A mídia da cidadania
Vitória da Conquista | 14 de Agosto de 2018
Por Fabio Sena | 04/02/2018 - 23h52
Érika Muniz e o maestro Marcos Ferreira: um duo pra lá de sofisticado

Canções alemãs de Schubert, Schuman e Strauss; francesas de Fauré e Satie, além de árias de óperas com o teor dramático de um Puccini e um Gershwin; canções brasileiras de Villa-Lobos e Carlos Gomes. Quem esteve no auditório do campus de Vitória da Conquista do Instituto Federal da Bahia/IFBA, na última sexta-feira (2), teve a oportunidade de ouvir uma das mais belas vozes do canto lírico brasileiro, Érika Muniz, acompanhada do caudaloso piano do maestro Marcos Ferreira.

Natural do Rio de Janeiro, Érika Muniz integra o Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp. Como solista, cantou nas óperas Dido e Eneas, de Purcell (Belinda), L’italiana in Londra de Cimarosa (Livia) e Porgy And Bess, de George Gershwin. Parte de seu repertório é dedicado à música de câmara, por isso integra o trio Cantos do Brasil, dedicado à música brasileira. Desde 2003, atua como preparadora vocal de coros infantis e juvenis. A partir de 2010, passou a atuar como professora de canto lírico do Instituto Bacarelli, de São Paulo.

Érika Muniz se apresentou em Vitória da Conquista pela quarta vez, brindando os ouvidos do público conquistense com seu timbre refinado e um carisma inigualável. Logo após o espetáculo, em conversa com o jornalista Fábio Sena, ela falou sobre seus projetos para 2018, as dificuldades de viver do canto lírico num país com baixo orçamento dedicado às orquestras e à música erudita, e principalmente a rara presença negra nesses ambientes de um tipo de música ainda dominado pela e para a elite.

Por Fabio Sena | 19/01/2018 - 12h03
"Os movimentos sociais, que viram alargar a não autonomia de suas entidades, não se reorganizaram a tempo para deter a retira de direitos dos trabalhadores"

O advogado, professor e militante social Ruy Medeiros declarou, em entrevista ao Sindicato dos Bancários, que o PT, uma vez no poder, desmobilizou os movimentos sociais e não teve a habilidade para politizar a sociedade, favorecendo a direita na medida em que provoca um vazio de propostas a partir da cooptação desses movimentos. Ao mesmo tempo, tece críticas aos mesmos movimentos que, segundo ele, “aceitaram de bom grado a situação oferecida, e eles mesmo não se estruturaram política e ideologicamente. Acomodaram-se”.

Indagado sobre os rumos eleitorais do Brasil, com o confronto aparente entre o deputado federal Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ruy Medeiros afirma que, nesta polarização, Bolsonaro representa o fim de qualquer escrúpulo político e Lula oferece pacificação social, “sem formular o confronto, por isso mesmo que é pacificação”, acrescentando que “a polarização é da sociedade mesma e, atualmente, não se sabe qual o alcance da proposta de paz social diante da crise do Estado e da falência do chamado presidencialismo de coalização”.

Abaixo a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 16/01/2018 - 08h49
Oxalá brancos e pretos tenhamos voz para responder positivamente ao chamado de Bob Marley: “Você não vai ajudar a cantar essas canções de liberdade?

por Fábio Sena e Flávio Passos

Marco legal na luta contra o racismo e em favor da disseminação, no ambiente escolar, de conhecimento sobre a História e Cultura Afro-Brasileira, a Lei 10.639, de 2003, integra o acervo de conquistas históricas que o movimento negro acumula e cujo desdobramento mais visível é o rompimento com uma lógica educacional que buscava naturalizar o negro como mero coadjuvante na história brasileira. Alçado à condição de protagonista nos conteúdos escolares, os negros puderam, enfim, ter compartilhada sua experiência histórica, sua contribuição intelectual, política e cultural na formação da identidade nacional.

No ano em que são celebrados os 15 anos de sanção da lei pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Diário Conquistense e o professor doutorando Flávio Passos – militante negro e pesquisador assíduo do tema – se articularam para fomentar o debate sobre os avanços, os limites e as perspectivas da lei. A ideia é colher, por meio de entrevistas, a opinião de professores e pesquisadores do tema e construir um pensamento coletivo sobre a importância de uma lei cuja aplicação ainda enfrenta entraves de natureza vária, dentre as quais um que parece nortear boa parte dos artigos sobre o tema: como ensinar sobre algo que não se conhece?

A primeira entrevista é com o professor da rede municipal de ensino, Alberto Bomfim da Silva, graduado em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, especialista em Política, Cultura e sociedade e mestre em Letras: Cultura, Educação e Linguagens também pela UESB. Militante social, Alberto Bomfim é professor do Curso Pré-Vestibular Dom Climério, administrado pela organização Agentes de Pastoral Negros e voltado principalmente a estudantes afro-brasileiros. Sondado sobre a possibilidade de esboçar um pensamento sobre o assunto, o professor imediatamente aceitou o convite e respondeu às perguntas que lhe foram enviadas.

Alberto Bomfim acredita que a Lei 1’0.639 representou um avanço significativo no sentido de promover reparações em um sistema de ensino-aprendizado cuja formação liga-se às necessidades do projeto colonizador de cultura europeia nos séculos XVI e XVII, a começar pela imposição da Língua Portuguesa. Para o estudioso, “é um absurdo pensar que ainda hoje nossos alunos e professores falem de Milão ou York, mas não conheçam nada sobre Lagos, na Nigéria, cidade com a qual o Brasil possui muito maior pertencimento cultural e comercial”.

