A mídia da cidadania
Vitória da Conquista | 15 de Dezembro de 2018
Por Fabio Sena | 01/05/2017 - 20h49
"Os golpistas foram irresponsáveis com a normalidade democrática e com a paz no Brasil. Escreve ai".

Autor do livro A Alma do Animal Político – obra que analisa de forma demolidora o modelo de alianças e os arranjos políticos que conduziram o PT, com Jaques Wagner, ao governo da Bahia em 2006, o professor Luis Rogério Cosme é um intelectual inquieto, crítico mordaz de seu próprio partido, ao qual busca oferecer alternativas à esquerda, lançando inclusive candidatura à presidência do PT local em 2017 como forma de instrumentalizar um discurso contra-hegemônico.

Professor da UFBA, militante à esquerda do PT, escritor e dirigente partidário, Luís Rogério Cosme é doutor em Saúde Pública pela UFMG e mestre em Memória, Cultura e Desenvolvimento Regional pela UNEB. Com experiência no movimento estudantil universitário e duas vezes candidato a prefeito de Itambé (2004-2008), ele tece, nesta entrevista ao Diário Conquistense, uma série de considerações sobre temas palpitantes como Laja Jato, eleições 2018 e ascensão do fascismo social no Brasil.

Em sua visão, a crise política generalizada deve inaugurar um novo tempo no Brasil. “Um tempo de refazimentos”. Ele discorda da tese segundo a qual a Lava Jato  vá fortalecer a classe trabalhadora e a democracia brasileira. “Não vai. O Trabalho e Lava Jato não dialogam, pois as interfaces jurídicas aqui tendem noutra direção”. Além disso, adverte que, caso a direita e extrema-direita vençam as eleições em 2018, será praticamente conter uma guerra nas ruas do Brasil.

Abaixo, na íntegra, a entrevista do professor Luis Rogério Cosme.

Por Fabio Sena | 28/04/2017 - 13h24
"Mas tudo isso não quer dizer que sou contra as investigações para que possamos iniciar o processo de fim da corrupção"

Conquistense, militante do movimento estudantil secundarista e universitário da UESB, coordenador acadêmico do DCE-UESB nos anos 2000, militante social e cidadão inquieto com as questões políticas. Não é filiado a nenhum partido político, mas sempre defendeu ideais políticos de esquerda. Eis, em breve resumo, Omar Costa Ribeiro, alguém cujas opiniões políticas podem até ser contestadas, mas jamais tratadas com indiferença. Nesta entrevista ao Diário Conquistense, Omar fala sobre a Operação Lava Jato – para ele um movimento para liquidar os partidos de esquerda no Brasil – e diz que, apesar do o momento favorecer o fortalecimento da Direita, quem sai perdendo é o Estado Democrático de Direito. “A seletividade da Lava Jato leva o discussão para o ódio, para a perseguição. A perseguição e a seletividade das investigações não favorecem um lado pois faz com que a democracia não exista e o processo passa a ter consequências desastrosas”.

Abaixo, na íntegra, a entrevista:

Por Fabio Sena | 26/04/2017 - 00h00
Foto: Mauro Ramal

Entrevistadores:
Fábio Sena|
Anderson Farias|
William Breno|
Vítor Cazumbá Azevedo

O cientista político Matheus Silveira Lima – professor titular de Ciências Sociais Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – acompanha de perto e diuturnamente os desdobramentos políticos e jurídicos da Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal e orientada pelo juiz federal Sérgio Moro e que vem desnudando um gigantesco sistema de corrupção que envolve grandes partidos políticos, dirigentes e ex-dirigentes de estatais, governadores e até presidente e ex-presidentes da República, de Michel Temer a Fernando Henrique Cardoso, todos compulsória e democraticamente unidos num escândalo de proporções internacionais.

