A mídia da cidadania
Vitória da Conquista | 26 de Setembro de 2018
Por Fabio Sena | 26/12/2017 - 01h43
Uma mostra de que os esqueletos da Ditadura ainda nos assombram, e seus defensores, com lógicas próprias, parecem ainda presentes no nosso cotidiano.

por André Ferraro

No canal CURTA! vejo um documentário da cineasta Flavia Castro que investiga as condições de vida e morte de seu pai, o jornalista gaúcho Celso Afonso Gay de Castro, que faleceu aos 41 anos, na cidade de Porto Alegre, em circunstâncias suspeitas. O militante político de esquerda foi exilado na ditadura militar brasileira. Durante esse período, ele percorreu diversos países, como Argentina, Venezuela, Chile e França, sempre carregando consigo sua família.  Flavia segue essa rota, intervalando a narrativa com impressões e lembranças próprias, e de pessoas que giravam em torno de sua família, revisitando os lugares e mostrando a realidade de imigrantes militantes e filhos de militantes imigrantes. Uma vida marcada pela história da luta armada, exílio e ausência.

Por Fabio Sena | 23/12/2017 - 20h00
Um Natal de amor e paz, e um Ano Novo repleto de fé e das graças de Deus.

por Elen Zite | Prefeita de Anagé

Natal é tempo de comemorar a vida, espalhar o amor e semear a esperança. Tivemos um ano de 2017 extremamente difícil, mas, com sabedoria divina, extraímos dessas dificuldades conhecimento, experiência e motivação para fazer mais e melhor. A vocês que nos acompanharam durante todo esse ano, que dedicaram todo seu tempo e amor ao nosso município, gostaríamos de compartilhar essa linda mensagem de Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Ao término desse ano, onde os sentimentos de fé e esperança renovam-se, rogamos a Deus que abençoe toda população Anageense, servidores públicos e amigos, que ilumine nosso caminho, afastando de todos nós o pensamento de desesperança e de descrédito em nosso semelhante.

Por Fabio Sena | 23/12/2017 - 01h53
Governador, não desconsidere a história e o lugar das pessoas!

Janicleide Moreno

Nossa! Que desastre esta declaração! Que forma mais desrespeitosa de um governador se manifestar diante de um uma situação que gerou tanta polêmica em uma cidade, que abalou tanto toda uma comunidade escolar. O que realmente acho interessante é que somente agora, diante da polêmica gerada, o governador querer conhecer uma escola que existe há quase duas décadas. Fotos? Foi através delas que a nossa escola ficou conhecida? Que triste! Um escola se faz muito mais do que de paredes. Se estas paredes não são adequadas, ora, vamos melhorar e não destruir de forma tão avassaladora a história de uma escola que se tornou unidade pacificadora de um bairro, que tem, mesmo com um espaço físico tão simples, desenvolvido projetos pedagógicos de tanta grandiosidade.

Por Fabio Sena | 21/12/2017 - 17h39
Anitta, ao assumir quem é de fato, uma favelada de biquini de fita isolante e uma bunda comum, ela mexe com os piores sentimentos e preconceitos da burra classe média brasileira

por Igor Penna, cineasta

O clip de Anitta é foda nas imagens, potente e perturbador. Closes poderosos que mexem em você por dentro. Seja a bunda de Anitta com celulite ou o pau sob a sunga na sua direção. Anitta joga com o fetiche, o preconceito social e de gênero de forma a se contradizerem, se reconhecerem, se negarem e se danarem. A música não tem a potência das imagens, a música não cresce, não há boas viradas, tem o refrão do “Vai Malandra” que é potente, mas a letra de fácil assimilação por ter quase nada de letra, é mais fraca do que o clip. Nisso mora o problema e como todo jogo do clip também, sua salvação e seu brilhantismo. “Vai Malandra” é praticamente tudo que se diz de importante na letra (eu não entendo inglês, então não levo em conta esta parte) do clip de Anitta. E exatamente por não ter letra seu clip não cai na literalidade onde as imagens apenas repetem o que é dito.

