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Vitória da Conquista | 15 de Dezembro de 2018
Por Fabio Sena | 20/11/2017 - 00h10
Acreditamos na sensibilidade social de alguém com seu passado, filho de uma mulher que se dedicou tanto a demandas sociais

Olá, governador Rui Costa. Integramos o Coletivo #Salve o Nilton, que reúne lideranças comunitárias dos bairros Nenzinha Santos, Ibirapuera, Bruno Bacelar e Nossa Senhora Aparecida, pais, mães, alunos, professores e profissionais da educação do Colégio Estadual Nilton Gonçalves. Estamos ocupando este espaço para solicitar que reconsidere a decisão de fechamento de nossa escola. Acreditamos que tal medida foi tomada a partir de um parecer técnico desprovido do mínimo conhecimento da importância desse colégio para uma comunidade composta de mais de 15 mil habitantes. Sabemos do peso imposto à chefia do executivo estadual e do quanto este cargo o ocupa com as mais diversas urgências, impossibilitando-o de conhecer pessoalmente nossa unidade educacional e a realidade de sua comunidade. No dia 13, segunda-feira, a escola recebeu a visita de um de seus assessores.

Ele conversou com professores, funcionários e visitou a comunidade do Bruno Bacelar. Ele pode relatar-lhe o que viu, o que sentiu e se esta escola deve ser realmente fechada. Como já mencionamos em uma “Carta aberta à comunidade”, o Colégio Estadual Nilton Gonçalves é a única escola estadual que atende a uma comunidade de mais de 15 mil pessoas. É a única presença material e física do governo estadual que ainda existe em bairros importantes e populosos da zona oeste de nossa cidade: Bairro Ibirapuera, Nossa Senhora Aparecida, Nenzinha Santos, Alvorada e Bruno Bacelar – já que o Hospital Afrânio Peixoto também foi fechado.

Acreditamos na sensibilidade social de alguém com seu passado, filho de uma mulher que se dedicou tanto a demandas sociais, a sra. Maria Luzia Costa dos Santos, sempre no empenho pelas causas alheias. Acreditamos na sensibilidade para não fechar uma escola que, mesmo com uma estrutura não adequada, é abraçada tão afetivamente pelos seus quase 800 alunos.

Se o Colégio Nilton Gonçalves é a única unidade de ensino estadual alugada em nossa cidade, é louvável a iniciativa em acabar com tal prática – alugar imóveis para um serviço tão essencial como a educação. Mas sabemos que uma das ferramentas importantes da administração é o planejamento. Fechar uma escola de última hora, deixando o vazio para a nossa comunidade não é planejar. Por que não houve o planejamento para a realização de tal atitude? Por que não se pensou antecipadamente e, ao fechar esta unidade de ensino, não ofereceu um prédio próprio para a comunidade? É digno que o Estado se preocupe com a redução de gastos e despesas, mas por que cortar na carne de quem mais precisa?

O que pesa no fechamento de uma escola como o Nilton Gonçalves não são apenas questões como a transferência de alunos para outras escolas mais afastadas ou a mudança de professores para outras unidades. Pesa o impacto social que trará para comunidades carentes como as citadas acima. Pesa a incerteza de funcionários de secretaria, merenda, limpeza e administrativos quanto a continuidade de seus empregos. Pesa o rompimento de identidade e pertencimento de alunos que há anos estudam nesta escola. Pesa a intranquilidade de pais e mães quanto ao deslocamento de seus filhos para áreas mais distantes, sabendo da insegurança que toma conta dos bairros periféricos e da vida urbana de uma cidade. Pesa o fato de que, quando se fecha uma escola, única opção de Ensino Médio e de Educação de Jovens e Adultos (EJA), numa área tão populosa, abre-se um vazio social. Pesa a atitude na contramão dos discursos oficiais que reconhecem amplamente a importância da educação para um país, para um povo e para o desenvolvimento. Pesa a contradição entre discurso e prática. Pesa a insensibilidade de quem fecha uma escola a partir de relatórios frios e alheios a realidade de uma comunidade. Pesa o descuidado e a desatenção.

Mas nós, do Coletivo #Salve o Nilton, temos convicção de que mais fortemente pesará em vossa consciência a máxima de Paulo Freire: “Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”
Vitória da Conquista, novembro de 2017.

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