Abaixo, na íntegra, a primeira da série de entrevistas que o Diário Conquistense e o Professor Flávio Passos vão publicar no decorrer deste mês de janeiro.

Por Fabio Sena | 15/01/2018 - 15h51
"O surpreendente é que esta vontade de censura já não vem de círculos extremamente conservadores, mas de mulheres que se consideram feministas"

O Globo

Seu manifesto semeou o caos na França e além. Aos 69 anos, a escritora e crítica de arte Catherine Millet é uma das cinco autoras do artigo coletivo de mulheres — assinado também pela atriz Catherine Deneuve, pela cantora alemã Ingrid Cave e pela editora Joëlle Losfeld —, criticando o movimento #MeToo. O texto publicado no “Le Monde” na semana teve apoio de cem personalidades da cultura francesa. Millet denuncia que este movimento, ao qual chama de “puritano”, favorece um regresso à “moral vitoriana”. A autora do polêmico best-seller “A vida sexual de Catherine M.” defende “a liberdade de importunar”, até no sentido físico, que considera indispensável para salvaguardar a herança da revolução sexual.

Por Fabio Sena | 09/01/2018 - 12h00
O antipetismo visceral de setores da sociedade e da mídia não é só contra o PT, é antiesquerda, antigreve, antiocupação

por Rodrigo Martins | Carta Capital 

Cotado como candidato do PSOL à Presidência da República, Guilherme Boulos recusa-se a alimentar a inútil polêmica sobre a desunião da esquerda em 2018. A existência de diferentes candidaturas do campo progressista não representa uma ameaça à unidade e tampouco invalida uma aliança no segundo turno, avalia o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, em entrevista a CartaCapital. “A esquerda precisa ter maturidade para estar junta naquilo que une a todos e, ao mesmo tempo, reconhecer sua própria diversidade. É preciso cerrar fileiras no enfrentamento ao golpe, às reformas de Temer e aos retrocessos democráticos, bem como na defesa do direito de Lula ser candidato”, diz. “Mas é preciso ter a mesma maturidade para compreender que a diversidade de posições não é um problema”.

Da mesma forma, o líder dos sem teto rejeita surfar na onda do antipetismo. “Achar que o caminho para a construção de um novo projeto de esquerda é a destruição de Lula e do PT é uma ilusão monstruosa. Basta olhar em volta: quem tem crescido com esses ataques é a direita.” Isso não quer dizer que Lula e o PT não possam ser criticados por seus erros, enfatiza Boulos. “A tentativa de reeditar em 2018 um caminho de conciliação é também uma ilusão. Mas não se enfrenta isso com antipetismo. Converso muito com dirigentes do PSOL e tenho a segurança de que não cometerão esse erro.”

Por Fabio Sena | 04/01/2018 - 21h58
Faltam na Bahia quase 250 [juízes de primeiro grau] e mais de 25 mil servidores.

Por Brenno Grillo/Conjur

A lentidão no primeiro grau do Judiciário da Bahia e do federal que atua no estado é a maior dificuldade enfrentada pela advocacia local. Quem afirma é o presidente da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil, Luiz Viana. Ele também destaca os problemas relacionados ao funcionamento do processo eletrônico por causa da transição do processo físico. “Foi preciso digitalizar todos os processos e isso gerou inúmeros problemas burocráticos”, conta. Além disso, diz o advogado, faltam quase 250 juízes de primeiro grau e mais de 25 mil servidores nos quadros do Judiciário local.

Leia a entrevista:

Por Fabio Sena | 01/01/2018 - 15h53
"A gente vive um momento de reconstrução: qual esquerda a sociedade vai enxergar?"

O deputado estadual carioca Marcelo Freixo, do PSOL, não admite a tese cada vez mais hegemônica em parte da esquerda brasileira que defende a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como alternativa real de enfrentamento eleitoral aos partidos de centro e de direita, representados com maior força pelo MDB do presidente Michel Temer. Em entrevista à Folha de São Paulo, Freixo opina que o momento talvez não seja o mais propício para uma unidade de esquerda e, como de costume, tece duras críticas à lógica de alianças do Partido dos Trabalhadores. “Se quisessem recompor a esquerda, não andariam de braços dados com Renan Calheiros, em Alagoas”, afirmou.

Abaixo, a íntegra da entrevista que tanto frisson causou em lideranças da esquerda, inclusive do próprio PSOL, a exemplo do deputado federal Jean Wyllys, que veio a público afirmar sua posição pessoal sobre o assunto – em defesa da unidades dos partidos de esquerda – e lembrar que a opinião de Freixo não representa o pensamento do partido. “Acredito, sim, que devemos perseguir a construção de um bloco de diferentes representações políticas de esquerda e progressistas para derrotar o grupo que tomou de assalto a democracia por meio de um golpe”.

Por Fabio Sena | 30/12/2017 - 13h31
"Este foi o ano da arrumação, mas conseguimos realizar muito também."

Quem conversa com o prefeito Herzem Gusmão (PMDB) toma um banho de otimismo e entusiasmo. Suas declarações, no crepúsculo de seu primeiro ano de mandato, revelam um gestor plenamente convicto de que sua administração vem cumprindo rigorosamente sua principal proposta de campanha: adotar o planejamento contra o improviso. Segundo ele, os primeiros 365 dias de gestão foram dedicados à pesquisa, ao estudo e à elaboração de projetos. Para tanto, contratou consultorias e assessorias especializadas nos diversos temas administrativos.