Estudioso aplicado da História Política e Social do Brasil e ciente da repercussão das investigações da Lava Jato sobre o conjunto das instituições políticas brasileiras, o professor Matheus Silveira elencou nesta entrevista ao Diário Conquistense um sem-número de argumentos para demonstrar que a operação desencadeada pela Justiça deriva do fortalecimento do estamento burocrático do Estado brasileiro, especialmente do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário, que agora travam uma luta contra uma forma inadequada de prática política, alicerçada numa aliança espúria entre o Estado e o grande capital, dentro da lógica tupiniquim de risco-zero para o capitalismo, subordinando imensas parcelas da população a doenças e ao analfabetismo funcional e crônico.

As previsões do sociólogo são as mais otimistas quanto ao futuro das instituições públicas, da política e dos processos eleitorais que, em sua visão, provavelmente não terão nenhum parentesco com as eleições presidenciais de 2010 e 2014, marcadas pelo marketing mais vulgar e por um proselitismo que “flertava com a baixaria”. E pondera: “A sociedade brasileira mudou, é dinâmica, tem no interior de seu núcleo fundamental de produção econômica, de produção de cultura uma diversidade que, se este espírito de mudança for verdadeiro e profundo, saberá amparar publicamente através de eleições o surgimento de uma nova classe política, que tenha uma vinculação mais profunda e mais orgânica com esta nova sociedade que vem surgindo, sem que ninguém percebesse, e que neste momento recusa essa classe política”.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 16/04/2017 - 23h08
"Nós teremos uma revolução em termos de mudança total do sistema político e do sistema punitivo"

 

“A Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento. O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação.” A previsão é de Eliana Calmon, ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça, ex-corregedora nacional de Justiça. “Muita coisa virá à tona”, diz. Ela foi alvo de duras críticas ao afirmar, em 2011, que havia bandidos escondidos atrás da toga. “Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram”, diz. Para a ministra, alegar que a Lava Jato criminaliza os partidos e a atividade política é uma forma de inibir as investigações. “Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. O que eles temem é a opinião pública e a mídia”, afirma.

 

Folha – Como a senhora avalia a lista dos investigados a partir das delações?

Eliana Calmon – Eu não fiquei surpresa. Pelo que já estava sendo divulgado, praticamente todos os grandes políticos estariam envolvidos, em razão do sistema político brasileiro que está apodrecido.

Algum nome incluído na lista a surpreendeu?

José Serra (senador do PSDB-SP) e Aloysio Nunes Ferreira (senado licenciado, ministro das Relações Exteriores, também do PSDB-SP).

A Lava Jato poderá alcançar membros do Poder Judiciário?

No meu entendimento, a Lava Jato tomou uma posição política. É minha opinião pessoal. Ou seja, pegou o Executivo, o Legislativo e o poder econômico, preservando o Judiciário, para não enfraquecer esse Poder. Entendo que a Lava Jato pegará o Judiciário, mas só numa fase posterior, porque muita coisa virá à tona. Inclusive, essa falta tem levado a muita corrupção mesmo. Tem muita coisa no meio do caminho. Mas por uma questão estratégica, vão deixar para depois.

Como a senhora avalia essa estratégia?

Acho que está correta. Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram. Há aquela ideia de que não se deve punir o Poder Judiciário. Nas entrevistas, Noronha [o atual corregedor nacional, ministro João Otávio de Noronha] está mais preocupado em blindar os juízes. Ele diz que é preciso dar mais autoridade aos juízes, para que se sintam mais seguros. Caminha no sentido bem diferente do que caminharam os demais corregedores.

Como a Lava Jato impacta o Judiciário? O que deve ser aperfeiçoado?

Tudo (risos). Nós temos a legislação mais moderna para punir a corrupção. O Brasil foi obrigado a aprovar algumas leis por exigência internacional em razão do combate ao terrorismo. Essas leis foram aprovadas pelo Congresso Nacional, tão apodrecido, porque eles entendiam que elas não iam “pegar” aqueles que têm bons advogados, que têm foro especial. Foram aprovadas também porque precisavam dar uma satisfação à sociedade depois das manifestações populares em junho de 2013.

Os tribunais superiores têm condições de instaurar e concluir todos esses inquéritos?