Por Fabio Sena | 18/12/2017 - 12h18
A Hora da Estrela, em foto de Rebeca Reis

Por Ricardo Fraga*

O corpo é como uma rede que tudo  atravessa e que por tudo é atravessado. É através dele que o ser humano vivencia os ritos e culturalmente evolui (PIMENTEL, 1999)

Na última terça feira (12) e quarta feira (13), a CazAzul Teatro Escola continuou com a sua II Mostra Culte (Cursos Livres de Teatro), desta vez levando à cena os resultados das turmas: Juvenil (direção de Vicente di Paulo), Adulto I (direção de Joadson Prado) e Adulto II (direção Alam Félix). Já acomodados na plateia, esperando o início das mostras, e após as solicitações de rotina para desligar os celulares e questões sobre fotos, foi iniciado uma descrição sobre as obras e autores que iriamos compartilhar com os estudantes/atores. Autores como Osman Lins, Sófocles, Plínio Marcos, Samuel Beckett, Shakespeare e Clarice Lispector, além de provocações para estarmos atentos sobre as possibilidades de contextualizar as obras com questões do nosso cotidiano, da atualidade. Já de início me fez pensar sobre a importância e a contribuição destes momentos (da Mostra Culte de forma geral) para formação de plateia, além da cooperação para a formação artística tanto dos estudantes quanto dos demais artistas da cidade. Afinal estávamos tendo a possibilidade de conhecer ou revisitar autores e obras tão importantes para a história do Teatro, da nossa história como sujeitos pertencentes a uma comunidade que se reinventa ao revisitar e questionar caminhos já trilhados. Obrigado CazAzul por estas possibilidades.

Foto Rebeca Reis. Peça: A Hora da Estrela

Por Fabio Sena | 18/12/2017 - 00h12
E eu tô aqui enlouquecendo, porque entre o atura ou surta, eu já nasci surtada!

por Thaty Miranda/Jornalista

Domingo, 6:45. Sou arrancada do meu merecido sono por violentas pancadas numa lata. Pois é! Ninguém merece. Deixe-me explicar: ao lado de minha casa estão construindo. Em frente, o vizinho também constrói.  Enquanto a primeira obra se arrasta há longos meses, a segunda caminha a passos largos. A que está mais adiantada é a que mais incomoda, pois tem uma equipe de operários muito alegres, principalmente às sextas, quando anunciam aos berros que é dia de beber! Confesso que nem sempre compreendo tanta felicidade. Sobretudo quando estou tentando ler ou me concentrar em algo que passa na TV.

Por Fabio Sena | 12/12/2017 - 14h47
As grandes conquistas da vida não são alcançadas em um dia. A vida se conquista com amor, coragem, trabalho e perseverança.

Sheila Andrade, presidente da CDL

O Natal é um grande momento de confraternização. Momento em que juntos temos a oportunidade de nos irmanarmos e festejarmos, não apenas o nascimento do Salvador, como também o renascimento das nossas esperanças e da nossa determinação em construir um mundo cada vez melhor para todos nós. Sabemos também que o Natal é momento áureo do varejo brasileiro. Aguardamos por ele sempre com grande expectativa e certeza de bons negócios e para que isso ocorra devemos seguir algumas dicas para preparar a nossa empresa e garantir um Natal mais gordo.

Por Fabio Sena | 12/12/2017 - 18h35
Somos um país de oportunistas, que se recusa a enxergar prazos mais longos

por André Ferraro

Não há política compensatória suficiente, nem resistência cultural possível, se em conjunto não tenhamos crescimento e desenvolvimento econômico para dar sustentabilidade e produtividade a um projeto de Brasil. O isolamento e a exacerbação das diferenças tem importância ao dar urgência aos temas relativos à justiça social e igualdade, mas em países continentais e populosos, as divisões de qualquer espécie, que obviamente servem também a interesses partidários, acabam por perpetuar exatamente o que é combatido. Ao negar nossas necessidades organizacionais, estruturais, e de investimentos, por conta da posição política, como se não fizessem parte de um contexto, apenas aumentamos o abismo social, dificultando políticas de desenvolvimento eficazes e efetivas, que possam elevar nosso nível de riqueza e eficiência, e assim nos inserir no mundo econômico real, com mais trocas, mais comércio internacional, mais turismo, mais cultura, e mais indústria e serviços, obviamente.