A mais recente contratada – a GO Associados – será responsável pelo diagnóstico da relação entre a Embasa e o Município, devendo fornecer em breve ao prefeito subsídios para o melhor modelo de contrato com a empresa, historicamente merecedora das mais corrosivas críticas da população, não apenas pelo deficitário serviço de abastecimento de água mas pela prática de danificar o pavimento de ruas sem o devido reparo. Bem ao seu estilo direto, Herzem Gusmão declara este estudo definirá a vida da Embasa em Vitória da Conquista.

Nesta entrevista ao Diário Conquistense, o prefeito Herzem Gusmão manifesta opinião sobre a postura de animosidade do governador Rui Costa, reafirmando o que vem declarando em todas as oportunidades, que há um componente estritamente eleitoral nas iniciativas do governo com as policlínicas. Segundo o prefeito, Rui Costa partidariza as ações de saúde e chega a praticar campanha extemporânea ao inaugurar essas unidades com cantores cujos cachês alcançam cifras milionárias, como foi o caso de Luan Santana e Aviões do Forró.

Segundo o prefeito, apesar da queda abrupta do Fundo de Participação dos Municípios/FPM e as dificuldades decorrentes deste perda de receita, foi possível retomar obras paralisadas – graças, sobretudo, à recuperação da Emurc – e pavimentar diversas avenidas. Como de praxe, Herzem também reclama da herança maldita e afirma que administrou a cidade com um orçamento “que é uma peça de ficção”, com uma diferença de R$ 130 milhões.

Abaixo, na íntegra, a primeira parte da entrevista com o prefeito Herzem Gusmão.

Por Fabio Sena | 16/12/2017 - 03h20
Secretário estadual de Saúde

Médico formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutor em cardiologia pela Universidade de São Paulo (USP), Fábio Vilas-Boas, 50, completará três anos à frente da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) em janeiro próximo. Cardiologista do governador Rui Costa, ele recebeu do amigo, no início de 2015, a missão de cuidar de uma das áreas mais delicadas no estado. Agora, caminhando para o último ano da atual gestão, ele promove uma série de inaugurações de unidades em municípios no interior da Bahia. Com exclusividade para A TARDE, ele faz um balanço desse triênio, criticando a prefeitura de Salvador e o Ministério da Saúde. Antes, no gabinete amplo no Centro Administrativo da Bahia, em meio a imagens de Santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição da Praia, do Menino Jesus e dos dois filhos, Letícia e Gustavo, se benze com água benta reservada em um recipiente. “Tem muita coisa acontecendo por aí”, justifica-se.

Por Fabio Sena | 07/11/2017 - 02h41
Giorlando Lima, em foto de João Melo para a Revista Conquista News

por Fábio Sena

Idealista e realizador, o jornalista Giorlando Lima se incumbiu da grata tarefa de relançar a Revista Conexão, publicação que obteve relativo sucesso no início deste século com reportagens que abalaram, por mais de uma vez, o mundo da política, mas que teve curta duração. Às próprias custas e com fé inabalável na ideia de que é possível sobreviver do “velho e bom jornalismo”, Giorlando reuniu uma equipe pequena, mas coesa, e materializou uma proposta que vem merecendo os mais sinceros elogios.

Não poderia ser diferente. Escritor refinado, dono de um estilo elegante e inconfundível, Giorlando Lima constrói textos primorosos – que transitam entre a ‘insustentável leveza’ de seu ser e a contundência de tanques de guerra. Analista arguto, pensador inquieto, argumenta com clareza e precisão cirúrgica, afugentando de seus escritos as meias-palavras, preferindo, a estas, a palavra-inteira, sempre mais recomendável para quem faz do jornalismo um instrumento em defesa da sociedade.

A edição mais recente da Revista Conexão, lançada no final do mês de outubro, traz um acervo de reportagens que aprofundam o debate sobre temas fundamentais de Vitória da Conquista – o transporte coletivo e a regularização das vans são exemplos do compromisso social da revista: com uma abordagem equilibrada, para esclarecer, as repórteres oferecem ao leitor condições de realizar seu próprio julgamento, de formar sua própria opinião. Assim, distanciando-se do disse-me-disse e falsa problematização, a Conexão apresenta os personagens e suas percepções, os prós, os contras e os muito ao contrário.

Ao ler esta entrevista gentilmente concedida ao Diário Conquistense, o leitor terá noção da qualidade e do vigor do pensamento de Giorlando Lima, este jornalista-pensador que, recentemente, enveredou pelo universo acadêmico do Direito, mas que, por vocação, não se afasta do jornalismo, do bom e velho jornalismo. “Lançar a revista estava entre aquelas coisas que eu ainda vou fazer antes de morrer”, explica, crítico de um fazer jornalístico no qual “não há reportagens, não se levanta um tema para abordar seus vários pontos, as versões, as causas e as consequências, é a notícia pela notícia”.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 30/10/2017 - 17h51
A CazAzul preparou uma semana de atividades em comemoração para celebrar o primeiro ano em Conquista.

Num terreno culturalmente árido e marcado por adversidades em múltiplas dimensões viceja um oásis artístico, uma exuberante experiência humana que – no lugar do mero resmungue e do queixume – preferiu assumir a tarefa diária de constituir um ambiente solidário de formação, produção e socialização de produtos estéticos. Estamos falando da CazAzul Teatro Escola, um formidável espaço de convivência artística que, nos últimos 365 dias, acumulou um acervo de realizações merecedoras dos mais sonoros aplausos.