O STJ vem se preocupando admitir juízes instrutores que possam desenvolver mais rapidamente os processos. Embora a legislação seja conivente com a impunidade, é possível o Poder Judiciário punir a corrupção com vontade política. É difícil, porque tudo depende de colegiado. Muitas vezes alguém pede vista e “perde de vista”, não devolve o processo. Precisamos mudar a legislação e tornar menos burocrática a tramitação dos processos. Hoje, o Judiciário está convicto de que precisa funcionar para punir. Essa foi a grande contribuição que o juiz Sergio Moro deu para o Brasil. Eu acredito que as coisas vão funcionar melhor, mas ainda com grande dificuldade.

Como deverá ser a atuação do Judiciário nos Estados com os acusados sem foro especial?

Hoje, o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso de Sergio Moro. Os ventos começam a soprar do outro lado. Antigamente, o juiz que fosse austero, que quisesse punir, fazer valer a legislação era considerado um radical, um justiceiro, como se diz. Agora, não. Quem não age dessa forma está fora da moda. Está na moda juiz aplicar a lei com severidade.

Como o STF deverá conduzir o julgamento dos réus da Lava Jato?

Eles vão ter que mudar para haver a aceleração. Acho um absurdo o ministro Edson Fachin, com esse trabalho imenso nessas investigações da Lava Jato, ter a distribuição de processos igual à de todos os demais ministros. Isso precisa mudar.

Como avalia o desempenho da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia?

O presidente de um tribunal como o Supremo tem um papel relevantíssimo. Costumo dizer que o grande protagonista do mensalão não foi apenas o ministro Joaquim Barbosa. Foi Ayres Britto. Na presidência, ele colocou os processos em pauta. Conduziu as sessões, interceptou as intervenções procrastinatórias dos advogados. Ele era muito suave, fazia de forma quase imperceptível. A ministra Cármen Lúcia demonstra grande vontade de realizar esse trabalho. Mas vai precisar de muito jogo de cintura, da aceitação dos colegas. O colegiado é muito complicado, muito ensimesmado. Os ministros são muito poderosos. Há muita vaidade.

Há a possibilidade de injustiças na divulgação da lista?

Sem dúvida alguma. Todas as vezes que você abre para o público essas delações, algumas injustiças surgem. Essas injustiças pessoais, que podem acontecer ocasionalmente, não são capazes de justificar manter em sigilo toda essa plêiade de pessoas que cometeram irregularidades. Mesmo havendo algumas injustiças, a abertura do sigilo é a melhor forma de chegarmos à verdade dos fatos.

Há risco de um “acordão” para sobrevivência política dos investigados?

Vejo essa possibilidade, sim, pelo número de pessoas envolvidas e pela dificuldade de punição de todas elas. O Congresso Nacional já está tomando as providências para que não haja a punição deles próprios. Eles estão com a faca e o queijo na mão. É óbvio que haverá uma solução política para livrá-los, pelo menos, do pior.

Como vê a crítica de que a lista criminaliza os partidos e a atividade política?

É uma forma de inibir a atividade do Ministério Público e da Justiça. Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça. O que eles temem é a opinião pública e a mídia. Eles temem vir à tona tudo aquilo que praticavam. O MP e a Justiça são tão burocratizados que se consegue mais rápido uma punição denunciando, tornando público aquilo que eles pretendem manter na penumbra.

A Lava Jato demorou para alcançar o PSDB, dando a impressão de que os tucanos foram poupados e o alvo principal seria o ex-presidente Lula.

Eles começaram pelo que estava mais presente, em exposição, num volume maior. Toda essa sujeira, essa promiscuidade não foi invenção nem de Lula nem do PT. Já existe há muitos e muitos anos. Só que se fazia com mais discrição, ficava na penumbra. Isso veio à tona a partir do mensalão, e agora com o petrolão. Na medida em que foram ampliando essa investigação vieram os outros partidos. Estavam todos coniventes, no mesmo barco. Aliás, o PT só chegou a fazer o que fez porque teve o beneplácito do PSDB e do PMDB.

A lista pode acelerar a aprovação da lei de abuso de autoridade?

