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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 01/06/2017 - 14h20
Dezenas de lojas fechadas e a predominância do aluga-se

Placas de ‘aluga-se’ estão espalhadas por toda a Avenida Brumado. Dezenas de imóveis fechados e um quadro desolador. Antes uma das mais movimentadas vias do sudoeste baiano, a Brumado vai, aos poucos, se transformando num local pouco recomendável para o comércio, seja qual for o ramo. Os empreendedores que insistem na permanência já não o fazem sem uma ponta de dúvida e temem ser vítimas também de uma grave crise que atropelou o negócio de muita gente há décadas estabelecida naquela área. Na foto abaixo, parece até que é domingo, mas é um dia normal.

A maior parte dos empresários que permanece na Brumado acredita que a transformação de um trecho da avenida em mão única impactou negativamente todo o comércio da região, afastando principalmente clientes de cidades do entorno, muitos dos quais faziam suas compras quando retornavam de viagem. Obrigados a trafegar pelas avenidas Maranhão e Pará no sentido centro-bairro, os eventuais clientes simplesmente desapareceram e as perdas financeiras foram imediatamente sentidas. Daí a razão de boa parte dos comerciantes insistirem na volta da mão dupla ou na alteração do sentido da mão única, que passaria ser centro-bairro.

É o que pensa Dilemon Campos Freire (foto abaixo), proprietário de uma padaria e mercadinho. Em 2014, quando o governo anterior efetuou a mudança, ele sofreu imediatamente o impacto: suas vendas despencaram 40%. De 15 funcionários passou para apenas 2. “Tivemos que agir muito rapidamente, demitir funcionário, ajustar o quadro. A gente previa para 2014 muito crescimento. Eu tinha na época 15 funcionários. Hoje, são dois funcionários. Depois veio a crise por cima da mudança e a gente viu o faturamento praticamente diminuir 80%. Não existe uma empresa que possa aguentar este impacto tão forte. E todo mundo sentiu, uns mais outros menos. Mas o grande fator foi a mudança da avenida.  Daí pra frente é esse paradeiro total”, lamenta o comerciante.

“A gente esperava com essa administração municipal nova que alterasse isso, até porque teve sinalização positiva durante a campanha, e a gente apoiou, acreditou, mas estamos aqui neste trechinho ainda com mão única”, afirmou Dilemon. Ainda segundo ele, depois das mudanças, o número de acidentes na via cresceu. “Com a mudança é dez vezes maior a quantidade de acidentes na avenida. Acidentes graves. Tenho colegas que estão andando de muletas até hoje. Tem que haver melhorias, mas é preciso pensar no todo. Não posso falar por todos, mas garanto que grande parte dos comerciantes que estão aqui seria o melhor se esta avenida fosse saída”.

Gilmar Santos de Araújo (foto), revendedor de carro, também lamenta a queda do comércio na Avenida Brumado que, segundo ele, está ‘acabando’. “Já caiu quase 50% por causa do fluxo. Parou demais. O meu cliente, o pessoal do sertãoi, ele passava de manhã e via a mercadoria, quando voltava à tarde ele comprava. Hoje ele passa lá encima, pela Maranhão, já perdi esses clientes. A pessoa passa aqui de manhã não vai comprar o pão e deixar dentro do carro, deixa para comprar na volta. Mas agora a volta é pela Pará. Então o comércio aqui acabou. Muito ponto fechado. A solução é voltar a ser mão dupla. Como está não beneficiou ninguém. Muito pelo contrário, deixou muita gente desempregada”.

Gilmar também afirma que o número de acidentes na via – inclusive envolvendo ciclistas – aumentou assustadoramente. “Dois acidentes por dia, quase todo dia. A ciclovia aqui é mão dupla. O motorista vem com o carro e olha só para o sentido bairro-centro e a bicicleta que vem do centro para o bairro ele atropela. Quase todo dia. Tenho várias filmagens aqui. Então aqui hoje teria que colocar a ciclovia para a Maranhão ou Piauí e aqui voltava a ser mão dupla. A tendência aqui é piorar e muito”, afirma.

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