagas de estacionamentos e você não pode tirar sem apresentar uma alternativa.

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