Coordenada por um núcleo só de mulheres – quatro ao todo: Hannah Abnner, Hendye Gracielle, Thaís Pimenta e Rebeca Reis, e mais uma quinta, a professora Adriana Amorim, conselheira artístico-pedagógica e idealizadora – a CazAzul vai celebrar bem ao seu estilo o primeiro ano de vida. Uma programação imperdível e do mais alto nível. Nos dias 30 e 31 serão realizadas oficinas gratuitas de Orientação Cênica, Dramaturgia e Percussão com Materiais Recicláveis. Serão, ao todo, três dias de uma riquíssima programação.

Nesta entrevista ao Diário Conquistense, as gestoras da CazAzul explicitam, sempre de forma convidativa, a natureza da escola-teatro – “ação concreta em meio a discursos de crítica”. E foi por meio da ação que a CazAzul acumulou algumas boas surpresas – como a descoberta que as escolas dos ensinos infantil e básico amam teatro – e algumas certezas também: “o artista precisa de um parceiro empresarial para organizar sua produção e otimizá-la para a venda”.

Para a CazAzul uma verdade é cristalina: viver de arte não é fácil, mas também não é crime e as pessoas precisam interromper em definitivo o mau hábito de pedir para artista trabalhar de graça. “Acumulamos também muitas alegrias: quando fechamos uma turma; quando vendemos um projeto; quando passamos num edital; quando temos crianças felizes na plateia e artistas felizes no palco”. O percurso não seria completo sem algumas frustrações, como não poder usar o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 30/10/2017 - 14h12
"Uma hora o Brasil vai ter de olhar pra dentro de si mesmo, enxergar a enorme beleza de nossa formação singular e única, e assim encontrar uma saída"

“Há algo na política nacional que liga umbilicalmente, como irmãos siameses, Bolsonaro a José Dirceu, General Geisel a Dilma Roussef, que na prática sobrevivem politicamente desse embate maniqueísta que converge no nacionalismo corrupto e incompetente, e representam nosso maior atraso, o cordão umbilical que precisamos cortar para poder crescer como nação”. Este seria, em resumo, o centro do pensamento político do publicitário André Ferraro, mas é apenas parte ínfima de uma elaboração bem mais complexa, exposta nas dezoito laudas da entrevista que segue logo abaixo e que merece leitura e reflexão.

Administrador, comunicador social e publicitário, com especialização em planejamento, marketing e ciência política, André Ferraro trabalhou em diversas agências de propaganda e em várias campanhas políticas e governos, em todo o Brasil. Ele topou de imediato o desafio de responder às perguntas formuladas pelo Diário Conquistense, à guisa de reflexão sobre o crescente pedido de intervenção militar que, em Vitória da Conquista, ganhou expressão com as mensagens exibidas em outdoor por um vereador local. Nas páginas que se seguem, cada linha merece ser lida e comentada, pois revela a inquietude de quem enxerga em nossa crise atual um conteúdo histórico, formador de nossa alma institucional.

André Ferraro manifesta seu desprezo às manifestações pró-intervenções, mas sobretudo seu temor à mitificação de lideranças políticas. “… O que mais temo é essa divinização do poder, essa pegada religiosa que representa o pior do atraso quando se trata de formação de estado, que deve ser laico, e que não podemos permitir que haja um retrocesso, ou uma nova idade média em pleno Brasil do século 21. Esse é o grande perigo, o uso do discurso messiânico religioso para controlar o poder e justificar suas arbitrariedades. Esse é o perigo mais atual, com representações políticas religiosas que cresceram nos últimos anos no Brasil sob a permissividade do estado, com base em incentivos fiscais, com a cessão de espaços públicos para construção de templos, e tudo mais. Gente que usa a pobreza com discursos fáceis, para enganar, para abocanhar o estado nacional. Disso sim eu tenho medo”.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 23/10/2017 - 21h22
Rodrigo Moreira: "Nos restará fiscalizar e propor as possíveis alterações que entendermos cabíveis após a implantação"

Atuando de forma independente na Câmara Municipal, o vereador Rodrigo Moreira (PP) tem opinião que diverge da bancada de oposição sobre o decreto assinado pelo prefeito Hérzem Gusmão e que regulariza o transporte alternativo feito por vans em Vitória da Conquista. Em entrevista ao Diário Conquistense, o parlamentar afirma que o decreto, na verdade, encurta o caminho para melhorar o sistema de transporte público. “Havia o diálogo entre os Poderes para que o Projeto acerca do transporte alternativo tramitasse na Câmara, para oportunizar um debate mais abrangente com a participação popular. No entanto, a iniciativa do Decreto encurta o caminho para concretização do plano maior que é a melhoria do transporte público”, afirma.

Por Fabio Sena | 18/10/2017 - 20h48
"Um golpe na democracia de um grande país não acontece sem consequências funestas".

Luis Rogério Cosme é um intelectual de grandeza maior cuja habilidade para a crítica e a autocrítica o diferencia de parte considerável dos militantes de esquerda – sempre ávidos em perceber as mazelas dos adversários mas pouco predispostos à autoanálise. Filiado ao Partido dos Trabalhadores e engajado desde a adolescência nas lutas sociais e políticas, é autor do livro A Alma do Animal Político – obra na qual identifica os arranjos políticos que conduziram o PT, com Jaques Wagner, ao governo da Bahia em 2006.

