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Vitória da Conquista | 15 de Dezembro de 2018
Por Fabio Sena | 01/03/2018 - 09h57
Nanah Farias, uma feminista na luta contra a homofobia.

A servidora pública, ativista cultural e militante feminista brasiliense Nanah Farias surpreendeu ao postar esta semana em seu perfil no facebook um ensaio fotográfico cujo conteúdo – fortemente sensual – teve impulso determinantemente político. Autodidata, Nanah quis – e conseguiu – mobilizar opiniões ao emitir uma mensagem ideologicamente engajada em defesa do amor homossexual e contra a homofobia a partir de uma performance artística. O ensaio obteve grande número de curtidas e compartilhamentos, além de muitos comentários nas redes sociais.

Em entrevista ao Diário Conquistense Nanah revelou a natureza mais político-ideológica que artística do ensaio, argumentando tratar-se de uma postura afirmativa. Originária de família ao extremo conservadora, Nanah narra as barreiras enfrentadas para que sua filha, Bia Estiano, tivesse respeitada sua orientação sexual. “Pois é, a minha família vem de um conservadorismo bem louco, mas eles aprenderam a respeitar as decisões da Bia, e isso é muito bom porque é difícil mudar a cabeça das pessoas,e a coragem delas também com o nosso apoio aqui em casa. Adoraria que outras mães pudessem ver as fotos”.

Leia abaixo parte do bate-papo com Nanah Farias e conheça um pouco de sua história de superação pessoal depois de um casamento do qual restam apenas lembranças de violência.

Diário Conquistense: Nanah, o que a motivou a realizar este ensaio fotográfico com sua filha e a namorada e a partilhá-lo nas redes sociais?

Nanah Farias: Na verdade eu gosto de fotografar mulheres e, desde que comecei a fotografar, têm sido este meu foco; tudo isso por conta da minha luta feminista e da importância que isso pode ter aqui na comunidade. A Bia, como algumas pessoas que rodeiam nossa vida, é lésbica, e imaginei que tirar essas fotos e mostrar isso, de forma delicada e artística, pudesse ser importante. Resolvi fotografar a Bia e sua namorada Any.

DC: Há um conteúdo político-ideológico por trás das fotos. Trata-se de uma forma de militância também, para uma feminista convicta, como é seu caso?

Nanah Farias: A luta contra a homofobia também é minha que, aliás, sou mãe de filha lésbica; mas isso envolve ainda mais coisas. Como feminista, ativista cultural e mãe não podia deixar de registrar a relação linda das duas. Estamos sempre juntas. Foi muito bom e divertido fazer essas fotos. Apesar de tímidas, elas toparam fazer as fotos e, para minha surpresa, elas aproveitaram muito e ficaram super à vontade comigo e eu amei esse dia. Usei algumas técnicas que aprendi, uma iluminação específica e enfim… Não sou fotógrafa profissional, mas amo fotografia. Cada foto a gente dava muitas gargalhadas. Foi muito divertido.

DC: Nanah, você achaque iniciativas como esta podem ajudar outras mães e familiares a superarem o preconceito familiar, por exemplo. Ou seja, garantir mais liberdade sexual no ambiente familiar?

Nanah Farias: Pois é! A minha família vem de um conservadorismo bem louco, mas eles aprenderam a respeitar as decisões da Bia. E isso é muito bom porque é difícil mudar a cabeça das pessoas. E a coragem delas também com o nosso apoio aqui em casa. Adoraria que outras mães pudessem ver as fotos. Tem mães aqui que eu conheço e que não aceitam a orientação sexual das filhas. Aceitar, entender e defender essas filhas melhoram a relação entre mãe e filha. Hoje posso dizer que a Bia é minha melhor amiga. Seria o máximo que as mães pudessem viver sem o conservadorismo ou de achar que não é normal a relação de uma filha com outra garota.

DC: Você está preparada para as críticas frente a uma iniciativa como esta?

Nanah Farias: Não é fácil responder críticas homofóbicas e eu me preparei para isso ao postar as fotos, mas, por incrível que pareça, só recebemos elogios até agora. Não posso ficar com medo de defender a felicidade de alguém, seja de minha filha ou de qualquer pessoa. Não vou dizer que vai ser fácil, mas, nada é fácil mesmo nessa vida.. Uma mulher que apanhou cinco anos de um marido violento e se livrou disso sem nenhum trauma pode enfrentar alguns preconceituosos.

DC: Na sua visão, quais outras formas de as famílias enfrentarem a questão sexual de modo a não reproduzir machismos e preconceitos? Qual o papel do homem nesse universo?

Nanah Farias: Vejo que já houve algumas mudanças. Eu acho que é preciso mãe e pai virem os filhos como se não fossem filhos. A gente sempre tem mais dificuldade de falar com nossos filhos, mas estamos sempre encontrando solução de como cuidar dos filhos dos outros. Acho que devemos prestar atenção neles como pessoas que a gente ama de qualquer maneira. Acho também que meninas filhas tem que ter o mesmo tratamento que o menino tem em casa e vice e versa. Se o filho traz a namorada para dormir no quarto dele porque as meninas não podem trazer seus namorados e namoradas?

DC: Você se considera uma feminista radical?

Nanah Farias: Não. Não tenho vertente no feminismo, quero que todos se respeitem. Quando eu descobri que podia fazer o que quisesse da minha vida, eu já tinha sofrido tudo que uma mulher podia sofrer. Demorei para descobrir o feminismo e quando descobri eu já ia fazer uns 40 anos. Mas a luta é de todos os dias e começando em casa.

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