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Vitória da Conquista | 16 de Novembro de 2018
Por Fabio Sena | 29/01/2018 - 15h59
Na minha opinião, já existiam cartas marcadas entre a sentença do juiz Sérgio Moro e a decisão que foi tomada lá em Porto Alegre

Por Osvaldo Lyra | Tribuna da Bahia

Apesar de não se considerar uma “petista de carteirinha”, o senador Otto Alencar (PSD) adotou um discurso semelhante ao dos aliados. Para ele, o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um “jogo de cartas marcadas” entre o juiz federal Sérgio Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Em entrevista exclusiva à Tribuna, o parlamentar afirmou que “não tem fadiga material” do PT, apostou que Lula conseguirá registrar a candidatura, e caso o ex-presidente não consiga, o ex-governador da Bahia e atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner, deve ser o “plano B” do partido. Otto ainda criticou o governo do presidente Michel Temer (MDB) e disse que o grande aliado do emedebista foi o chefe da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), correligionário do prefeito de Salvador, ACM Neto. Para o senador, o democrata é o “grande engavetador-geral da República”, pois, ajudou a arquivar as denúncias e os pedidos de impeachment contra o chefe do Palácio do Planalto.

Tribuna – Como o senhor observou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de Porto Alegre?

Otto Alencar – Na minha opinião, já existiam cartas marcadas entre a sentença do juiz Sérgio Moro e a decisão que foi tomada lá em Porto Alegre. Acredito que é uma reafirmação de uma condenação sem prova material. Só há suposição, delação, mas não existe prova material. Ele pode ter tido o interesse de comprar, ter cometido esse erro, mas não está no nome dele. Foi um julgamento feito rapidamente, na frente de outros processos e, agora, os advogados dele vão recorrer. Vi declarações de ministros do Supremo, inclusive, Marco Aurélio, que, neste caso, talvez, tenha que remeter para o STJ.

Tribuna – O senhor acredita que o resultado do julgamento dificulta o argumento da defesa?

Otto Alencar – Não. Acho que existe a possibilidade de defesa, mas o que me chamou atenção é de que alguns ministros acham que, neste caso, vai ter que se encerrar no Superior Tribunal de Justiça. Quem está protegido mesmo pela lei? É quem tem foro privilegiado. Então, a situação do ex-presidente ocorreu com celeridade por vontade dos juízes e, também, porque ele está sem foro privilegiado. Existe, de alguma forma, uma vontade manifestada desses julgadores de inviabilizarem a candidatura em 2018. Isso eu não tenho a menor dúvida.

Tribuna – Acredita que o ex-presidente será candidato mesmo com o vigor da Lei da Ficha Limpa?

Otto Alencar – Com as posições que tenho visto de ministros do Supremo, possa ser que ele tenha o direito de recorrer ao STJ para ser julgado lá. Até porque, o Supremo, antes disso, permitiu que os processos se encerrassem no STJ. Um ex-presidente da República – não só o Lula –, na minha opinião, deveria ter uma condição de ter um julgamento em uma Corte Superior. Só os ex-presidentes.

Tribuna – Quem vai ser o plano B?

Otto Alencar – Acho que Lula vai registrar a candidatura. Ele vai ter condições de registrar a candidatura. Agora, se ele não conseguir, dentro do Partido dos Trabalhadores, o nome de maior destaque é do ex-governador Jaques Wagner.

Tribuna – Se o Lula ficar fora do páreo, o PT deve ter uma baixa em todo o país?

Otto Alencar – Não sei se ocorrerá isso não. É preciso ver. Previsão agora, nesta situação, dificilmente alguém vai acertar. É esperar. Essa vai ser a eleição passo a passo. Vamos ter que esperar os fatos irem acontecendo. Não dá para fazer uma previsão, em um momento de tanta turbulência, de confronto entre grupos. O Brasil vive um momento de muita instabilidade e de dificuldade entre as diversas forças políticas.

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