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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 13/08/2017 - 00h31
André Ferraro afirma que os problemas não foram tratados com clareza e respeito.

Uma avalanche de matérias sobre provável pedido de exoneração do secretário de comunicação, André Ferraro, ganhou repercussão nas redes sociais e blogs neste sábado, dia 12. O primeiro a despejar informação na grande rede foi o Blog do Massinha, a quem o próprio suposto demissionário teria confidenciado a informação de que estaria descontente e desembarcaria do governo. O mesmo blog postou outras duas matérias emendando a primeira, acrescentando novas informações ao conteúdo inicial.

Pedro Alexandre Massinha afirma ter decidido pela publicação da matéria após ler no perfil de André Ferraro, no facebook, uma “carta de despedida” com o seguinte teor. “Bom dia, tranquilidade. A gente faz o que pode, e o que não pode, pra não dizer adeus, e quando o sol aquece o coração e ilumina os caminhos, brilham ideias e vontades, uma sede do futuro desperta e energiza, toma conta de tudo, pra tudo dar muito mais que certo, pra tudo ser o que tem de ser: verdade. E por ser assim, sempre verdadeira, a trilha de saída pra recomeçar o novo game, não pode ser outra pra essa alma livre que não seja o bom e velho rock’n roll. Bye, Vic”.

Outros blogs acompanharam o cortejo noticioso e deram, uns como certa, outros como incerta, a saída de André. No Blog do Paulo Nunes, uma extensa matéria explicitou as prováveis razões da dissensão que estariam acalentando o desejo de partida do secretário. O editor afirma que, em conversa com o blog, “André Ferraro disse que não pediu demissão e nem foi demitido, entretanto cobrou do prefeito municipal melhores condições de trabalho e maior sintonia entre os órgãos municipais, evitando que fatos negativos prossigam na velocidade atual.  Mas o fato é que nem o secretário pediu demissão e nem foi demitido. Continua secretário”.

Em micro artigo postado no Blog do Rodrigo Ferraz no final da tarde deste sábado, o secretário de comunicação demonstra a correção de análise emitida pelo jornalista Paulo Nunes, na medida em que, de forma objetiva, alinhava palavras e frases que eliminam qualquer dúvida quanto à gravidade da tensão vivida entre ele, o governo municipal e o próprio prefeito. Embora não expresse nem sinalize a natureza das divergências, André é categórico ao afirmar que a mesmas existem. Declara que “há problemas que precisam ser resolvidos e deviam ser tratados internamente, com clareza e respeito, mas não foram”.

“Não me exonerei, e nem vou me exonerar. Sou um cara de luta convicções, não vou me render nunca. Tenho experiência bastante na política para saber a dimensão das minhas atitudes e palavras, que costumo honrar. Meu compromisso maior é com o meu nome e dignidade, e com os destinos da cidade. Um compromisso que corre em minhas veias, de família conquistense. Não há como negar agora, expostas divergências internas, que há problemas que precisam ser resolvidos e deviam ser tratados internamente, com clareza e respeito, mas não foram. A minha continuidade depende apenas do prefeito e está com ele a solução não apenas da minha questão, mas de como e com quem ele pretende fazer sua administração”.

A ópera se resume à seguinte hipótese: as dissensões internas entre André Ferraro e o governo, ou entre André Ferraro e o prefeito, ou entre André Ferraro e algum núcleo do governo alcançaram tamanha proporção que, não sendo tratadas politicamente no âmbito do governo, explodiram e ganharam vida nas redes. As declarações do secretário não parecem ser um convite ao consenso, mas um aviso ao prefeito sobre as suas companhias administrativas – “mas de como e com quem ele pretende fazer sua administração”. Articulador da campanha eleitoral de Herzem Gusmão, Ferraro foi porta-voz do governo em diversas oportunidades, com ênfase na greve das três categorias de servidores.

Quem analisa cenários políticos sabe que problemas políticos graves e que podem resultar na queda de agentes de primeiro escalão só alcançam o público externo quando não puderam ser saneados discretamente nas quatro paredes da administração. Experiente, André Ferrado articulou-se para ser ele o porta-voz público das dissensões, de modo que o prefeito Herzem Gusmão dificilmente deixará de manifestar-se publicamente sobre o assunto, o que aliás tem sido prática recorrente sua como gestor – não se ausentar dos debates.

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