Eu acredito que sim. A instauração dessas investigações era necessária para depurar o sistema. A solução não será a que nós poderíamos esperar, a investigação e depois a punição. Acredito que haverá um “acordão”.

Como a nova lei de abuso pode afetar o Ministério Público e o Judiciário?

Haverá uma inibição natural para a atuação do Ministério Público e da própria Justiça. Haverá o receio de uma punição administrativa. Isso inibe um pouco a liberdade da magistratura e, principalmente, dos membros do Ministério Público.

A Lava Jato cometeu excessos?

Houve alguns excessos, porque o âmbito de atuação foi muito grande. Muitas vezes o excesso foi o receio de que a investigação fosse abafada. Acho que esses excessos foram pecados veniais. Como ministra, vi muitas vezes o vazamento de informações saindo da Polícia Federal e nada fiz contra a PF porque entendi qual foi o propósito. Era tônica da sociedade brasileira ser um pouco benevolente com a corrupção. Em razão de não haver mais a conivência do Ministério Público e da Justiça com a corrupção é que os políticos tomaram a iniciativa de mudar a lei, que existe há muitos anos.

A lista pode abrir espaço para mudar o foro privilegiado?

Nós teremos uma revolução em termos de mudança total do sistema político e do sistema punitivo, depois de tudo que nós estamos vivenciando.

Prevê mudanças na questão da criminalização do caixa dois?

Sem dúvida alguma. Tudo estava preparado na sociedade para a conivência com esses absurdos políticos. Estamos vendo no que resultou a conivência da sociedade e da própria Justiça com essas irregularidades que se transformaram em marginalidade do sistema político.

Acredita que a lista estimulará o chamado “risco Bolsonaro”?

Eu não acredito, porque o povo brasileiro está ficando muito participativo. É outro fenômeno que a Lava Jato provocou. Existe uma camada da nossa população que ainda acredita nesses fenômenos de políticos ultrapassados. Eu acredito que seja fogo de palha.

O nome da senhora foi citado numa das delações por ter recebido dinheiro da Odebrecht para sua campanha a senadora, em 2014.

Eu acho foi que foi R$ 200 mil ou R$ 300 mil, não me lembro. Não foi mais do que isso. Mas não foi doação a Eliana Calmon, foi ao partido, ao PSB, que repassou para mim. Esse dinheiro está na minha declaração.

Essa contribuição compromete de alguma forma o seu discurso?

Não, em nada. Inclusive, depois da eleição, um dos empregados graduados da Odebrecht perguntou se eu poderia gravar uma entrevista. Os advogados pediam a pessoas com credibilidade para dar um depoimento a favor da Odebrecht, por tudo que a empresa estava sofrendo. Eu não fiz essa gravação. Porque isso desmancharia tudo que fiz como juíza. E, como juíza, sempre agi como Sergio Moro.

Por Fabio Sena | 10/04/2017 - 20h02
Foto: Mateus Soares / bahia.ba

James Martins|Bahia.ba

Aviso! Essa entrevista pode causar irritação na pele (e nas almas) de pessoas com mentalidade epidérmica. Em tempos de politicamente correto, Roberto Sant’Ana, um dos mais importantes produtores culturais da história do país, teima em falar o que pensa. E sem papas na língua. E, de novo, seu vocabulário pode assustar. “Viado”, por exemplo, é uma palavra que não sai de sua boca. Seria algum desejo oculto? Ele, que começou no teatro, ou melhor, “no Teatro Vila Velha”, como gosta de enfatizar, é responsável por algumas das melhores descobertas e lançamentos da música brasileira como Elomar, Emílio Santiago, Alcione, Fafá de Belém e Quinteto Violado.

Lançou também a Axé Music, através dos discos “Magia”, de Luiz Caldas, e “Mensageiro da Alegria”, de Gerônimo, e, na contramão, registrou para sempre as vozes de três dos nossos maiores poetas: Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Mário Quintana. “Drummond bebia mais que Vinícius. A gente precisava levá-lo escorado até o carro no final da gravação”, diz. E essa é apenas uma das surpreendentes revelações desta entrevista exclusiva ao bahia.ba – resultado de três horas de conversa. Difícil (embora inevitável) foi cortar trechos.

