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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 17/05/2017 - 15h24
Agora dizer que você não pode sentar numa calçada do chão do Brasil e fazer sua livre expressão, é inaceitável. Pega a Constituição de 1988 e rasga”

Natural de Iporá, Goiás, Ricardo Moraes da Silva, há vinte anos transitando nas calçadas do Brasil – muitas outras vezes vendo-se confrontado entre a prática de arte nas ruas das cidades e a determinação do poder público e outras entidades de retirá-los dos espaços públicos – entrou em greve de fome em protesto contra a decisão do governo municipal de Vitória da Conquista de atender à recomendação do Ministério Público de impedir o usufruto do chão da Praça 9 de Novembro para comercialização de peças de artesanato pelos hippies e outros artistas de rua.

Segundo o artista, sua greve de fome vai durar até que a Prefeitura convide “a comunidade” para uma conversa e ofereça alternativas economicamente viáveis para os artistas de rua. As possibilidades indicadas inicialmente pelo governo – Praça Sá Barreto e Mercado do Bairro Brasil – foram veementemente refutadas por ele. “O centro da cidade oferece outros bons lugares, menos estes que ofereceram, onde não tem fluxo de gente, e a gente precisa de fluxo. Não podemos tirar menos do que já tiramos.

“Sou um cidadão brasileiro em greve de fome, representando a classe, e só abro mão quando nos chamarem para conversar. Enquanto isso, vamos permanecer aqui, na resistência. Não é a primeira vez que nos defrontamos com imposições do Estado como esta. Estamos buscando nossos direito. Temos que opinar também. Não se pode tomar certas medidas sem consultar a gente. O meu escritório é aqui na rua. Agora dizer que você não pode sentar numa calçada do chão do Brasil e fazer sua livre expressão, é inaceitável. Pega a Constituição de 1988 e rasga”.

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