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Vitória da Conquista | 14 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 12/12/2017 - 18h35
Somos um país de oportunistas, que se recusa a enxergar prazos mais longos

por André Ferraro

Não há política compensatória suficiente, nem resistência cultural possível, se em conjunto não tenhamos crescimento e desenvolvimento econômico para dar sustentabilidade e produtividade a um projeto de Brasil. O isolamento e a exacerbação das diferenças tem importância ao dar urgência aos temas relativos à justiça social e igualdade, mas em países continentais e populosos, as divisões de qualquer espécie, que obviamente servem também a interesses partidários, acabam por perpetuar exatamente o que é combatido. Ao negar nossas necessidades organizacionais, estruturais, e de investimentos, por conta da posição política, como se não fizessem parte de um contexto, apenas aumentamos o abismo social, dificultando políticas de desenvolvimento eficazes e efetivas, que possam elevar nosso nível de riqueza e eficiência, e assim nos inserir no mundo econômico real, com mais trocas, mais comércio internacional, mais turismo, mais cultura, e mais indústria e serviços, obviamente.

Enquanto não fugirmos da armadilha do debate estereotipado, que salienta conflitos, dificilmente vamos conseguir construir uma proposta decente, e assim vamos vivendo ciclos de anos desperdiçados e décadas perdidas, vendo o tecido social se esfacelar pela violência, pelo desemprego, pela injustiça. Somos um país de oportunistas, que se recusa a enxergar prazos mais longos, vivendo de curtos ciclos de euforia com longos períodos de instabilidade, fruto da confusão de olhares que acabam por nos desviar do essencial, do foco, da possibilidade de desenvolvimento diferenciado e singular, autêntico, e assim, da projeção e afirmação da nossa cultura no mundo capitalista ocidental, o mundo de verdade.

Ninguém tolera mais a matriz política adolescente, sem decência, que não discute a realidade do Brasil dentro do contexto mundial, e acabamos como experimentos ideológicos irresponsáveis e utópicos, sem sustentabilidade, sem matemática, ou aderência na realidade, perpetuando nossa posição de eterno potencial, sem nunca atingirmos uma maturidade de desenvolvimento que nos traga certa segurança, e projete uma solução inclusiva e continuada para nossa desigualdade. O pior de tudo que nada leva a crer que em 2018 possamos ter um debate verdadeiro, conectado e contemporâneo sobre nosso destino. Que venha logo os tsunamis, Profeta, que a coisa tá difícil, insuportável.



André Ferraro é publicitário

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