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Vitória da Conquista | 08 de Agosto de 2020
Por Fabio Sena | 06/10/2017 - 15h05
A repercussão da ação política foi tamanha, a comoção tão intensa, que não restou outra alternativa senão acenar, do púlpito, solidariedade ao regime democrático

A bancada de oposição da Câmara de Vereadores recobrou sua consciência de classe na sessão desta sexta-feira (6). Quinze dias depois de o vereador David Salomão (PTC) defender em plenário uma intervenção militar como melhor remédio para conter a sangria de recursos públicos via corrupção, petistas, comunistas e até peemedebistas realçaram os valores democráticos, etc., etc., etc.

Relegada a segundo plano na sessão do dia 22 de setembro, quando o trabalhista cristão bradou a plenos pulmões sua inclinação à ascensão dos militares ao poder, a Democracia foi finalmente defendida, e com veemência. Tudo graças a um fato externo à Câmara protagonizado por militantes de esquerda, professores e estudantes da UESB que, indignados, rasgaram um outdoor com a mensagem pró-intervenção.

A repercussão da ação política foi tamanha, a comoção tão intensa, que não restou outra alternativa senão acenar, do púlpito, solidariedade ao regime democrático. Autor do devaneio militaresco, David Salomão se viu acossado, assistindo ao desfile de vozes que, majoritariamente, condenaram sua postura. Fernando Jacaré, entre todos, sobressaiu pela firmeza do discurso e pelo apoio irrestrito ao professor Rui Medeiros.

Sintomático foi o fato de os vereadores da bancada de oposição simplesmente não declinarem, sem seus discursos, o nome do algoz da democracia. O nome David Salomão não foi pronunciado uma vez sequer, de modo que se, por um lado, os vereadores cumpriram a função política orientada de não realçar o personagem, por outro lado negaram ao público eleitor o direito de saber sobre quem discursavam.

Ao assumir o púlpito, David Salomão reafirmou seu conteúdo político de defesa de um governo militar provisório e voltou a ameaçar ir à Justiça proclamar seu direito à livre manifestação de pensamento e de enquadramento criminal daqueles que destruíram sua mensagem no outdoor. “A liberdade de expressão está garantida na Constituição Federal. Me senti numa ditadura. Vocês me encontrarão na justiça. Professor doutrinador, você me encontrará na justiça. Responderá pelo crime de dano. Vocês não são donos da verdade”, argumentou.

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