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Vitória da Conquista | 30 de Marco de 2020
Por Fabio Sena | 13/11/2017 - 01h43
A professora Janeclêide se emociona ao falar do fechamento da escola

A professora Janeclêide Moreno Gonçalves leciona História há 14 anos no Colégio Estadual Nilton Gonçalves e tem a perfeita noção do impacto negativo da decisão do governador Rui Costa na vida de centenas de jovens ao declarar o fechamento da unidade de ensino que atende estudantes dos bairros Ibirapuera, Nenzinha Santos, Bruno Bacelar e Nossa Senhora Aparecida. Comovida e revoltada, a professora esteve em reunião com moradores e lideranças dos bairros atendidos pelo colégio, articulando uma mobilização para tentar reverter a posição do governo.

“Esta notícia de que o Colégio Nilton Gonçalves iria bater suas portas foi o pior presente que o governador do Estado poderia dar para nossa cidade, em plena feira de ciências, quando a gente estava comemorando os 177 anos de nossa cidade. É um colégio que existe há 17 anos, atendendo alunos de vários bairros, do Nenzinha Santos, Ibirapuera, Nossa Senhora Aparecida e Bruno Bacelar, poucos do Aparecida, a maioria do Bruno Bacelar. No turno noturno 74% são do Bruno”, afirmou a professora ao Diário Conquistense logo após a reunião realizada no bairro Bruno Bacelar.

Segundo ela, embora corra há cerca de quatro meses o boato de fechamento da escola, a notícia “foi um choque” porque a comunidade estava em peso em campanha para manutenção da unidade. “Quando se ventilou a possibilidade três, quatro meses atrás, a gente começou a se mobilizar. Procuramos os nossos representantes políticos, tivemos reunião com Fabrício e Zé Raimundo, Waldenor teve acesso a informação, teve uma audiência pública”, informou a professora, que discorda das alegações do governo para interromper as atividades no colégio. “Tudo muito pequeno diante dos anseios da comunidade, que não quer sair dali”.

Janeclêide lembra que o secretário municipal de Educação, Marcelo Melo, esteve na escola e afirmou que o Município não tem como assumir tantos alunos. A professora lembra ainda da busca de apoio junto a deputados votados na cidade. “Não se fecha escola. Melhora-se. O prédio é alugado: constrói-se uma. O piso não tá bom: melhora o piso. Conclamo a Zé Raimundo. Zé Raimundo, eu conversei com você, olhei nos seus olhos, em lágrimas eu lhe pedi pelo Nilton Gonçalves, para não fechar. Meu colega conversou com Waldenor. O nosso governo é do PT e você representa o PT em nosso Estado, no município. Faça alguma coisa”, apelou a docente.

A professora se emociona ao falar do ambiente de fraternidade no Colégio Nilton Gonçalves, do clima harmônico entre os alunos e da ausência de violência intramuros. “Nós temos uma escola que é uma comunidade de alunos felizes, que tem sentimento de pertencimento àquele lugar. Temos uma equipe de professores competentes, a maioria de pós-graduados, temos três colegas com mestrado, temos pais que são parceiros, não temos índices de violência dentro da nossa escola, os alunos são harmoniosos. Fizemos uma Feira de Ciências linda recentemente, uma série de outras atividades, muitas bancadas pelo próprio aluno e com apoio dos professores”, relata.

Sobre a transferência dos alunos para as escolas Anísio Teixeira e José de Sá Nunes, embora reconheça serem unidades bem administradas, Janeclêide afirma sua certeza de que o resultado será a evasão escolar: “Os alunos do noturno não vão pra lá. É longe demais. Para ir ao Nilton Gonçalves já é difícil. Ir para o Sá Nunes e para o Anísio Teixeira é perigoso. O governo coloca os nossos alunos em dois riscos: primeiro a violência a que estão submetidos, porque tem alunos de outros bairros também periféricos onde eles têm rivalidade, e a gente não pode negar, sobretudo o Bruno e o Aparecida. Eles não vão estudar nesses lugares. Eles não têm carro nem moto nem dinheiro para pagar transporte. Esta é uma realidade. Eles vão ficar sem estudar e isso será provado mais à frente”.

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