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Vitória da Conquista | 08 de Agosto de 2020
Por Fabio Sena | 24/01/2018 - 12h40
Gebran Neto começou a votar por volta das 10h30. No início de sua fala, o desembargador negou a suspeição do juiz federal Sérgio Moro.

O desembargador João Pedro Gebran Neto derrubou todos as teses da defesa do ex-presidente Lula durante julgamento do petista nesta quarta-feira, 24. As observações contundentes do relator da Lava Jato na Corte federal indicam sua determinação em manter a condenação do ex-presidente no caso triplex. Gebran ainda não concluiu seu voto. Depois dele, vão votar outros dois desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus. “A atuação de Luiz Inácio Lula da Silva decorreu do amplo apoio que deu para o funcionamento deste sistema ilícito na captação de recursos com a interferência direta na nomeação de dirigentes da estatal, os quais deveriam obter recursos em favor dos partidos aliados e mais especificamente do partido dos trabalhadores. Há cristalina comprovação da capacidade de influência do ex-presidente no processo de nomeação dos agentes políticos na Petrobrás e sua ciência no esquema criminoso. Apesar de sua negativa com relação a isso, há clara delineação dos bastidores de indicação e os movimentos de agremiações partidárias na tarefa de manter pessoas de confiança que pudesse levar a diante o projeto de financiamento político. O tema foi muito bem abordado na sentença”, afirmou. “Há prova acima do razoável de que o ex-presidente foi um dos articuladores, se não o principal do amplo esquema de corrupção. As provas aqui colhidas levam à conclusão de que, no mínimo, tinha ciência e dava suporte àquilo que ocorria no seio da Petrobrás, destacadamente destinação de boa parte da propina para o Partido dos Trabalhadores para o financiamento de campanhas políticas. Episódios como a nomeação de Paulo Roberto Costa e a outro episódio que talvez eu mencione, Nestor Cerveró e Jorge Zelada, entre outros, não deixam margem às dúvidas da intensa ação dolosa no esquema de propinas.” A sentença de 9 anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, imposta pelo juiz federal Sérgio Moro ao petista, está sendo julgada pelo magistrado e também pelos desembargadores Leandro Paulsen e Victor Laus, do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Esta é a 24.ª apelação julgada pela Corte federal contra sentenças oriundas da Operação Lava Jato. A condenação de Lula chegou ao Tribunal em 23 de agosto do ano passado. Gebran Neto começou a votar por volta das 10h30. No início de sua fala, o desembargador negou a suspeição do juiz federal Sérgio Moro. “A defesa pede a suspeição (do juiz Sérgio Moro), tendo em vista histórico de suas decisões ao longo dos processos. Isso não torna o magistrado suspeito, que agiu de acordo com sua compreensão dos fatos. Isso não o torna suspeito”, afirmou.

Estadão

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