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Vitória da Conquista | 15 de Dezembro de 2018
Por Fabio Sena | 13/10/2017 - 14h58
Rubens Jesus Sampaio é Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz

por Rubens Jesus Sampaio

Dado ao multifacetado momento em que vivemos, não é possível respostas pontuais para problemas que não são conjunturais e sim estruturais. No 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx, lembrando que Hegel disse que os fatos e personagens de grande importância da história do mundo se repetem duas vezes. Ainda no mesmo parágrafo, completa que a história acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Slavoj Zizek lembra que Herbert Marcuse, já em 1960 deu mais uma volta no parafuso sobre o 18 de Brumário de Luís Bonaparte e acrescentou: às vezes a repetição disfarçada de farsa pode ser mais aterrorizante do que a tragédia original.

Fechadas as urnas das eleições de 2016, cabem-nos olhar para as abstenções na tentativa de aprender com os sinais deixados pelas massas que não se sentiram motivadas o suficiente para depositarem seus votos nas urnas. A mim me parece que vivemos em uma profunda crise de representatividade dos partidos políticos, se isto for verdade, estaria acontecendo por aqui, nas terras tupiniquins, com um certo atraso, o mesmo fenômeno que já se manifestou nas democracias mais maduras do velho continente, ou seja, o aparecimento de uma classe governante destituída de legitimidade (MEIR, 2013), que pode ser advinda das mais variadas matizes.

Os sinais são de que os cidadãos não acreditam e estão fartos de um sistema político onde são chamados a votar de quatro em quatro anos em “representantes que se apropriam dos mandatos e os usam para fins próprios”. Esta frustração faz surgir, “uma onda reacionária no mundo, fruto de uma visão de retomada do paraíso perdido, a volta ao Eden, ao passado grandioso (EUA Grande, O Califado, Brexit, Império Turco-Otomano)” e, por consequência, a aceitação de uma certa dose de autoritarismo.

O moderno marketing político embutido no falso jornalismo tenta nos imbecilizar ao nos vender os seus candidatos, às vezes, travestidos de “Caçadores de Marajás”, “Justiceiros endeusados”, “radialistas preparados”, “heróis de toga ou de fardas” como na propaganda do Bom Bril – 1001 utilidades – e a farsa da ida às urnas como única estância para resolver as nossas mazelas. Assim, a democracia no modelo neoliberal dos nossos dias, não passa de embalagem bonitinha onde o capital falseia a imposição dos seus interesses à maioria dos desprovidos do acesso aos bens de produção e de informações adequadas.

Esta mentalidade falseada imposta pelo nosso modelo de democracia, alimenta-se – e muitos acreditam (se autoenganam) – que ao depositarem o voto na urna estão participando plenamente dos destinos do país e que todas as mazelas sociais serão resolvidas. Na verdade, “o sufrágio universal deslegitima simbolicamente formas mais eficazes de pressão das classes populares” (HIRSCHMAN, 2016). ZIZEK (2012, p.16), complementa: “o programa positivo das ideologias do poder é em geral o programa tipo de democracia “direta”.

Esta forma, iguais os mitos dos super-heróis que nos defendem conta os monstros que nos atemorizam e das fadas com suas varinhas de condão a transformarem sapo em príncipe, a disputa eleitoral funciona, muitas vezes, como solução para reconstruir a dominação ameaçada por práticas contestatórias, sendo assim, a cada quatro anos todas as energias e esperanças se concentram nas eleições “[…] Essa é a armadilha e a farsa da democracia limitada que temos: incentiva que a luta política seja sempre canalizada para as eleições”, tirando o foco das lutas extrainstitucionais.

Suspeita-se de que, no nosso modelo de democracia limitada, o modelo capitalista neoliberal não significa um Estado neutro, leis neutras e, nem ainda, aparelhos neutros, marketing neutro e políticos neutros (MIGUEL, 2016). Por detrás não está o autoengano e sim a farsa. Sabem muito bem o que estão fazendo. O Movimento Brasil Livre (MBL), não tem nada de “natural” e autêntico, assim como o Vem Pra Rua de Rogério Chequer não é um ente apartado do sistema político-partidário e econômico vigente. Sem mudanças sociopolíticas, eles serão um espírito de revolta sem revolução – não podemos nos autoenganar.

No que deu? Sem um programa específico, a tendência tornou-se realidade: a substituição dos políticos no governo, por um governo “neutro” de tecnocratas despolitizados. Não seria está uma compreensão para o que vivemos agora após o golpe? Na concepção zizequiana: “saem os políticos coloridos, entram os capitalistas cinzas de discurso reacionário”, negando a política embora façam a política fascista.

