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Vitória da Conquista | 14 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 14/12/2017 - 11h09
Alegria dividida com toda a plateia ao vivenciar este encontro. Foto: Érica Daniela

Por Ricardo Fraga*

Nesta segunda feira, 11, a CazAzul Teatro Escola abriu a sua II Mostra Culte (Cursos Livres de Teatro) com o espetáculo “Circo da Alegria”. Uma adaptação de Adriana Amorim e Thiana Barbosa (também na direção) da obra de Vânia Laranjeira com a turma infantil da escola. Quarto estudantes, atores mirins, dançarinos, brincantes, que estavam super a vontade no palco para nos contar a história da Bruna, a Bruxa, que por conta de traumas vivenciados em sua vida queria acabar com a alegria de um circo. Uma pequena trupe composta de um palhaço, uma malabarista e uma bailarina que, ao compreender os reais motivos que fizeram com que a bruxinha trilhasse o caminho do sofrimento, lhes oferecem uma vaga para compor a trupe e, desta maneira, ter a oportunidade de refazer os seus caminhos, agora, com mais alegria.


Alegria dividida com toda a plateia ao vivenciar este encontro. Um espetáculo feito por crianças e para as crianças de todas as idades que estavam na plateia. A dramaturgia e a concepção da encenação nos levavam a grandes surpresas que pareciam que cada personagem foi concebido para cada intérprete. O olhar sensível para valorizar o que cada estudante/ator apresentava como potencialidades e toda uma construção de partituras corporais que utilizava muito bem o palco, como também, facilitavam e davam segurança para as crianças “brincarem” em cena, também iam nos conquistando. Como não abrir um largo sorriso ao ver saindo de uma caixa um elétrico palhacinho que tinha na interação com o seu nariz vermelho um número circense genuíno? Como não voar com a bruxa, com sua vassoura, em um rasante ao redor da plateia levada por um baú com rodinhas? Como não nos remetermos às caixinhas de música com a intensidade e a presença da bailarina? E como não ficar atento à elegância dos equilíbrios das bolinhas pela pequena/grande malabarista?

Os estudantes/atores, além de brincarem em cena e nos conquistarem, puderam vivenciar os elementos estruturantes da concepção de um espetáculo, o figurino, a maquiagem, a interação com a cenografia e adereços, que por sinal foram revelando o circo e suas grandes possibilidades. A felicidade e a alegria de estar no palco foram tão verdadeiras e intensas que, mesmo depois dos merecidos aplausos finais, a trupe de brincantes continuou no palco, sendo necessário que a diretora (como um ultimo número circense) abrisse a cortina da coxia para chamá-los. Que voltem logo aos palcos estes pequenos.

“Uma Adolescente Robô”. Cenas dirigidas por Emanuelle Menezes da obra de Bruno Motta e Daniel Alves.

Ainda com um sorriso que não queria se desmanchar a Mostra Culte continuou, agora com um espetáculo convidado, “Uma Adolescente Robô”. Cenas dirigidas por Emanuelle Menezes da obra de Bruno Motta e Daniel Alves. O espetáculo conta o nascimento de uma adolescente robô cheia de energia. Energia que transbordava em sua “pele” radiante, e os seus primeiros minutos, horas, dias de vida na companhia do seu criador. Um cientista maluco cheio de ideias mirabolantes e um outro cientista vizinho, não tão genial assim, que tenta roubar as ideias e invenções do primeiro cientista, um cientista ladrão, para o desgosto de sua filha. Um espetáculo com muitas cores e elementos cênicos que iam se revelando e cativando o público e um público que interagia e ajudada no desenrolar da trama. A resposta da plateia somando-se a entrega e energia dos atores em cena proporcionou um leve e divertido fechamento do primeiro dia da Mostra. Que venham os próximos!

* Ricardo Fraga é professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ator sindicalizado, membro da Companhia de Teatro Operakata e atualmente cursa licenciatura em dança também pela UFBA.

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