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Vitória da Conquista | 08 de Agosto de 2020
Por Fabio Sena | 08/11/2017 - 12h05
Fecha-se uma escola sem o diálogo dos que transitam por ela. Não perguntaram. Não consideraram. Não ponderaram. Não avaliaram. Não refletiram. Não respeitaram.

Professor Ronaldo Ferraz

Estou no estado da incredulidade. Da tristeza máxima elevada ao quadrado da impotência. Impotente diante dos fatos. Fecha-se uma escola por uma mera decisão de contenção de despesas. Fecha-se uma escola sem ao menos ter pisado os pés lá. Sem conhecê-la. Na frieza da simples decisão burocrática. Fecha-se uma escola na sentença tomada no gabinete resfriado pelo ar condicionado de suas almas. Nunca estiveram nela. Nunca pisaram os pés no chão da sua sala de aula. Nunca viram o calor dos olhos dos que ali aprendem – professores e alunos. Nunca perguntaram para a escola do que precisa. Como posso melhorá-la? Nunca experimentaram do seu alimento. Mas como foram competentes na decisão. Rápidos e eficazes.

Fecha-se uma escola sem o diálogo dos que transitam por ela. Não perguntaram. Não consideraram. Não ponderaram. Não avaliaram. Não refletiram. Não respeitaram. Não ouviram. Contradição. Paradoxo máximo. Não fizeram aquilo que se requer, minimamente, do processo de educação: dialogar, ponderar, avaliar, refletir, respeitar e ouvir. Deram o mau exemplo. IRONIA: a escola foi aberta pela direita. Fechada pela esquerda. Agiram como agiam os educadores mais carrancudos e atrasados do passado: usaram a palmatória do castigo. Fecha-se uma escola na frieza da decisão burocrática. Não sabem dos que estão nela. De onde vêm. Das suas dificuldades. Das suas necessidades e incertezas. Na escola, como diz Gadotti, mesmo faltando tudo, nela existe o essencial: gente – alunos, professores, funcionários, pais, diretores. Mas nada disso importa. Importa mesmo a contenção. Devem estar batendo palmas: fechamos mais uma escola.

O colégio estadual Nilton Gonçalves, mesmo com sua estrutura precária, tem conseguido nos últimos 15 anos, atrair uma quantidade significativa de alunos. Com 08 salas de aulas, o colégio mantem os três turnos funcionando desde o seu surgimento. Essa boa aceitação por parte da comunidade, no seu entorno, deve-se a vários fatores: sua localização (única escola estadual e de ensino médio no bairro Ibirapuera e nas proximidades do Bruno Bacelar, Alvorada e Nossa Senhora Aparecida); seu ambiente acolhedor, apesar de sua estrutura física; a dedicação de seus funcionários; e, lógico, o trabalho que realiza.

Poderíamos até entender o fechamento de um colégio alugado se este estivesse num meio cercado de outros estabelecimentos de ensino, como acontece em outros bairros. Mas não é o caso. Não se pode fechar uma escola que atende a uma região tão populosa da cidade alegando que os alunos se deslocarão para outras mais distantes. É um pensamento perverso e insensível, sobretudo, por se tratar de comunidades formadas, também, por famílias que muitas vezes não possuem condições de pagar a meia passagem de ônibus para que seus filhos se desloquem para bairros mais distantes. Falta vontade política. Porque o pedido de construção de uma sede própria para o colégio vem se arrolando por mais de dez anos.

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