Professor da UFBA, dirigente partidário, Luís Rogério é doutor em Saúde Pública pela UFMG e mestre em Memória, Cultura e Desenvolvimento Regional pela UNEB. Com experiência no movimento estudantil universitário e duas vezes candidato a prefeito de Itambé (2004-2008), ele tece, nesta entrevista ao Diário Conquistense, uma série de considerações sobre um tema que ganhou relevo em Vitória da Conquista recentemente: a manifestação pró-intervenção militar que ganhou expressão na voz de do vereador David Salomão.

Impiedoso, Luis Rogério considera que este pensamento é sintoma da perda de memória histórica, entre outras coisas: “A democracia violentada dá vazão a essa pobreza analítica, pobreza política. Vivemos um caos léxico e epistemológico, não apenas sociopolítico. As pessoas falam coisas com uma convicção radiante e nem sabem do que estão falando. Se mostram donas de um saber sem lastro teórico ou histórico condizente. Pensam que democracia é apenas um direito de opinar sobre tudo sem entender quase nada”.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 13/10/2017 - 00h38
"É verdade, a esquerda se encantou com o poder institucional e se esqueceu de uma regra básica: ficar longe das bases é mortal".

por Fábio Sena

De Paris – onde foi exilada na década de 1970 – a arquiteta e urbanista baiana Maria José Malheiros respondeu com entusiasmo de militante a um longo questionário preparado pelo Diário Conquistense sobre democracia e liberdade. Apesar da distância oceânica, ela discorre sobre o Brasil com assombrosa percepção de nossa realidade, como a autoridade e conhecimento de quem jamais deixou seu torrão. Dirigente sindical na capital francesa, Maria José Malheiros foi uma das vítimas da ditadura militar brasileira (1964-1985). Perseguida, foi exilada no país europeu. Hoje, integra a executiva do Sindicato CGT de Engenheiros e Quadros Técnicos do Serviço Público Parisiense.

Considerada a última clandestina da ditadura no Brasil, ela teve três nomes e tem duas idades. Declarada anistiada política há quatro anos, adotou definitivamente o nome usado na clandestinidade, repassado aos filhos. Mantida em sigilo quase absoluto, a história de Maria José Malheiros tem íntima relação com Vitória da Conquista: ela morou na cidade nos anos de chumbo sob a “guarda” do comunista e militante político de esquerda José Gomes Novaes, que a assumiu legalmente como filha. Assim, perseguida pelos órgãos de repressão do Estado, ela conviveu com a família do comunista no bairro Patagônia, sendo, para todos, filha legítima do militante.

Maria José Malheiros era chargista do jornal O Popular, de Goiânia, que foi fechado pela polícia no final da década de 1960. No mesmo período, foi expulsa da Faculdade de Artes da Universidade Federal de Goiás e enquadrada no Decreto 477, um dos primeiros instrumentos da ditadura pós-AI-5, que definia “infrações disciplinadores” de professores, alunos e funcionários de instituições de ensino. Chegou a ser sequestrada em sua casa por agentes do Dops. Mudou-se para São Paulo, trabalhou no Itaú até final de 1971, como digitadora de dados, mas foi enquadrada no caso de abandono de emprego ao passar para a clandestinidade, receando ser presa.

A convite do escritor, ex-preso político e atual superintendente de Direitos Humanos da Bahia, jornalista Emiliano José, Maria José Malheiros esteve em Vitória da Conquista em 2013, quando prestou depoimento à Comissão Municipal da Verdade e narrou momentos marcantes de sua história, das sucessivas fugas de seus algozes, os militares, apinhados ao poder depois de um golpe. “Hoje é muito difícil imaginar o que passamos naquela época. Saíamos para trabalhar, mas não tínhamos certeza que iríamos voltar. Não tínhamos apego a coisas materiais, e já saíamos de casa com o kit fugitivo”.

Nesta entrevista, o leitor conhecerá o pensamento vigoroso de uma pensadora fundamentalmente identificada com os valores de esquerda e cuja habilidade com as palavras explicam muito do risco que ela representava para o regime militar. Com uma visão internacional de política, Maria José Malheiros assume uma das principais características de quem pensa: faz a crítica à direita com a mesma naturalidade com que exerce a autocrítica. Sem tergiversações, identifica as virtudes e as falhas do governo petista no Brasil. Mas sua visão é de profunda crítica à elite brasileira.

Por Fabio Sena | 11/10/2017 - 23h54
"Os familiares de desaparecidos ainda não tiveram o direito de enterrar os seus mortos".

 

O sociólogo Edwaldo Alves é um militante político fulltime, sempre predisposto ao debate, transitando com desenvoltura entre a conciliação e a disputa aberta. Filiado ao Partido dos Trabalhadores, foi um dos principais articuladores políticos do governo municipal nas gestões dos prefeitos Guilherme Menezes e José Raimundo Fontes. Ex-preso político, torturado pelo regime militar que vigorou 21 anos no Brasil, Edwaldo Alves sentiu na pele os efeitos daninhos de um Estado de Exceção.

Convidado pelo Diário a colaborar com o tema que vem ganhando expressão no Brasil – os reiterados pedidos de intervenção militar pelos simpatizantes de Bolsonaro e os resultados recentes da pesquisa que mensurou ser grande a adesão de brasileiros a regimes autoritários – Edwaldo fez uma leitura profunda do cenário político e social brasileiro das últimas décadas e, sem tergiversar, fez a devida autocrítica a determinados comportamentos das esquerdas brasileiras, especialmente no tocantes às alianças.