Por Fabio Sena | 12/12/2017 - 14h31
Fiz questao de escrever este texto ouvindo Elomar Figueira de Melo: “Adeus, adeus meu pé-de-serra. Querido berço onde nasci. Se um dia te fizerem guerra, teu filho vem morrer por ti.” Guerreiro Mongoió.

por Dr. Romário Melo

10 de Dezembro 2017, Tóquio, Japão
Sobre o fechamento do Colégio Estadual Nilton Gonçalves – CENG

Me lembro, como se fosse hoje, um anúncio no ano de 1999: “O Colégio Dom Bosco (particular) no Bairro Ibirapuera se tornará um Colégio público”. Eu era aluno do CIENB e a alegria era enorme. Estudar perto de casa, sem ter que atravessar a perigosa Av. Brumado e caminhar pela Av. Frei Benjamin, para economizar o dinheiro do transporte para coisas mais urgentes. Mal sabia eu que o CENG mudaria minha vida inteira. Foi lá que, nas aulas de Biologia da Prof. Luana Bittencourt, eu decidi ser Biólogo. Nas aulas de química, do Prof. Vitório (carinhosamente chamado de Toi), aprendi que os metais produzem cores diferentes durante a combustão. Recordo bem, eu e o colega Ronaldo num “laboratório” improvisado: um queimava os químicos, enquanto o outro anotava os resultados. A gente brincava: “pra que diabos eu vou precisar disso na minha vida?”

Eis que aquela pergunta (estúpida?) revelou toda utilidade daquele experimento durante meu PhD na Alemanha: a técnica (ICP-AES), crucial para a minha Tese, analiza nutrientes em plantas exatamente “queimando” os tecidos vegetais e separando cada metal pelas cores produzidas após a combustão para, então, quantificá-los. Um, dentre tantos tapas na cara que a vida nos dá! Me lembro das aulas de Português e Literatura com a Prof. Raquel, que tentava incansavelmente despertar nos alunos o interesse pela leitura e escrita. Eu, particularmente, odiava os dois: ler e escrever. Mas, obviamente, fazia os exercícios. Mais tarde, através daquele “fazer por fazer”, descobri que eu amo ler e escrever, porém, estava lendo e escrevendo o que não gostava. Normalmente, ler e escrever ocupa 90% do tempo de um cientista.

“Aqui estou eu hoje: Cientista da Universidade de Bruxelas em missao científica na Universidade de Tóquio”

Por Fabio Sena | 03/12/2017 - 01h40
É com imensa preocupação que se constata, nos últimos tempos, a implementação de cortes profundos e ameaças de destruição das instituições públicas de conhecimento e dos órgãos de fomento das atividades de pesquisa, criação e inovação

Boaventura de Sousa Santos

O Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC) apela à solidariedade internacional para com os/as Professores/as e Pesquisadores/as do Brasil no repúdio às iniciativas de desmantelamento do sistema público universitário e de apoio à pesquisa, em curso no Brasil. Pela estreita articulação que, ao longo dos anos, o CES/UC tem mantido com a academia brasileira, foi possível testemunhar o impacto do investimento público na última década e meia para o alargamento e qualificação de uma comunidade científica que deu significativos passos na excelência da produção científica, tecnológica e artística, na internacionalização e reconhecimento internacional do trabalho realizado e na capacidade para participar ativamente no processo de democratização do ensino (e do conhecimento) no Brasil.

Por Fabio Sena | 03/12/2017 - 01h03
Ronaldo Ferraz é professor no Colégio Nilton Gonçalves

Ronaldo Oliveira Ferraz

O que se passa na cabeça de políticos que possuem o peso de tomarem decisões que afetam tantas vidas? Perdem a paciência do diálogo? Deixam-se levar pelo arrobo do poder? Esquecem o discurso do passado quando se colocavam a favor do povo? Trocam a lógica do agir sempre pensando no coletivo e no social pela lógica da burocracia fria e racional? Não há desculpas. Não há justificativas. Atitude que só faz crer nas palavras de Fabiano, personagem central de Graciliano Ramos, em Vidas Secas. Em uma de suas poucas visitas à cidade vai à feira, comprar encomenda de Sinhá Vitória, comprar os parcos provimentos da casa. Humano que é, deixa-se entreter pelo jogo, quer um momento de alegria na vida sofrida. Mas é humilhado pelo soldado que, do alto do seu poder, cercado de pessoas cabisbaixas, aplica-lhe uma surra, deixa-o de molho no cárcere por coisa pequena. Aplica a máxima do “sabe com quem está falando?”.

