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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 04/08/2017 - 11h58
Luiz Melodia é a síntese mais perfeita de Pixinguinha, Noel Rosa, Ismael Silva, Cartola, Zé Keti, Nelson Sargento

Vi Luiz Melodia pela primeira vez no Programa Livre, apresentado por Serginho Groisman, no SBT, lá no comecinho dos anos 90. Eu tinha meus 15 anos. Ele foi convidado ao palco pela singela qualificação de “Pai da Música”. Aquilo me causou um choque profundo. O Pai da Música. Que homem seria este que, nascido no Século XX, poderia ser o pai de uma arte tão antiga e universal?

No entanto, quando o vi e o ouvi fixei-o na alma e ele jamais se desprendeu. Jamais. Luiz Melodia foi um amor que percorreu comigo todos os longos e mais saborosos e delicados e solitários e infinitos caminhos. Quantas vezes Farrapo Humano explodindo de alegria o espírito enquanto descia, de bicicleta, a Serra do Marçal… Quantas milhares de vezes, nas ruas de Brasília, à pé, entregando contas de luz, Luiz Melodia tornava dulcíssima aquela árdua tarefa sob sol escaldante do Cerrado.

Em viagens de ônibus, de carro ou de avião, estava lá, superpresente em minha rigorosa seleção de MP3. Jamais me desapeguei daquele som que transitava entre o samba, o jazz, o choro, o blue, a bossa e o forró e o soul e o rap. Luiz Melodia é a síntese mais perfeita de Pixinguinha, Noel Rosa, Ismael Silva, Cartola, Zé Keti, Nelson Sargento, Louis Armstrong, Nat King Cole, Orlando Silva, Orestes Barbosa, Billy Preston, Marvin Gaye…

Enfim, ouvi-lo significa ter acesso a todo um acervo de referências musicais… uma comunidade musical… um universo musical inteiriço, repleto do mais belo, do mais sofisticado, do mais sublime. Luiz Melodia é o Pai da Sua Música, uma invenção própria dele para o mundo, ele que transita com leveza e elegância da Europa à Ásia, da África às Américas… Luiz Melodia é patrimônio do mundo. Hoje, o mundo o perde. Mas, como diria meu amigo Alberto Bomfim, o ganha em ressignificância.

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