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Vitória da Conquista | 21 de Janeiro de 2020
Por Fabio Sena | 19/05/2017 - 20h13
Não deveria ser negociada pondo em risco essa grande lavagem de roupa suja da presença capitalista na democracia brasileira

por Domingos Leonelli

A situação do País é muito grave. E as soluções, lamento dizer, são também muito complexas. Defendo as eleições diretas, de preferência gerais, talvez até com possibilidade de candidaturas avulsas, dado o profundo desgaste de nossos partidos. Mas, insisto, o quadro é muitíssimo preocupante. As Diretas Já de 1983/84 deram-se em circunstancias históricas muito diferentes. Estávamos no fim de um regime politico e não no fim de governos (Dilma e Temer). Foi uma campanha longamente gestada e não pretendia derrubar o governo do General João Figueiredo mas, sim, realizar a sua sucessão pela eleição direta. Um processo iniciado no parlamento que depois ganhou os partidos , os governadores de oposição e finalmente, de maneira avassaladora, o povo brasileiro.

Como todas as mobilizações populares no Brasil deu-se tendo como fator de mobilização um objetivo legal – no caso a Emenda Dante de Oliveira- tal com a campanha do Petroleo é Nosso, com a Lei 2004. E havia várias alternativas reais de candidaturas presidenciais sem máculas – Ulisses Guimaraes, Tancredo Neves, Leonel Brizola – ainda que houvesse uma espécie de pacto para não colocar candidaturas acima do objetivo de aprovar a Emenda que viabilizaria as Diretas.

Foi a maior mobilização popular do Brasil no Século XX e mesmo assim a emenda não passou. As Diretas Já de 2017 tem um caráter emergencial, precisa ser muito bem pensada. Não pode, ou não deveria ser uma plataforma de salvação para nenhum partido ou candidatura. Não deveria ser negociada pondo em risco essa grande lavagem de roupa suja da presença capitalista na democracia brasileira. Lavagem necessária, justa, radical e verdadeiramente democrática.

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