Por Fabio Sena | 03/12/2017 - 01h06
Walter Pinheiro, não cometa atentado contra a educação de nosso povo

por Ruy Medeiros

Walter Pinheiro:

Penso que posso dirigir-me a você sem as informalidades do cargo e dos pronomes de tratamento. Também considero que posso trata-lo por você. Neste momento escreve-lhe uma pessoa que aos 14, ou 15 anos de idade participou de seu primeiro ato político como protagonista, dentre muitos outros estudantes que se insurgiram contra o golpe dos generais que objetivava impedir a posse de João Goulart. E, a partir daí, passou a batalhar. Participou do movimento estudantil contra a ditadura, preso respondeu a IPM. Depois, já formado em direito, continuou a militância, foi novamente preso, torturado, julgado pela auditoria militar, perseguido, mas continuou a lutar.

Parte mais recente dessa minha história você conhece, pois em alguns momentos, com José Gomes Novais e outros estivemos juntos na luta política.

Por Fabio Sena | 23/11/2017 - 19h10
Documentário de vanguarda: narrativa inovadora sobre o regime militar

por Fábio Sena

Foi o escritor e amigo Emiliano José quem me alertou para a importância de comparecer à Mostra Cinema Conquista na noite desta quarta-feira, dia 22, para assistir à exibição do documentário “A Noite Escura da Alma”, do cineasta baiano Henrique Dantas, autor do já célebre “Sinais de Cinza, a peleja de Olney contra o Dragão da Maldade”, no qual narra a os horrores cometidos pela ditadura contra o cineasta Olney São Paulo.

“A Noite Escura da Alma” inova na plástica e na narrativa. Alinhava com formidável delicadeza os diversos elementos da sétima arte, atraindo o expectador, integrando-o à trama, tragando-o para dentro da película. Não é obra que se vê ou que se ouve apenas. É obra que se cheira, que se toca. Que se sente como o pulsar do sangue nas veias. A água forte da chuva que cai sobre a Galeria F também encharca de solidão a plateia.

Por Fabio Sena | 22/11/2017 - 14h10
Muitas outras visitas são tão desejadas ao nosso espaço educacional, mas não as recebemos.

Coletivo #SalveoNilton

Durante as manhãs de aulas do Colégio Nilton Gonçalves, é certo encontrarmos com o Lupi, um amigo fiel que acompanha a sua “dona” até a escola. Conhece bem o seu território, o bairro Ibirapuera. Ao caminho do colégio, segue da rua Macaúbas até chegar à avenida Rondônia e assim  seguindo em frente até chegar à avenida Guanambi rumo ao seu destino. Todos os dias percorre livremente as ruas. Uma gracinha o Lupi! Tornou-se amigo de muitos estudantes.

Lamentável para o Lupi não poder entrar na escola. Não tem autorização! Apenas pode chegar próximo ao portão. Muito inteligente e ágil já flagramos o Lupi driblando a funcionária da segurança e adentrando ao portão, à procura da sua grande amiga. Acertou até mesmo a sala da querida, mas… foi interrompido na visita ao receber a voz do comando: “Aqui você não pode entrar” Fora!

Cabisbaixo, obedeceu!

Por Fabio Sena | 09/11/2017 - 03h21
"Todos os adjetivos que se possa sublinhar são insuficientes para apresentar a trajetória de Rômulo de Andrade Moreira, de que somente uma obra igualmente viva poderia resultar"

por Alexandre Morais da Rosa

Incisivo, audaz, impetuoso, ardente, instigante, enérgico, corajoso, atrevido, eloquente, cortante e, acima de tudo, um arrebatador poético. Todos os adjetivos que se possa sublinhar são insuficientes para apresentar a trajetória de Rômulo de Andrade Moreira, de que somente uma obra igualmente viva poderia resultar. Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, como poucos ergue a voz contra a mordaça, não compactua com o autoritarismo do silêncio, coloca os oponentes no mesmo plano e procura dialogar, desde um ponto de vista visceral e honesto.