Há um choque psicológico diante da voracidade das mudanças tecnológicas e sociais e da perda do que Eduardo Giannetti identifica no livro Trópicos Utópicos: uma perspectiva brasileira da crise civilizatória (2016). Ele afirma que: “o mundo moderno nasceu e evoluiu embalado por três ilusões: a de que o pensamento científico permitiria gradualmente banir o mistério do mundo e assim elucidar a condição humana e o sentido da vida; a de que o projeto de explorar e submeter a natureza ao controle da tecnologia poderia prosseguir indefinidamente sem atiçar o seu contrário – a ameaça de um terrível descontrole das bases naturais da vida e a de que o avanço do processo civilizatório promoveria o aprimoramento ético e intelectual da humanidade, tornando nossas vidas mais felizes, plenas e dignas de serem vividas. Com a desesperança causada pela perda dos ideais Modernistas, vive uma onda reacionária que quer voltar a um éden passado e fictício”. Fernando Haddad afirma que a esquerda brasileira nunca conviveu com uma situação “tão adversa” como a atual. Para ele, a polarização brasileira se dará, nos próximos anos, entre a direita e a extrema direita.

Slavoj Zizek afirma que “o fascismo surge quando a esquerda fracassa e não aproveita o potencial revolucionário existente e quando os liberais excluem a esquerda radical, perde o legado mais na frente e abre espaço para o fundamentalismo e, por sua vez, quando o sistema capitalista global se reapropria das explosões das massas populares emancipatórias, pode ocasionar em mais forma liberal ou fundamentalista. O que se espera é que a fúria dos que não foram às urnas seja transformada em um programa político emancipatório, caso contrário, uma nova explosão ocorrerá e será cada vez mais radical. Como uma boa medida, necessita-se evitar o reagrupamento no poder dos que anteriormente o ocupava. Não adianta trocar o mestre pelo seu discípulo piorado, numa espécie de “tradução degradativa”, pode ser uma exibição de sabedoria cínica”.

Há alguma relação entre as promessas não cumpridas da moderna ciência e a afirmação de Francis Fukuyama de que o capitalismo e a sua filha predileta, a democracia limitada que temos, seriam o “fim da história”? Nos venderam uma farsa ou nós nos autoenganamos? Parece que o próprio Fukuyama se autoenganou e já admitiu que a afirmação necessita de revisão.

Assim como a desertificação da paisagem (ZIZEK, 2015) age sobre o humor do sujeito, a recusa da ciência em validar a transendentalidade conduz ao fanatismo religioso, invariavelmente fundamentalista e leva ao consumismo exacerbado e cego como válvula de escape diante da perda de qualquer senso de propósito na vida (GIANNETTI, 2016).

Em artigo publicado na “insuspeita” Revista Veja, 30 nov. 2015, p. 19, 22 e 23, Mark Lilla chama a atenção para o fato de que “na Europa os partidos são herança das lutas pelo legado da Revolução Francesa. Socialistas e comunistas representavam a classe trabalhadora, enquanto os conservadores representavam a igreja e a antiga aristocracia. Essa clivagem não existe mais. A nova divisão se dá entre aqueles que vivem no conforto e se beneficiaram da globalização e os que carecem de conforto ou não se beneficiaram da globalização”. Aqui entra a classe média batedora de panes em espaço gourmet ou trajadas com uniforme da CBF. Na compreensão de Marilena Chaui, “sob a ameaça de perdas na sua capacidade de consumo, já que, ela entende o consumo como ascensão social em direção à classe dominante, se torna ideologicamente conservadora, reacionária e seu papel social e político é assegurar a hegemônica da classe dominante”. Entende também que o precariado vive “povoado por um sonho e um pesadelo: o sonho de ser classe dominante e o pesadelo de tornar-se proletariado”.

Nada tem sido feito, de maneira efetiva, para lidar com a grande massa que tem sido deixada para trás em decorrência do capitalismo flexível. Em pesquisa divulgada agora em 2017, no Fórum Econômico Mundial de Davos, dá conta de que oito dos homens mais ricos do mundo concentram o mesmo patrimônio de 3,6 bilhões de pessoas – a metade mais pobre da humanidade, que detém 0,25% da riqueza global líquida. Os dados constam no relatório “Uma economia humana para os 99%” e foi elaborado pela Oxfam, entidade que reúne diversas organizações não governamentais. O documento se baseia nas informações do “Credit Suisse Wealth Report 2016” e na lista de super-ricos da revista “Forbes” e evidencia o aumento da desigualdade econômica extrema. No Brasil, seis famílias detém o mesmo patrimônio que 50 por cento da população do país, ou seja, 110 milhões de pessoas.