Em sua concepção, essa “aspiração” autoritária sempre existiu na sociedade brasileira, mesmo antes de 1964 como no pós-ditadura. Mas, ao analisar os resultados atuais da pesquisa, ele argumenta que “um dos elementos do recrudescimento desse desejo é o grande desencanto e decepção que amplos setores das classes dominantes e da população iludida tiveram com os resultados do golpe contra Dilma”. “Todos estão sentindo na pele que as coisas pioraram e começam a perceber que os golpistas tinham o objetivo de livrarem-se da apuração de seus próprios crimes”.

Abaixo, a íntegra da entrevista com Edwaldo Alves.

Por Fabio Sena | 11/10/2017 - 23h55
"O desejo manifestado por muitas pessoas para que aconteça uma intervenção militar no país está inserido num contexto no qual aquilo que esteve submerso encontra agora um terreno fértil para desabrochar"

Carlos Alberto Pereira Silva, o popular Cacá, é professor titular do Departamento de História da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, coordenador do Laboratório Transdisciplinar de Estudos em Complexidade, pesquisador em História do Tempo Presente e membro da Rede Brasileira pela Democracia de Alta Intensidade. Convidado pelo Diário a colaborar com o debate sobre Democracia e regimes autoritários, Cacá não titubeou. Imediatamente pôs-se à disposição para responder ao questionário, realizando um exuberante passeio histórico que percorreu diversas fases de nossa História.

Indagado sobre a propensão do povo brasileiro a apoiar regimes autoritários, conforme demonstra pesquisa recente, o professor Cacá argumentou – sempre ao seu estilo, sem meias-palavras – que o Brasil possui um “defeito de origem”, com uma República foi construída com base em frequentes instabilidades, “no apelo às armas, nas conspirações políticas, na aposta em líderes messiânicos, nos golpes consumados, em escancaradas ditaduras e na introjeção oculta, ou explícita, da cultura autoritária”. Ao descrever seu entendimento sobre esta “opção” popular pelos regimes de força, Cacá responsabiliza partidos como o PT, PMDB e PSDB.

“… A descrença e frustração coletiva são resultantes da traição dos ideais democráticos patrocinada pelos grandes partidos que governaram o país, em consócio com apoiadores do antigo regime ditatorial, nos últimos trinta e dois anos. Portanto, o endosso à instauração de um regime ditatorial, ainda que deva ser democraticamente combatido, precisa ser entendido como uma lamentável resposta de uma grande parcela da sociedade à conversão do PT, PMDB e PSDB e congêneres ao “vale tudo” que sempre dominou a política brasileira”, argumenta o professor. Abaixo, a íntegra da entrevista.

Por Fabio Sena | 10/10/2017 - 16h51
Prof. Dr. José Alves Dias, pesquisador de História do Brasil

Um espectro ronda o Brasil. Pesquisa recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra que os cartazes pedindo intervenção militar nas manifestações de rua do Brasil não são posturas isoladas de grupos minoritários. Em estudo inédito para medir o “Índice de Propensão ao Apoio de Posições Autoritárias”, um dado alarmante: numa escala de zero a dez, a sociedade brasileira atinge o elevado índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias.

Semana passada, um fato ocorrido em Vitória da Conquista ganhou repercussão nacional: professores e estudantes destruíram uma outdoor cuja mensagem, assinada por um vereador, reivindicada a intervenção militar. O assunto foi intensamente debatido na Câmara de Vereadores, onde o vereador voltou a argumentar em favor um “governo militar provisório”, na visão dele a melhor alternativa para frear a corrupção no Brasil. Mais que isso, ameaçou processar os autores do “dano” à sua mensagem militaresca.

O Prof. Dr. José Alves Dias, pesquisador da História do Brasil, considera essencial às novas gerações conhecerem o que significa, na prática, as características de um governo autoritário imposto mediante uma intervenção militar. “Se engana quem acredita que somente foram perseguidas e mortas pessoas ligadas diretamente à militância politica. Padres, freiras, pastores evangélicos, artistas, mães e crianças foram barbaramente torturadas”.

Segue abaixo a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 27/07/2017 - 16h25
Na verdade, o político no Brasil não sente estar a serviço da sociedade que o elegeu, e sim a serviço dele mesmo e de seus interesses pessoais

“Missionários de um mundo pagão, proliferando ódio e destruição. Pelos quatro cantos da terra, a morte, a discórdia, a ganância e a guerra”. Um refrão que comoveu e conduziu milhares de pessoas à reflexão no final da década de 1980 e durante toda a década de 1990. Carta aos Missionários, música que projetou uma das mais badaladas e respeitadas bandas do rock nacional, ganhou um remaker do e alcançou mais de um milhão de pessoas em apenas quatro dias.

Em entrevista exclusiva ao repórter Maurício Sena, do Diário Conquistense, o vocalista e líder da banda carioca, Marcelo Hayena, falou sobre diversos assuntos da vida nacional e – claro – de política, música e sociedade. O momento é propício para o debate num país mergulhado em grave crise institucional, de profunda instabilidade política e sacodido por uma onda interminável de denúncias, delações premiadas, corrupção, escutas telefônicas, filmagens e prisão de grandes figurões.