Enfrenta, como tal, o efeito rebote de toda uma geração que aceita sem maiores problemas a relatividade de todas as posições, sem engajamento, em nome do politicamente correto e, principalmente, da política da boa vizinhança, de causar náuseas – ao preço pessoal, sempre, de se viver uma quase-vida. Assim é que por sua trajetória, tanto nos escritos que ardem, como na prática de Procurador de Justiça, aceita condenar gente como nós, desde que cumpridas as regras do jogo democrático, sem tergiversações, nem jeitinhos, porque defende uma leitura sofisticada do processo penal brasileiro a partir do devido processo legal substancial.

Por Fabio Sena | 08/11/2017 - 17h30
Esses foram os primeiros deputados baianos.

por Fabíola Mansur

A imagem que ilustra essa mensagem é um registro da exposição “Barroco Ardente e Sincrético – Luso-Afro-Brasileiro”, em cartaz no Museu AfroBrasil, em São Paulo. São quatro bustos de autoria do artista plástico Hebert Magalhães que retratam os revolucionários Luís Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

Esses foram os primeiros deputados baianos. Quatro jovens negros oprimidos pelo regime colonizatório e escravocrata que pagaram com suas vidas por sonhar com uma Bahia livre o suficiente contar com o seu próprio poder legislativo. Isso foi há 218 anos. Hoje, nós baianos, deputados ou não, temos o dever de reverenciar a memória desses heróis. Hoje e sempre.

Por Fabio Sena | 08/11/2017 - 12h05
Fecha-se uma escola sem o diálogo dos que transitam por ela. Não perguntaram. Não consideraram. Não ponderaram. Não avaliaram. Não refletiram. Não respeitaram.

Professor Ronaldo Ferraz

Estou no estado da incredulidade. Da tristeza máxima elevada ao quadrado da impotência. Impotente diante dos fatos. Fecha-se uma escola por uma mera decisão de contenção de despesas. Fecha-se uma escola sem ao menos ter pisado os pés lá. Sem conhecê-la. Na frieza da simples decisão burocrática. Fecha-se uma escola na sentença tomada no gabinete resfriado pelo ar condicionado de suas almas. Nunca estiveram nela. Nunca pisaram os pés no chão da sua sala de aula. Nunca viram o calor dos olhos dos que ali aprendem – professores e alunos. Nunca perguntaram para a escola do que precisa. Como posso melhorá-la? Nunca experimentaram do seu alimento. Mas como foram competentes na decisão. Rápidos e eficazes.

Fecha-se uma escola sem o diálogo dos que transitam por ela. Não perguntaram. Não consideraram. Não ponderaram. Não avaliaram. Não refletiram. Não respeitaram. Não ouviram. Contradição. Paradoxo máximo. Não fizeram aquilo que se requer, minimamente, do processo de educação: dialogar, ponderar, avaliar, refletir, respeitar e ouvir. Deram o mau exemplo. IRONIA: a escola foi aberta pela direita. Fechada pela esquerda. Agiram como agiam os educadores mais carrancudos e atrasados do passado: usaram a palmatória do castigo. Fecha-se uma escola na frieza da decisão burocrática. Não sabem dos que estão nela. De onde vêm. Das suas dificuldades. Das suas necessidades e incertezas. Na escola, como diz Gadotti, mesmo faltando tudo, nela existe o essencial: gente – alunos, professores, funcionários, pais, diretores. Mas nada disso importa. Importa mesmo a contenção. Devem estar batendo palmas: fechamos mais uma escola.

O colégio estadual Nilton Gonçalves, mesmo com sua estrutura precária, tem conseguido nos últimos 15 anos, atrair uma quantidade significativa de alunos. Com 08 salas de aulas, o colégio mantem os três turnos funcionando desde o seu surgimento. Essa boa aceitação por parte da comunidade, no seu entorno, deve-se a vários fatores: sua localização (única escola estadual e de ensino médio no bairro Ibirapuera e nas proximidades do Bruno Bacelar, Alvorada e Nossa Senhora Aparecida); seu ambiente acolhedor, apesar de sua estrutura física; a dedicação de seus funcionários; e, lógico, o trabalho que realiza.

