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Vitória da Conquista | 08 de Agosto de 2020
Por Fabio Sena | 17/12/2017 - 00h45
Elomar, o menestrel, em foto de Kika Antunes

No próximo dia 21 de dezembro o cantor e compositor Elomar Figueira Mello completa 80 anos de vida. A data será celebrada um dia antes, na próxima quarta-feira (20), com um concerto no Mediterrâneo, tendo como convidados dois outros menestréis, Eugênio Avelino, o Xangai, e Renato Teixeira. O Concerto ”Elomar, o Menestrel” vai celebrar as oito décadas de vida de um dos mais consagrados compositores brasileiros, o intérprete do “sertão profundo”, com seus personagens, tipos, dialetos, modos e costumes. Nada mais emblemático que comemorar ao lado de amigos de velhas cantorias e também de novas, como solistas do meio operístico, cantores populares, violeiros, atores e compositores. No concerto, Elomar vai retirar do baú as memórias de suas primeiras apresentações, nas décadas de 70 e 80, quando se apresentou em vários palcos do Brasil, com o violão na mão e o canto na garganta. E foi assim que ele fez seu primeiro concerto em Conquista, em 1967, na Rinha de Galo, já que a cidade não tinha espaço para apresentação da sua música. Uma cantoria produzida por amigos com a participação de Ismar Silveira e Demerval Oliveira. Depois vieram outros e outros e, a partir de Elomar, a Rinha se transformou num espaço cultural da cidade.

Foto: Kika Antunes

Muitos ainda se lembram destas apresentações. O empresário Ricardo Teles estava em um deles. Tinha apenas 14 anos de idade e conta com detalhes. “Eu era bem novinho, acostumado dentro de casa com a música que os mais velhos escutavam e geralmente MPB, a melhor possível que a gente poderia ter naquela época. Aí eu fui levado à Rinha de Galo por alguns irmãos que já frequentavam e faziam parte e aí eu tive a oportunidade de sentir justamente a vibração”. Ricardo conta que assistir o concerto na Rinha era como estar dentro da sala de uma residência, dentro de casa, porque a Rinha de Galo tinha esse sentido aconchegante, próximo, escutava-se ali os comentários daquilo que estava sendo feito. E foi justamente naquele auge de Elomar com “Campo Branco, “Zefinha”, quando Elomar começou a se apresentar na Rinha de Galo, junto com Xangai e com alguns outros convidados, que Ricardo foi à apresentação.

“Então, o mais interessante era você escutar algumas figuras pitorescas da cidade, pedindo Elomar determinada música ou então fazendo comentários, porque como a Rinha era uma coisa intimista, se tinha essa facilidade, mas era uma vibração, de uma energia impressionante. Era diferente. Já imaginou, um espetáculo numa rinha de galo?! Tanto que Elomar deve se lembrar que o lugar onde ele pisava e sentava com banquinho devia ter um bocado de pó de serra, que era onde, no dia a dia normal, existiam as brigas de galo que eram famosas em Conquista, inclusive, que enchiam também aquele lugar.

Agora, 50 anos após a sua primeira apresentação na sua cidade, Elomar sobe ao palco de Conquista no seu aniversário de 80 anos para outra Cantoria, relembrando como tudo começou, desta vez se apresentando com os amigos Renato Teixeira e Xangai. Renato, atualmente se dedica à turnê do projeto Tocando em Frente, com seus amigos Almir Sater e Sérgio Reis no mesmo palco. Realizar projetos em “parceria” é uma marca deste artista, que agora se vê com outros amigos no mesmo palco em Vitória da Conquista.


Renato Teixeira já dividiu o palco algumas vezes com Elomar. Em 2002, realizaram o espetáculo “Cantoria Brasileira”, no Canecão, por ocasião do aniversário de 25 anos da Kuarup. Gravado ao vivo, gerou o disco que reúne também os artistas Pena Branca, Teca Calazans e Xangai. “Não é a primeira vez, mas sei que é um momento importante pra qualquer artista que entende o mínimo de música brasileira e que reconhece nele um mestre. Nós não somos artistas que abrem muito o apetite das media, nós somos artistas que mexem com a invenção, principalmente Elomar, que é um inventor. Eu acho que nós todos no palco agora vai ser um momento pra se avaliar e conferir, né, o poder da verdadeira música da cultura brasileira, da velha e boa cultura brasileira, nada a ver com a cultura pop, essas coisas, então vai ser um momento lindo. Quem gosta de belas canções, quem gosta de se emocionar, quem gosta de sentir uma lágrima nos olhos, aí vai curtir, com certeza”, declara Renato.


Com aquele humor já conhecido e espirituoso, Elomar costuma dizer que Xangai nunca consegue acompanhá-lo, ao comentar a diferença de idade entre ambos: Xangai fez 70. Além de intérprete, Xangai tem parentesco com Elomar. Mais forte, no entanto, é o compromisso de executar a obra de seu conterrâneo, que ultrapassa os muros da amizade e os laços de família. “Eu, desde que no primeiro dia, quando eu tinha 10 anos de idade, nunca mais eu esqueci da força, da aura, do grau espiritual e poético deste grande irmão. Não sou o melhor intérprete de Elomar, apenas compreendo a linguagem que ele escreve, provavelmente por sermos do mesmo lugar, da nossa querida Vitória da Conquista, e ele me deu a têmpera e eu, o que eu tenho que fazer é buscar honrar e interpretar através do dom que Deus me deu, de cantar e interpretar buscando ser fiel ao que ele propõe, ao que ele nos dá”.

Com informações da Assessoria de Imprensa/Rossane Comunicações

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