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Vitória da Conquista | 19 de Junho de 2019
Por Diário Conquistense | 21/05/2019 - 10h17

Por Giorlando Lima

Não é de hoje que o PSDB de Vitória da Conquista é cenário de conflitos, silenciosos ou com repercussão externa. O partido, em que pese ter eleito um vice-prefeito em 1996 (Clóvis Assis, na chapa de Guilherme Menezes), nunca conseguiu ter no município a mesma representação que teve no cenário nacional. Condição, aliás, do PSDB baiano, que não consegue demonstrar força política e eleitoral nos últimos anos. Em 2018 foi apenas o 12º partido em votação, elegendo um deputado federal, Adolfo Viana, com 102.603 votos. O ex-deputado Jutahy Magalhães Júnior, depois de oito mandatos na Câmara, tentou o Senado e ficou e quarto lugar.

Para estadual, os tucanos ficaram em sexto na Bahia, elegendo três deputados estaduais, Marcell Moraes, Paulo Câmara e David Rios. O suplente Tiago Correa assumiu a vaga deixada por Leo Prates (DEM) licenciado para assumir a Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, de Salvador.

Como era de se esperar, pela lógica do partido enaltece o poder dos votos, os antigos dirigentes da agremiação no estado se afastaram e os eleitos assumiram a direção. O federal é o presidente e os estaduais assumiram os demais cargos da executiva. Também se determinou como se dará a atuação eleitoral de cada liderança nas diversas regiões da Bahia e foi definido que haverá candidaturas a prefeito, baseada nessa divisão, nos principais municípios. Para Vitória da Conquista, está sacramentado nas hostes tucanas que o pré-candidato é o deputado estadual Marcell Moraes, que teve 9.277 dos 14.743 votos que teve no município (quase 20% a mais do que os 12.423 obtidos pelo candidato a prefeito em 2016, Arlindo Rebouças).

Na semana passada, em entrevista ao Blog do Anderson, o deputado Paulo Câmara, que teve 427 votos em Vitória da Conquista, fez uma defesa enfática da pré-candidatura de Marcell. Mais do que isso, ele contestou a própria eleição do diretório municipal, que elegeu o professor Claudionor Dutra (Ticolô) para presidente. “Uma eleição sem nenhum propósito, uma eleição que não tem legitimidade. Eu entendo que na política quem tem legitimidade é quem tem voto. Quem tem legitimidade em Vitória da Conquista é o deputado Marcell Moraes, ele que é o nosso representante legítimo e ele será o nosso candidato”, garantiu Paulo Câmara.

De forma dura, até grosseira, na entrevista (cujo áudio foi enviado por Marcell a grupos de WathsApp) Câmara disse que existem pessoas sem nenhuma expressão política, “pelo contrário, às vezes tem muitos problemas, até pessoais” se dizendo PSDB, mas que “não representam nada, absolutamente nada!”. O deputado anunciou que a executiva estadual do PSDB, com Adolfo Viana à frente, virá à cidade e será dito “pra todo mundo e em bom som: o nosso representante, quem irá liderar o PSDB em Vitória da Conquista, é o deputado Marcell Moraes. Aquele que está achando que, porventura, pode, pode tirar o cavalo da chuva”.

Paulo Câmara não deu apenas respostas indiretas, que atingem diretamente o presidente do PSDB conquistense e outros partidários que defendem que o PSDB apoie a reeleição do prefeito Herzem Gusmão, oferecendo, se for possível, o vice para a nova chapa que disputará em outubro de 2020. Ele foi incisivo também quando comentou sobre a pretensão do ex-candidato a vereador Adriano Mendes Oliveira Filho (846 votos em 2016) de assumir a direção do diretório tucano, com apoio do suplente de deputado (no exercício do mandato) Tiago Correia. “Uma pessoa que pode ser amiga dele, mas em expressão política. Nós não podemos entregar a terceira maior cidade do país (sic), fazer brincadeira partidária. Não existe isso”.

De acordo com o Paulo Câmara a representatividade de Marcell Moraes está nos fatos de que ele “vem aqui de 15 em 15 dias e teve quase 10 mil votos”. Ressaltou que nem ele, que tem família em Vitória da Conquista e é casado com uma conquistense tem legitimidade que Marcell Moraes tem. Por isso, segundo o deputado, o colega de parlamento e direção partidária estadual vai ser quem decidirá as destinos do PSDB conquistense. Por fim, Paulo Câmara afirmou que Marcell vai fazer uma reorganização da agremiação tucana no município, “vai liderar um novo partido. Não adianta ter um PSDB engessado e antiquado. Temos que ter um partido pra frente, moderno, com nova identidade, nova metodologia, postura e decisão e isso o deputado Marcell Moraes tem muito”.

HISTÓRICO

Depois de ter perdido a voz dentro do PSDB, em 2015, ficando afastado das articulações na eleição de prefeito, Claudionor Dutra retornou à direção partidária no ano passado e foi reconduzido à presidência, em eleição questionada, em março deste ano. Mas, como aconteceu com os planos do próprio Ticolô em 2015, quando tentou emplacar o nome do médico Valverde Montalverne como pré-candidato a prefeito e foi atropelado pela direção estadual, que preferiu dar o timão tucano ao empresário Onildo Oliveira, seu projeto parece estar sendo novamente atropelado por um tsunami, agora chamado Marcell Moraes, que vem impelido pelos ventos do apoio da direção partidária e pela maior votação de um candidato a deputado (estadual ou federal) do PSDB na história de Vitória da Conquista.

Fonte: Blog Giorlando Lima

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