“Carta aos Missionários” dialoga perfeitamente com esta realidade. Uma mensagem de 1989, que se mantém viva graças ao flagelo político brasileiro, um terreno árido, um campo minado, cheio das piores surpresas, com indivíduos se devorando um a um. Uns e Outros manteve “Carta aos Missionários” no topo das paradas, em 1º lugar, durante vários meses nas principais rádios do país. Mas a banda emplacou outros sucessos como  “Dias Vermelhos”, “Máquina Mortífera” e “Lágrimas entre Máscaras”, tendo sido eleita banda revelação do pela Revista Bizz, em 1990, período que atingiu aproximadamente 120 shows em todo país.

“Não acredito que mudaremos nada pelo voto, porque não há em quem votar”, afirma Hayena. “Precisamos primeiro de uma faxina geral na política brasileira. Precisamos  também entender que temos que nos reinventar como povo.  O prefeito, o governador, o deputado, o senador, o presidente não vieram de marte, vênus ou de outra galáxia. Todos eles vieram do mesmo lugar de onde você e eu viemos: do seio da nossa sociedade! A “cervejinha” do guarda, a fila “furada” na padaria, o uso indevido da vaga do deficiente, o desrespeito com os idosos, a exploração de menores, o golpe no turista inocente, etc…talvez seja o começo de tudo isso que vai desembocar nesse teatro de horrores que assistimos hoje nos telejornais”.

Abaixo, a íntegra da entrevista na qual Hayena, com muita lucidez, fala da contínua produção da banda, da distância do universo midiático, da questão política no país, atribuindo a políticos a condição de personagens de uma peça de horror, em que nós mesmos somos os autores. “Tá na hora de nos olharmos no espelho e sem medo, assumirmos nossa parcela de culpa nisso tudo também, não acham?”, diz, concluindo que acredita no país do futuro: “o problema é que esse futuro nunca chega, Maurício!”

Por Fabio Sena | 30/06/2017 - 01h01
Segundo Arlindo, Ticolô votou em Zé Raimundo em 2016.

Ex-presidente do PSDB de Vitória da Conquista, atual secretário municipal de Agricultura, Arlindo Rebouças tomou conhecimento da existência de uma nova direção partidária como os demais mortais: pelas páginas do Diário Conquistense. Dias antes, em Salvador, ele esteve com o presidente estadual da legenda, João Gualberto, com quem discutiu política e outras mumunhas, mas nem uma palavra sobre alteração na direção local do partido, que passou a ser comandado por Claudionor Dutra, o popular Ticolô.

Em entrevista ao Diário na tarde desta quinta-feira (29), Arlindo Rebouças lembrou os velhos tempos: municiou sua metralhadora e mirou no novo presidente de seu partido, contra quem fez declarações duríssimas. Arlindo afirma possuir um dossiê repleto de informações que serão passadas ao presidente do diretório estadual do partido, João Gualberto, a quem demonstrará o equívoco de haver jogado os partidos nas mãos de Ticolô. Indignado com os fatos, Arlindo promete manter-se no partido e ir à luta.

“Segundo ele, não votaria em Herzem porque Zé Raimundo é amigo dele e que ele não gostava de Herzem e que votaria em Zé Raimundo. Eu tenho prova disso, que ele falou. E foi omisso ao longo da campanha. Então, é uma pessoa que, politicamente, a gente diz: é um zero à esquerda em Conquista, não tem prestígio, não tem nada. Então, não entendo o que motivou esta mudança de João Gualberto, para botar esse rapaz aí. Eu fico com pena porque sou apaixonado pelo PSDB e quando vejo agora o PSDB indo para o buraco”.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 17/06/2017 - 00h50
"Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles".

Na manhã da quinta-feira (15), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, recebeu ÉPOCA para conceder sua primeira entrevista exclusiva desde que fechou a mais pesada delação dos três anos de Lava Jato. Em mais de quatro horas de conversa, precedidas de semanas de intensa negociação, Joesley explicou minuciosamente, sempre fazendo referência aos documentos entregues à Procuradoria-Geral da República, como se tornou o maior comprador de políticos do Brasil. Discorreu sobre os motivos que o levaram a gravar o presidente Michel Temer e a se oferecer à PGR para flagrar crimes em andamento contra a Lava Jato. Atacou o presidente, a quem acusa, com casos e detalhes inéditos, de liderar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil” – e de usar a máquina do governo para retaliá-lo. Contou como o PT de Lula “institucionalizou” a corrupção no Brasil e de que modo o PSDB de Aécio Neves entrou em leilões para comprar partidos nas eleições de 2014. O empresário garante estar arrependido dos crimes que cometeu e se defendeu das acusações de que lucrou com a própria delação.

Por Fabio Sena | 13/06/2017 - 09h13
Quando as pessoas se espantam ao constatar que a corrupção no Brasil está tão generalizada, isso é pura ignorância histórica.

Ao aprovar o princípio das cotas étnico-raciais, a Unicamp se alinhou às grandes universidades do mundo, como Harvard, Yale e Columbia, que adotam a diversidade como critério para o ingresso de seus estudantes. O pressuposto dessas instituições é que a diversidade melhora a qualidade. A afirmação é do historiador Sidney Chalhoub, professor titular colaborador do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e docente do Departamento de História da Universidade de Harvard (EUA). Na entrevista que segue, concedida ao Jornal da Unicamp, Chalhoub salienta a importância das ações afirmativas como mecanismo de reparação e promoção de justiça social e contesta argumentos utilizados pelos críticos das cotas, como a necessidade de preservar a meritocracia. “A meritocracia como valor universal, fora das condições sociais e históricas que marcam a sociedade brasileira, é um mito que serve à reprodução eterna das desigualdades sociais e raciais que caracterizam a nossa sociedade. Portanto, a meritocracia é um mito que precisa ser combatido tanto na teoria quanto na prática. Não existe nada que justifique essa meritocracia darwinista, que é a lei da sobrevivência do mais forte e que promove constantemente a exclusão de setores da sociedade brasileira. Isso não pode continuar”, defende.