Ao se manifestar sobre os horrores da Primeira Guerra mundial, Gramsci disse: “O velho mundo está morrendo, e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros”. Parece-nos ser impossível chegar ao outro lado sem que os monstros surjam. Onde estão os felizes anos 90, a visão utópica de Francis Fukuyama do “fim da história”, ou “Por que 2012 foi o melhor de todos os anos”, estampado no editorial de Natal de 2012 da revista Spectator? (ZIZEK, 2015, p. 25).

Assim, o a lógica neoliberal desenvolve-se mais e mais na direção de um “inimigo da natureza” (KOVEL, 2002, p. 122). “No fim da história”, o “melhor de todos os mundos possíveis proposto pelo sistema de produção atual” destrói os fundamentos da sua própria vida (ALTVATER, 2010, p. 122). Bruno Latour afirma que as multidões que deveriam ser salvas da morte caem aos milhões na miséria; as naturezas que deveriam ser dominadas de forma absoluta nos dominam de forma igualmente global, ameaçando a todos.

“O modelo hegemônico de participação popular através da eleição dos representantes limitou a democracia impondo restrições em outras formas de participação. Com isto, vive-se uma democracia de baixa intensidade que se assemelha a uma antidemocracia, onde os partidos políticos, fonte idealizada para a representação do pluralismo da sociedade, tem seu objetivo descaracterizado”. Assim acredita o pensador português, Boaventura de Sousa Santos.

“Os partidos políticos são hoje frequentemente entendidos como instituições arcaicas e desatualizadas. Ademais, sendo dominados por aquilo que é por vezes entendido como uma classe política dedicada aos seus próprios interesses, ou sendo criticados por servirem pouco mais do que a promoção dessa mesma classe, os partidos políticos são hoje muitas vezes descritos como           organizações que dificultam a renovação democrática, mais do que como um dos meios pelos quais a democracia pode ser ainda sustentada” (MAIR, 2003, p.233).

“A democracia vivida na atualidade está maculada pela lógica neoliberal a tal ponto que, é tida como a única alternativa verdadeira de democracia. Entretanto, está longe dos ideais democráticos primeiros, do pluralismo democráticos anterior à década de oitenta”.

Complementa Boaventura de Sousa Santos: “[…] vivemos em sociedades politicamente democráticas e socialmente fascistas. Até quando o fascismo se mantém como regime social e não passa a fascismo político, essa é uma questão em aberto”.

Como tudo tem limite, vale refletir sobre o que Christophe Dejours aponta: “como não há prazer no trabalho e sim sofrimento. Para suportá-lo, os trabalhadores colocam em ação mecanismo de defesa psíquico de modo a conseguirem realizar sua atividade. O normal é que os trabalhadores, em qualquer trabalho, desenvolvam estratégias defensivas psíquicas para conseguir realizar a atividade, e assim levar “o pão para casa”

Este mesmo sofrimento e o mesmo instrumento de defesa, estariam sendo o motor gerado da negação da condição de trabalhador em parte do precariado e com a consequente rejeição aos partidos de esquerda, em particular, aos petistas.

Caso sejam verdadeiras estas compreensões, e creio que são, esta negação seria uma das cinco fases do luto (ou da perspectiva da morte), identificadas por Elisabeth Kubler-Ross. “Trata-se de uma defesa psíquica que faz com que o indivíduo acabe negando o problema. Seria a tentativa do sujeito de encontrar alguma maneira de não entrar em contato com a realidade: seja da morte de um ente querido, da perda de emprego ou, até mesmo, a expectativa de vier a ser identificado como o que rejeita – ser trabalhador”. Seria a vontade deliberada da ignorância. É comum a pessoa nem mesmo querer falar sobre o assunto ou considerar inimigo aqueles que os tentam fazer enxergar a realidade.

Na compreensão de Slavoj Zizek, para enfrentar essa ameaça, nossa ideologia coletiva mobiliza mecanismos de dissimulação e autoengano que incluem a vontade direta de ignorância e, neste caso, “o padrão geral de comportamento das sociedades humanas ameaçadas é elas se tornarem mais tacanhas à medida que decaem, em vez de se concentrarem mais na crise”. A globalização econômica está pouco a pouco, porém inexoravelmente, solapando a legitimidade das democracias ocidentais. Por causa de seu caráter internacional, processos econômicos amplos não podem ser controlados pelos mecanismos democráticos que por definição, limitam-se aos Estados-nação (ZIZEK, 2012, p.92).