Aqui Roberto conta, com riqueza de detalhes, como evitou que Alcione fosse demitida da Polygram antes mesmo de iniciar sua carreira. Fala da relação difícil com Elis Regina: “Vivia pedindo minha cabeça. Era uma filha da puta! Morreu, vira deusa”. E, ao mesmo tempo, diz porque a considera a maior cantora brasileira de todos os tempos. E é nessa aparente dicotomia que está uma chave para ler bem e proveitosamente a presente entrevista: sem simplificações maniqueístas. “Já votei em Lula e em Paulo Souto”, diz ele, que expõe também seu “antipetismo consagrado” e devido ao qual os desafetos tentam carimbá-lo, mesmo com o seu passado comunista, como “de direita”.

Livre, inocentado de um processo que durou 11 anos, acusado de desvio de verba de um projeto cultural que é o seu xodó, as Domingueiras, Roberto Sant’Ana descobriu recentemente um câncer de próstata que o fez chorar madrugadas a dentro e até mesmo questionar a justiça divina. Mas, com sua voz firme e um temperamento que pode ser tomado por excessivamente viril, grosso mesmo, Roberto sorri. Sorri franco e sempre. E seu sorriso guarda e revela algo de extremamente infantil e, portanto, puro e delicado, em sua alma. É simbólico que a abreviatura de seu nome seja “RS” – sinônimo de riso na internet. Fica a dica. Como já foi dito, a entrevista durou três horas e, pela importância e interligação de tudo, mesmo cortando com pena alguns trechos, o resultado é enorme. Mas vale a pena!

Confira a íntegra abaixo:

Por Fabio Sena | 10/04/2017 - 11h35
Mas eu penso que o núcleo básico é um núcleo que envolva o PT, o PSD e o PP

por Oswaldo Lyra

Em análise de possíveis cenários para as eleições de 2018, o deputado federal Nelson Pelegrino avaliou em entrevista à Tribuna que a senadora Lídice da Mata deve ficar fora da provável chapa majoritária encabeçada pelo governador Rui Costa (PT). “Eu penso que o governador Rui Costa na cabeça, o ex-governador Jaques Wagner para uma vaga no Senado, e as outras vagas, uma do PP e a outra do PSD. Evidente que temos a senadora Lídice, que pleiteia e tem legitimidade, tem que ser considerada. Mas eu penso que o núcleo básico é um núcleo que envolva o PT, o PSD e o PP”, disse Pelegrino. O deputado acredita que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), vai “reconsiderar” a ideia de ser candidato. “Ele está vendo que Rui está bem em Sa vador, que Rui está bem no estado. Eu não descartaria a possibilidade de o prefeito ACM Neto reavaliar essa possibilidade de ser candidato a governador”. Sobre o governo de Michel Temer (PMDB), o deputado fulmina: “É um desastre”. Confira a íntegra da entrevista abaixo.

Por Fabio Sena | 02/03/2017 - 23h42
A crítica e ensaísta americana Camille Paglia em ilustração feita por André Toma

por Fernanda Mena|Folha

Camille Paglia, a mais antifeminista entre as feministas, aposta na revalorização do lado maternal da mulher como chave para um reencontro afetivo entre os sexos. Para a ensaísta, enquanto a mulher de qualidade maternal exerce poder sobre os homens ao ter “pena de suas fraquezas”, a mulher de perfil profissional exige deles, em casa, a perfeição do mundo dos escritórios. Em entrevista à Folha, Paglia se declara transexual, critica a produção da arte contemporânea e diz que Madonna deve parar de competir com as mulheres mais jovens.

Leia abaixo a entrevista na íntegra.

