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Vitória da Conquista | 14 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 31/12/2017 - 23h50
Villa-Lobos que nos socorra, nos salve das trevas e nos resgate

Prof. Dirlêi A Bonfim

Atualmente podemos destacar que a grande maioria das músicas que circulam no Brasil, influenciadas diretamente pelo processo de massificação dos veículos de comunicação de massa, tratam de apenas dois temas: farra, amorzinho, culto ao corpo e futilidades… O que é uma pena, lamentável pois a riqueza musical desse nosso país é incomensurável, uma lástima, que a nossa música tem servido a todo tipo de apelação, alienação, como está sendo desperdiçada, degradada, vilipendiada e desconstruída pelos veículos de comunicação com uma verdadeira imposição do chamado lixo cultural, que invade e inunda toda a sociedade como uma enchente de detritos nesse caldeirão de bobagens e futilidades recorrente nas redes midiáticas.

Segundo o Professor Noam Chomsky(2013), (…) “ Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”. A música brasileira, sem dúvida uma das mais ricas do planeta; a que ponto chegamos de uma degradação quase que absoluta. Os veículos de comunicação elegeram que, o que de melhor aconteceu no Brasil no ano de 2017 na MPB, foi Anitta, o furacão, a rainha do funk e da paradinha.

Villa-Lobos que nos socorra, nos salve das trevas e nos resgate, pois já estamos no subsolo do fundo do poço. Segundo Tinhorão 2013, (…) “A partir de algumas considerações históricas culturais sobre a Música Brasileira, qualquer discussão em torno do modernismo ou da revolução, deve ser iniciada pela crítica da própria ideia de modernidade e de revolução vivida pelos atores que “presenciaram os acontecimentos” e, posteriormente, transmitida aos seus herdeiros. Ou ainda, sobre as distorções e imposições a que fazem os veículos de comunicação sobre a música e as artes em geral, no processo da indústria cultural de alienação”.

Afirma ainda Tinhorão 2013, que “a música brasileira está decadente – difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma das frases horrendas, tais como : “vai popozuda”, “ a paradinha”, “vai malandra” e por vai… Redefinir o que seja gênero musical, conceitual e literário, parece-me que atualmente pouco se preocupam com um bom nível de canções, poesia e harmonia… as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas, já futilizadas, alienadas e acomodadas com a imposição dos hits cotidianos da indústria do lixo cultural. O funk, o sertanejo, o bregaeletrônico e todos os gêneros correlatos das “músicas” pouco ou nada elaboradas consumidas pelas massas são fabricadas no turbilhão do consumo e no caldeirão da indústria comercial da alienação, dominada pela banalização e mediocrização das letras, ritmos e melodias”.

Ainda essa semana ao assistir ao telejornal quando do anúncio dizia que a Senhora Anitta foi eleita pela imprensa nacional “A Mulher do Ano”. Me causou no mínimo estranheza e mais uma vez completa desilusão. Vou dizer que fiquei um tanto triste, estupefato, profundamente cético com o que consideram “mulher do ano” e ao mesmo tempo, com as diversas análises e sobre os desdobramentos do que estão a fazer com a história da nossa Pobre Rica Música Popular Brasileira…

Bom mas, no caso de ser a mulher do ano… fiquei me questionando sobre que critérios são utilizados para que esses chamados “órgãos de imprensa” se utilizam para a escolha e oferecerem esses prêmios… Ao mesmo tempo por lembrar imediatamente daquela professora Heley de Abreu Silva Batista, que morreu tentando salvar crianças naquela creche, na cidade de Janaúba/MG. E questionei que valores são esses… Alguém ainda se lembra do feito daquela Professora…??? Onde vamos parar com tanta inversão de valores…??? Como dizia o velho e bom poeta compositor Belchior, na letra de “Pequeno perfil de um cidadão comum” (…) “E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto, que a terra lhe seja leve”.

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