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Vitória da Conquista | 18 de Outubro de 2018
Por Fabio Sena | 14/05/2017 - 00h33
Conquistenses, natos ou por adoção, amem com o mais forte de todos os amores esta adorada, Terra Conquistense que é sua e também minha, pelo coração.

Estivesse vivo, o jornalista e historiador Aníbal Lopes Viana teria completado 110 anos de idade no dia 25 de Abril. Natural de Condeúba, de onde migrou com seus pais em 1917, fixou residência na então cidade de Conquista e deu enorme contribuição à historia e à política local. Durante 22 anos editou um dos mais importantes impressos de Vitória da Conquista, o Jornal da Conquista, em cujas páginas foram gravadas crônicas, reportagens e poesias de intelectuais como Camillo de Jesus Lima, Iris Silveira, Erathósthenes Menezes, Bruno Bacelar e Clóvis Lima.

Mas a sua mais importante obra foi a Revista Histórica de Conquista, livro no qual narrou centenas de fatos históricos e pitorescos de Vitória da Conquista e que é ainda hoje referência a tantos quantos pretendam estudar a histórica local. Abaixo, o Diário Conquistense publica na íntegra uma biografia resumida de Aníbal Lopes Viana, escrita pelo historiador Mozart Tanajura, e uma crônica do]a lavra do próprio Aníbal e na qual ele narra um pouco da própria história em Vitória da Conquista, lembrando eventos pitorescos com seu reconhecido aprimorado senso de humor.

ANIBAL LOPES VIANA, por Mozart Tanajura

Aníbal Lopes Viana nasceu na cidade de Condeúba-Ba, no dia 25 de abril de 1907. Filho de José Lopes Viana e de D. Belarmina Rosa Lopes de Castro. Chegando com seus pais nesta cidade, em 1917, ainda criança, Anibal pôde observar e conviver com uma série de fatos importantes, bem assim como ouvir de testemunhas fiéis e oculares outros acontecimentos de fins do século passado, tais como a Tragédia do Tamanduá e a luta dos Meletes e Peduros, de fundas repercussões na vida regional e que são descritas por ele, integralmente, em livro, pela primeira vez.

Durante 22 anos Aníbal Lopes Viana dirigiu e redigiu o “Jornal de Conquista”, fundado por ele e seu irmão Asdrúbal Lopes Viana, em 1958. Neste jornal publicou, no decorrer desse longo tempo, muitos dos textos que hoje compõem o seu livro “Revista Histórica de Conquista”. Aí também publicaram suas produções literárias os poetas Camilo de Jesus Lima, Iris Silveira, Erathósthenes Menezes, Bruno Bacelar e Clóvis Lima, os formadores da intelectualidade de Conquista.

O Jornal de Conquista manteve, na vida da comunidade, papel semelhante ao dos jornais “O Combate” e o “Avante”: foi sempre um veículo de cultura e civilização. Combateu tudo o que era contrário ao interesse da coletividade conquistense; divulgou e comentou os fatos objetivamente, condenando-os ou elogiando-os, conforme a sua dimensão social; enfim, instruiu e educou o povo, como operante e único mestre.

No jornalismo, Aníbal Lopes Viana formou a sua têmpera de intelectual consciente, sempre atento aos problemas sociais, especialmente de Vitória da Conquista, de quem se tornou cidadão, de acordo com um projeto aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal.

No jornalismo, ou melhor, como jornalista, aprendeu a amar a terra de Nossa Senhora das Vitórias como nenhuma outra. Aqui passou sua infância despreocupada; a mocidade sonhadora e revolucionária e a experiência da maturidade. Deu a esta terra o melhor de si mesmo, servindo-a em várias condições que se lhe foram apresentadas. Em todas elas mostrou a firmeza do seu caráter, a dedicação do seu talento, a retidão de suas ideias e o amor irredutível que sempre dedicou a sua gente laboriosa e livre.

Nada o deteve de assim fazê-lo, nem mesmo a ignomínia dos traidores ou o arbitrarismo dos déspotas.

(Texto extraído da Revista Histórica Conquistense. Vol. I)

“Conquista, Metrópole do Progresso”, por Aníbal Viana Lopes

Na tarde do dia 16 de dezembro de 1917, procedente de São João do  Paraíso, Minas Gerais, onde residia, acompanhado por seus familiares, chegava a esta cidade, o Professor José Lopes Viana. A casa para residência era situada à Rua da Conquista, perto do “Colégio Pestalozzi”, em cujo estabelecimento de ensino meu saudoso pai fazia parte do corpo docente e eu fui aluno. Dali, se observa grande parte da cidade. Manhã cedo, do dia 17, observei que a Cidade era muito grande, muito maior que o arraial (hoje cidade) de onde chegávamos.

Ouvi o estridente canto de uma araponga do outro lado, ao leste, fundo das casas da “Rua Grande”, assim chamada a atual “Praça da República”. Disseram-me que a casa de onde se ouvia o canto da araponga era a morada do CeL Pompilio Nunes, o homem mais rico da cidade e que tinha uma onça empalhada, e o ferro de marcar animais feito de ouro com as iniciais “P_N.O.”.

Na mesma manhã, observei também a “Caixa D’água” e fui vê-la de perto e fiquei admirado, pois jamais havia visto uma coisa igual. Poucos dias depois satisfiz a minha curiosidade: fui comprar leite na casa do Cel. Pompílio, cujo produto custava: 200 réis o litro, e nesta ocasião vi, na sala, a onça empalhada e o ferro acima citados

Minha mãe trouxera de São João do Paraíso (MG) os apetrechos para armação de presépio, como sempre fizera no lugar de onde procedíamos. Um pouco adiante de nossa casa de residência morava uma família de pretos e dentre estes um rapaz de nome Teodoro, o primeiro amigo que fiz na minha infância na terra conquistense e foi ele quem me levou no mato, na estrada da “Batalha”, para colher lodos, gravatás e ramos para o enfeite do presépio que minha mãe fez, que ficou muito bonito e foi elogiado pelos visitantes.

No dia 15 de janeiro de 1918 entrei para o Colégio Pestalozzi onde estudei um ano. Foram assim os meus primeiros dias na querida terra conquistense.’ cujo povo, cativante e hospitaleiro, nos acolheu de braços abertos. Tornei-me caboclo apaixonado da mesma TABA e dela não me ausentei a não ser temporariamente.

Vi Conquista, cidade pequena, provinciana, crescer, progredir e se tornar a “Metrópole do Progresso”, líder de uma vasta região, estendendo sempre a mão amiga a quem, de outras plagas, aqui chega para trabalhar com o seu povo pelo seu engrandecimento,

Presenciei os acontecimentos de maior destaque de sua História ocorridos de 1918 até a presente data (junho de 1983). Tive a idéia de editar um jornal que tivesse as características de porta-voz do povo conquistense. Fundei-o e dirigi “O Jornal de Conquista”, pelo espaço de 22 anos sem interrupção, vendo assim realizado o meu desejo de não passar pela minha terra adotiva como figura inexpressiva e servir, embora de modo diminuto, ao seu grande povo.

Conquistenses, natos ou por adoção, amem com o mais forte de todos os amores esta adorada, Terra Conquistense que é sua e também minha, pelo coração.

 

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