Por Fabio Sena | 01/03/2017 - 16h47
Rodrigo Moreira, vereador: autonomia e diálogo

O vereador Rodrigo Moreira (PP) – herdeiro do capital eleitoral do ex-vereador Gilzete Moreira, seu pai – não parece disposto a exercer alinhamento político automático com sua bancada nem aderir às iniciativas desta por mera conveniência partidária. Ao contrário, pelo que se pode constatar a partir de suas declarações e posturas recentes, sua adesão às articulações da bancada dependerão sempre da pertinência da ação e do método para materialização das mesmas. Exemplo bem acabado desta autonomia pode ser verificada na questão do aumento da tarifa do transporte coletivo. Ele negou-se a ser signatário do documento encaminhado ao Ministério Público contestando a medida adotada pelo prefeito Herzem Gusmão por considerar prematura a ação e pela falta de diálogo com seus pares da oposição.

Nesta entrevista ao Diário Conquistense, Rodrigo Moreira demonstra ainda que pretende dar vida às comissões que preside – duas das mais importantes da Câmara Municipal, a de Finanças e Orçamento e a de Fiscalização dos Atos do Executivo. O parlamentar afirma que pretende distanciar-se dos discursos e práticas radicais e promover o diálogo com a Administração Municipal. Segundo ele, o prefeito Herzem Gusmão tem demonstrando abertura para o diálogo, o que o difere do governo anterior, de modo que seria preciso esgotar as conversas com o Executivo antes de qualquer medida política ou judicial mais dura. “Eu acho que uma oposição responsável tem que ter um diálogo com o executivo antes de qualquer atitude, até porque nós temos presenciado uma atitude diferenciada do prefeito”.

Abaixo, na íntegra, a entrevista com o vereador Rodrigo Moreira.

Por Fabio Sena | 18/02/2017 - 03h08
"Acredito que é possível que detectemos um sinal extraterrestre nos próximos 20 anos"

Kevin Hand é pesquisador da Nasa e um dos responsáveis pela próxima missão à Europa, a sexta lua de Júpiter. É o lugar onde existe a maior possibilidade de ser encontrada vida além da Terra, assegura. De visita à Espanha para dar uma palestra na Fundação Ramón Areces, Hand explica nesta entrevista como pretende chegar ao satélite e começar a estudar o profundo oceano que se esconde abaixo do gelo. Questionado sobre como a recente vitória de Donald Trump poderia impactar a ciência e os planos de exploração espacial da Nasa (uma agência governamental), fica em um longo silêncio. “Não posso dizer muito sobre política”, acaba reconhecendo.

Por Fabio Sena | 03/02/2017 - 02h05
"Sem história não se faz futuro", argumenta Tina Rocha, secretária municipal de Cultura.

Por Fábio Sena e Débora Gusmão

A artista, empresária e educadora Tina Rocha assumiu a titularidade da pasta responsável pela realização das políticas públicas que serviram como principal eixo de argumentação eleitoral do prefeito Herzem Gusmão: a Cultura. Nas entrevistas, programas de televisão e de rádio e nos debates durante o período eleitoral, sempre a mesma afirmação: combater, com a Cultura, a violência, como fez Jorge Melguizo em Medelin, na Colômbia.

Militante do universo cultural conquistense e sabedora do interesse do gestor de tornar a Cultura um bem acessível à comunidade, Tina Rocha assumiu o primeiro desafio: mapear os espaços de fazer cultural da cidade, identificando as condições estruturais e de acesso e as possibilidades de melhoria. Ao Diário Conquistense, ela falou com exclusividade sobre o que viu, o que pretende fazer e como para que Vitória da Conquista volte a respirar cultura.

Tina falou sobre suas prioridades na gestão, desafios e compromissos neste primeiro momento de transição de um modo de governar para outro que ela afirma será bastante diferente, e inovador. Durante a entrevista, reafirmou o compromisso de integrar artistas locais de múltiplas vertentes culturais, além da música, e a participação da comunidade no processo de valorização da nova cena artística, bem como da preservação da memória cultural, pois, segundo ela, “sem história não se faz futuro”.

Em uma hora de conversa com o DIÁRIO CONQUISTENSE, a secretária revelou suas intenções para a nova gestão e prometeu inovar, movimentar, agregar novas ideias, além de resgatar o patrimônio histórico-cultural de Vitória da Conquista.