Na mesma linha, em artigo publicado Le Monde Diplomatique Brasil, sobre o filme Eu, Daniel Blake, o Doutor em Sociologia Política, Léo Vinícius levanta “a hipótese de que a aversão ativa antipetista e antiesquerda que aflorou nos últimos anos no Brasil, principalmente na classe média, esteja relacionada às estratégias defensivas psíquicas e ideologias defensivas do trabalho (que são uma consolidação dessas estratégias), e não ao suposto e tão propalado ressentimento pela ascendência de acesso ao consumo e aos serviços pelos grupos sociais de poder aquisitivo mais baixo. Essa aversão ativa teria como importante componente então a necessidade de afastar todo traço que questione minimamente aquilo que não pode ser questionado no trabalho? De afastar aquilo que aparece como uma ameaça ao equilíbrio que evita o sofrimento?

Não podemos deixar de observar que o capitalismo flexível é um sistema de oportunidades e risco, entretanto quando a renúncia fiscal, a sonegação consentida de impostos, a manutenção de privilégios de uma determinada casta e a proposital mudez sobre a dívida pública, fica claro que apenas uma minoria tem oportunidade, enquanto uma vasta maioria fica com os riscos. Hoje os nossos problemas são comuns e pressupõe uma luta onde “não há homens ou mulheres, tampouco judeus ou gregos”. “O conflito é entre a não sociedade e a sociedade, entre os que não tem nada a perder e os que tem tudo a perder, entre os que não correm nenhum risco na comunidade e os que correm os maiores riscos (ZIZEK, 2012, p.65).

Ao falar sobre a “Sociedade 10 de dezembro”, ou seja, os assassinos que compunham o exército particular de Luís Bonaparte, (Napoleão III), Marx, traz uma descrição reveladora do perfil dos indivíduos que faziam parte da base do bonapartismo: “Rufiões decadentes com meios de subsistência duvidosa e de origem duvidosa, rebentos arruinados e aventureiros da burguesia eram ladeados por vagabundos, soldados exonerados, ex-presidiários, escravos fugidos das galeras, gatunos, trapaceiros, lazarones, batedores de carteiras, prestidigitadores, jogadores, cafetões, donos de bordel, carregadores, literatos, tocadores de realejo, trapaceiros, amoladores de tesouras, funileiros, mendigos, em suma, toda essa massa indefinida, desestruturada e jogada de um lado para outro, que os franceses denominam a boemia. Era uma “sociedade beneficente” na medida em que todos os seus membros, a exemplo de Bonaparte, sentiam a necessidade de beneficiar-se à custa da nação trabalhadora. Esse Bonaparte se constitui como chefe do lumpemproletariado, porque é nele que identifica maciçamente os interesses que persegue pessoalmente, reconhecendo, nessa escória, nesse dejeto, nesse refugo de todas as classes, a única classe na qual pode se apoiar incondicionalmente; esse é o verdadeiro Bonaparte, o Bonaparte sem retoques”.

Ao analisar o texto escrito por Marx, Zizek entende que: “o único denominador comum de todas as classes é o excesso de excrementos, o refugo/resíduo de todas as classes, para a reconciliação de todas as classes”. Complementa ele: […] é exatamente o excesso não representável da sociedade – a escória, a plebe – que, por definição, é deixada de fora de todo o sistema orgânico da representação social, que se torna o meio da representação universal.

Não é esta a mesma história contada por Jesus na parábola das bodas em Mateus, 22, 1-14?

O problema é o sistema que incita a tragédia – a farsa. Não basta consertar o produto que saiu com defeito, outros virão se a fábrica não for consertada. Já vivemos outros monstros, que digam Getúlio Vargas, Juscelino Kubistchek e João Goulart.

A farsa está posta, quem quiser que se autoengane com o discurso da Previdência falida, da inocência do Congresso Nacional, do déficit orçamentário, dos militares como salvação, do Judiciário e das boas intenções de Temer e sua “ponte para o futuro”.

Fico pensando se estamos no “quem viver chorará” de Raimundo Fagner, ou o “acabou chorare” de Morais Moreira.

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Rubens Jesus Sampaio é Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, possui graduação em Teologia pela Faculdade de Educação Teológica de São Paulo, graduação em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, Pós graduado em Gestão de Empresas pela UFLA e Extensão em MKT pela ESPM. Atualmente é professor Adjunto e Coordenador do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB, Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (UESB) e Coordenador do Núcleo de Estudos sobre Sustentabilidade e Políticas Públicas – NESPP, cadastrado no CNPQ. Tem experiência em: Jornalismo, Marketing de Serviço, Impacto Ambiental, Gestão de Resíduos, Metodologia da Pesquisa Científica, Novas Narrativas e Consultoria de Negócios na área de Telecom/TI.

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