Por Fabio Sena | 15/05/2017 - 01h24
"Acho que a História está nos ensinando que o poder pelo poder não vale a pena. O poder é uma ferramenta para que se consiga implementar as causas"

Em um cenário de polarização intensa entre uma dita esquerda e uma autoproclamada direita, a eleição de 2014 também deixou como marca o respiro de uma possível terceira via. Então com dificuldade para registrar a Rede Sustentabilidade em tempo para concorrer, a senadora e ex-ministra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina Silva, se uniu a outro ex-ministro de Lula, o socialista Eduardo Campos (PSB), e se lançou numa chapa para brigar com os tradicionais PT e PSDB.

Na corrida presidencial, Marina perdeu o aliado pernambucano em um acidente de avião e acabou sendo cabeça de chapa para brigar com o tucano Aécio Neves e a petista Dilma Rousseff. Dois anos e meio após a derrota nas eleições, Marina crê na vitória de um legado ético que ainda a sustenta como nome imponente para a disputa de 2018. Desde 2014 com efeitos que devem chegar ao ano que vem, uma operação da Polícia Federal de combate à corrupção foi essencial para derrubar a presidente eleita e fazer tremer o atual governo de Michel Temer, com diversos auxiliares investigados. Diante das feridas expostas pela Lava Jato, que ameaça o PT de Dilma e Lula, o PMDB de Michel Temer e o PSDB de Aécio Neves, sobrou Marina.

A análise dela é de que neste contexto, uma candidatura independente, como a que pode lançar em 2018, é vitoriosa. Em entrevista ao HuffPost Brasil na tarde de sexta-feira (12), aniversário de um ano do impeachment, Marina fez uma análise do cenário político atual, traçou uma perspectiva para o Brasil com reforma política e esclareceu conversas como a que teve com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que teria sido sondado para ser vice dela em uma possível chapa em 2018.

Por Fabio Sena | 08/05/2017 - 00h33
"As lojas do centro são mais bonitas que lojas de shopping", disse Sheila Andrade para explicar a pujança do comércio local

Transformar o centro comercial de Vitória da Conquista num ambiente seguro para jovens, adultos, idosos e crianças e impedir que ocorra a perda de vitalidade econômica a exemplo de Salvador: este é um dos desafios que a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas\CDL, Sheila Andrade, tomou para si ao assumir a direção de uma das mais importantes entidades de classe local.

Carismática e bem falante, cheia de ideias inovadoras, Sheila Andrade tem convicção do tamanho do projeto de revitalização e sabe que não seria fácil torná-lo realidade da noite para o dia. Por isso, pretende iniciar modestamente em sua gestão as mudanças mais necessárias, como a renovação do piso de algumas ruas, praças e alamedas. Para tanto, já há conversas bastante adiantadas com o governo municipal.

Sheila pretende ainda estender a área de atuação da CDL, até hoje focada no centro da cidade. Ela quer dobrar o número de associados, inclusive atraindo lojistas do Bairro Brasil, com um leque de serviços que inclui o Cartão CDL Mais e até um plano de saúde para os associados. “Vamos começar fazer convênios com farmácias, postos de combustíveis, clínicas médicas, estamos tentando fechar um plano de saúde para os associados, funcionários e seus dependentes”, informa a presidente.

Abaixo, em entrevista ao Diário Conquistense, Sheila fala sobre os planos da CDL para a gestão 2017-2018, fala de renovação de lideranças na entidade e sobre como ela pretende incluir o comércio dos Bairro Brasil e Patagônia no projeto de ornamentação no período junino.

Por Fabio Sena | 06/05/2017 - 10h38
"Todos têm o direito de defesa. Mas eu acho que muita coisa vai acontecer na Lava Jato da Bahia".

Prefeito três vezes do pequeno município de Cairu e deputado estadual pelo PMDB, Hildécio Meireles é dos mais ferrenhos opositores do Governo Rui Costa na Assembleia Legislativa. Para ele, os três mandatos petistas foram prejudiciais à Bahia, principalmente por falta de investimentos nas estradas do interior, na infraestrutura rodoviária, em educação e saúde. Nesta entrevista ao Diário Conquistense, o parlamentar enumera as perdas políticas e administrativas que a gestão do PT propiciou ao estado, citando como exemplo a “falta de prestígio” do governo para incluir municípios baianos no projeto de transposição do Rio São Francisco.

“O PT governa a Bahia há dez anos e meio e eu não vejo algo que justifique a permanência deste governo”, diz, mencionando como exemplo o drama do desabastecimento de água em Vitória da Conquista. “Temos um gravíssimo problema de água, sendo mais que urgente investimento em barragens. E veja você que tiveram o governo federal do mesmo partido por tanto tempo e não resolveram o problema. Então, aquela história de alinhamento para nós, da Bahia, não serviu, não funcionou para a Bahia toda”, afirmou o parlamentar, segundo quem a Lava Jato deixará seu rastro na Bahia.

Abaixo, a entrevista na íntegra:

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