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Vitória da Conquista | 17 de Janeiro de 2020
Por Fabio Sena | 06/10/2017 - 00h18
e nossa parte, a defesa será sempre da Democracia. Jamais do arbítrio.

por Rodrigo Moreira|Vereador

Vitória da Conquista ganhou projeção na imprensa baiana esta semana graças ao disparate de um vereador que, por falta de leitura ou de má-fé política, resolveu desferir ataques ao Estado Democrático de Direito e reivindicar uma intervenção militar, um governo militar provisório. Em seu devaneio e em total desrespeito ao sistema pelo qual ele mesmo foi eleito, exibiu mensagens nos outdoors da cidade e, em letras garrafais, pedia o fim da democracia no Brasil.

Esta não é a primeira vez que Vitória da Conquista ganha repercussão nacional negativa por causa deste mesmo vereador. Anos atrás, por ocasião da Greve da Polícia Militar na Bahia, graças às escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, as redes de TV brasileiras exibiram conversas em que este mesmo defensor de governo militar foi flagrado ameaçando queimar carretas na Rio-Bahia. Truculento, ao invés de negociar civilizadamente com o governo, preferiu o caos, a balbúrdia.

Está claro, portanto, que seus métodos políticos são sempre os mais rudimentares, os mais bárbaros. Ele se mostra incapaz para o convívio democrático, para as relações nas quais a dignidade humana seja plenamente assegurada. A truculência e a falta de constrangimento com que exibiu suas mensagens grotescas em outdoors pela cidade só demonstram o quanto é fundamental subordiná-lo à melhor das pedagogias para este tipo de crime: a Justiça.

Indignados com a panaceia do vereador, professores e estudantes rasgaram a mensagem de um outdoor localizado nas imediações da UESB. Sensatos, entenderem que não é admissível assistir em silêncio uma manifestação que contraria qualquer princípio de civilidade, que fere de morte uma das mais extraordinárias conquistas do povo brasileiro. Democracia é sinônimo de liberdade, de vida, de participação. O gesto do vereador vai na contramão: ele defende o arbítrio, a sujeição das pessoas.

Nos últimos anos, tem crescido o número de analfabetos políticos que vão às ruas pedir intervenção militar. Sem dúvida, nenhum deles faz ideia do que está pedindo, não sabem o que é ter a casa invadida, familiares presos, torturados e mortos, correspondência violada. Com certeza quem defende um regime de força é um frustrado que não admite o jogo democrático, que é mais lento, mas muito mais robusto. É na Democracia que o Direito pode exercer seu verdadeiro papel.

Sem Democracia, como pretende o vereador, quem fiscaliza e quem denuncia? No regime de força, sem congresso, sem eleições, sem liberdade de expressão, como assumir uma postura altiva frente às instituições? Eleito pelo voto direto, o vereador deveria renunciar ao mandato, já que despreza tanto a Democracia. Mais lamentável ainda é perceber quanta gente acompanha este raciocínio equivocado e defende uma sociedade submetida ao medo e à violência.

Por outro lado, é fundamental perceber que ao primeiro sinal de intolerância democrática muitas vozes se erguem e bradam contra um argumento fajuto, que não se sustenta pelo simples fato de ser apenas moralismo de analfabeto político. Acreditar que uma Ditadura Militar vai acabar com a corrupção é coisa que só pode sair da cabeça de quem nunca leu um livro de História, de quem não consegue viver sem mando. De nossa parte, a defesa será sempre da Democracia. Jamais do arbítrio.

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