Poderíamos até entender o fechamento de um colégio alugado se este estivesse num meio cercado de outros estabelecimentos de ensino, como acontece em outros bairros. Mas não é o caso. Não se pode fechar uma escola que atende a uma região tão populosa da cidade alegando que os alunos se deslocarão para outras mais distantes. É um pensamento perverso e insensível, sobretudo, por se tratar de comunidades formadas, também, por famílias que muitas vezes não possuem condições de pagar a meia passagem de ônibus para que seus filhos se desloquem para bairros mais distantes. Falta vontade política. Porque o pedido de construção de uma sede própria para o colégio vem se arrolando por mais de dez anos.

Por Fabio Sena | 07/11/2017 - 02h49
Qual o medo em apresentar um tema com o qual o aluno tenha que enfrentar apenas a barreira da construção argumentativa, ao invés de ter de falar sobre algo para o qual ele nunca se preparou?

por Flávio Passos

Eu não consigo comemorar, sem críticas, o tema da prova de Redação do ENEM 2017. A prova acontece em seu novo formato, em duas semanas, e, pela primeira vez, utiliza de tecnologias que assegurem à população surda uma participação mais democrática no maior exame de ensino médio do mundo ocidental. Nos anos anteriores, em sala de aula, eu sempre dizia que era relativamente fácil prever a temática da prova de redação do ENEM, devido à coerência entre propostas e as políticas em curso, mas agora estamos em um governo de exceção. E os alvos são os pobres e negros. O alvo são as cotas. E a surpresa não estava no tema, mas no problema imposto na proposta.

Por Fabio Sena | 23/10/2017 - 22h01
O objetivo dos programas de tv nestes casos não é apenas informar sobre o acontecimento do crime, mas vender uma história de violência para a obtenção do lucro.

O professor Cláudio Carvalho e o estudante de Direito Lucas Meira tiveram seu artigo “Cidade do medo: como a geografia da criminalidade  e do medo se apresentam na cidade de Vitória da Conquista” publicado no livro “Los Desafios Jurídicos a La Gobernança Global: uma perspectiva para os próximos siglos”, organizado pela Advocacia Geral da União. O Diário Conquistense publica, na íntegra, o texto que traz uma investigação sobre como o medo e a violência urbana têm tranformado a forma de se viver a cidade e como afeta as relações socias nos dias atuais.

Para tanto, a partir de uma investigação qualitativa e quantitativa,  foi realizada uma análise das estatísticas dos crimes de menor potencial ofensivo, homicídios tentados e consumados registrados na Zona Leste da cidade de Vitória da Conquista, obtidos através da 77ª Companhia Independente de Polícia Militar de Vitória da Conquista. A partir da análise, foi possível identificar onde e em que medida a geografía do medo e crime acontece, visto que o mapa da violência das cidades brasileiras não se dá de forma uniforme, mas de maneira segmentada. Leia abaixo a íntegra do artigo.

Por Fabio Sena | 16/10/2017 - 19h18
Fabíola Mansur, presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos

por Fabíola Mansur

Hoje, comemoramos o Dia da #Ciência e #Tecnologia, data de grande importância e relevância para toda a sociedade, sobretudo pelas grandes transformações que estes campos de estudos desenvolveram em toda a humanidade. Um dos grandes avanços de maior impacto social está na tecnologia dos meios de comunicação, imprescindível na democratização e no acesso ao conhecimento, ampliando o conhecimento dos habitantes da comunidade local por meio da inclusão digital.

Por Fabio Sena | 13/10/2017 - 15h50
Sonhar é preciso! Re-existir é preciso! Boa construção!

por Flávio Passos*

“Ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol nascer.” (Gilson, Joran e Marcelo)

  1. PENSAR OS PROBLEMAS (E AS SOLUÇÕES) DO PAÍS. Estruturar uma dissertação de, no máximo, trinta linhas, tem se transformado, há quase duas décadas, em um exercício nacional de REFLEXÃO sobre os problemas (propaganda infantil, imigração, feminicídio, intolerância religiosa, racismo…) do Brasil, essa sociedade em construção. Tais discussões que não se limitam ao momento da prova de Redação do ENEM, pois que se estendem nos meses antecedentes, nos colégios e cursinhos preparatórios, repercutindo em toda a sociedade. Utilizaremos como parâmetro o tema da Redação do ENEM 2016.
Por Fabio Sena | 13/10/2017 - 14h58
Rubens Jesus Sampaio é Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Estadual de Santa Cruz

por Rubens Jesus Sampaio

Dado ao multifacetado momento em que vivemos, não é possível respostas pontuais para problemas que não são conjunturais e sim estruturais. No 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx, lembrando que Hegel disse que os fatos e personagens de grande importância da história do mundo se repetem duas vezes. Ainda no mesmo parágrafo, completa que a história acontece “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”. Slavoj Zizek lembra que Herbert Marcuse, já em 1960 deu mais uma volta no parafuso sobre o 18 de Brumário de Luís Bonaparte e acrescentou: às vezes a repetição disfarçada de farsa pode ser mais aterrorizante do que a tragédia original.

Por Fabio Sena | 11/10/2017 - 11h55
A OMO até agora segurou as pontas e não apagou o comercial, mesmo com a repercussão negativa entre essa galera que ama citar Jesus.

por Ígor Luz

A OMO Brasil lançou uma propaganda para o Dia das Crianças falando que toda criança tem o direito de brincar do que quiser. A família tradicional brasileira e beatos de igrejas entraram em guerra contra a marca. Acusaram a OMO de impor “regras para as crianças de bem”. Acusaram a OMO de se render ao esquerdismo. Acusaram a OMO de fazer “marketing de lacração”. Acusaram a OMO de defender a identidade de gênero e isso “os homens de Deus não vão permitir”. Acusaram a OMO de se tornar “OMOssexual”. E todas essas pessoas cristãs e maravilhosas prometeram mudar a marca do sabão em pó em retaliação à marca. “Deus me livra lavar cueca do meu filho com OMO e ele ficar afeminado”.

Por Fabio Sena | 06/10/2017 - 15h46
São crimes que chocam não apenas pela covardia e pela brutalidade, mas pela falta de respostas.

por Fabíola Mansur|Deputada Estadual

Em menos de uma semana, duas chacinas supostamente promovidas por pessoas insuspeitas. No domingo, um americano atira por nove minutos contra a multidão e mata mais de 50 pessoas; ontem, um brasileiro entrou na creche onde trabalhava e ateia fogo ao próprio corpo e aos das crianças também. Eles não eram bandidos procurados pela polícia. Não tinham ficha criminal. E as pessoas que estavam à sua volta nunca perceberam nada de anormal no seu comportamento, nada que indicasse a tragédia que viriam a consumar. São crimes que chocam não apenas pela covardia e pela brutalidade, mas pela falta de respostas. Por que eles fizeram isso? É uma pergunta que precisaremos responder não só para os familiares e amigos das vítimas, mas para que consigamos ter um pouco de paz.

Por Fabio Sena | 06/10/2017 - 00h18
e nossa parte, a defesa será sempre da Democracia. Jamais do arbítrio.

por Rodrigo Moreira|Vereador

Vitória da Conquista ganhou projeção na imprensa baiana esta semana graças ao disparate de um vereador que, por falta de leitura ou de má-fé política, resolveu desferir ataques ao Estado Democrático de Direito e reivindicar uma intervenção militar, um governo militar provisório. Em seu devaneio e em total desrespeito ao sistema pelo qual ele mesmo foi eleito, exibiu mensagens nos outdoors da cidade e, em letras garrafais, pedia o fim da democracia no Brasil.

Esta não é a primeira vez que Vitória da Conquista ganha repercussão nacional negativa por causa deste mesmo vereador. Anos atrás, por ocasião da Greve da Polícia Militar na Bahia, graças às escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, as redes de TV brasileiras exibiram conversas em que este mesmo defensor de governo militar foi flagrado ameaçando queimar carretas na Rio-Bahia. Truculento, ao invés de negociar civilizadamente com o governo, preferiu o caos, a balbúrdia.

123...