Por Fabio Sena | 30/01/2017 - 13h34
Apena alternativa entendo que é um caminho que também ajuda a desvincular do crime organizado.

por Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio|Tribuna da Bahia

Secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização, Nestor Duarte Neto acredita que investir em políticas de ressocialização e prevenção da criminalidade representa a melhor solução para os problemas enfrentados pelo sistema penitenciário. “Investimos na construção de novas unidades, na interiorização dessas novas unidades, investimos em ressocialização, penas alternativas. Um presídio superlotado é impossível de se administrar.

Na ressocialização, permitir que seja devolvido à sociedade com uma qualificação e desligado do crime. E pena alternativa para aqueles que cometeram crimes com menor potencial ofensivo”, defendeu, em entrevista exclusiva à Tribuna. O titular da pasta também avaliou que a Bahia está à frente de outros estados no que diz respeito ao sistema penitenciário, chegando a 13 mil vagas com a inauguração de novos presídios. Apenas para fevereiro, o governador Rui Costa prometeu três: um em Irecê, um em Barreiras e outro em Salvador. “Precisamos de presídios novos, humanizados.

No caso da pena por privação de liberdade, se você tem opções alternativas para que o preso possa estudar, ir para o semiaberto, ter tornozeleira, tudo isso somado a programas sociais de educação e geração de emprego, você consegue reduzir isso. Mas se o jovem não tem emprego e estudo e vicia em uma droga sintética que causa dependência em 30 dias, vamos ficar só construindo cadeia. A causa é a falta de emprego, de perspectiva”. Confira:

Por Fabio Sena | 30/01/2017 - 17h24
Heleusa Câmara e sua missão: dar voz e vez à literatura popular

Fábio Sena e Ezequiel Farias Sena

Enquanto fanáticos adoradores da Língua Portuguesa argumentam a superioridade da norma culta e desprezam as expressões literárias populares – para estes assassinas da última flor do lácio –, a professora Heleusa Figueira Câmara celebra a produção textual criativa e espontânea dos escritores e escritoras populares, seja no terreno da poesia, da narrativa, da memória ou da autobiografia. Não dominar o código linguístico formal jamais deveria ser empecilho ao sagrado direito de expressão, do falar, do contar, do dizer, do inventar, para preencher os espaços vazios da literatura, pensa a professora.

Heleusa Câmara tem 73 anos, mas jamais se refere ao passado como “no meu tempo”. Como para o sambista Wilson Batista, seu mundo é hoje. E é neste hoje que ela devota tempo e energia, não à própria literatura – farta e rica – mas à produção literária de um sem-número de pessoas que, sem ela, estariam irremediavelmente afastadas deste ambiente cujo critério de valor é a norma culta da linguagem, por isso mesmo, repleto de preconceitos. E é nesta missão civilizadora da originalidade da expressão popular contra o preconceito linguístico que Heleusa Câmara constituiu sua base de ação.

Graduada em Letras, doutora em Ciências Sociais pela PUC de São Paulo, professora titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Heleusa é coordenadora municipal voluntária do Comitê Proler/UESB Vitória da Conquista, parte integrante do Programa Nacional de Incentivo à Leitura Proler, da Secretaria da Cidadania e Diversidade do Ministério da Cultura. Membro da Academia Conquistense de Letras e membro correspondente da Academia de Letras da Bahia, ela também é coordenadora e curadora voluntária do Núcleo Letras de Vida: escritas de si, que incentiva a escrita criativa e literária em presídios, e junto a trabalhadores rurais e prestadores de serviços informais.

Nesta entrevista exclusiva ao Diário Conquistense, Heleusa Câmara demonstra todo o potencial intelectual de uma mulher cuja literatura esteve sempre a serviço da transformação social – que o diga seu primeiro livro, Mulheres Acorrentadas, uma vigorosa manifestação de indignação contra a condição social das mulheres – e que, mesmo alcançando os mais altos níveis acadêmicos, teve audácia de materializar o que pensava o cordelista Antonio Vieira: “Os nomes dos poetas populares deveriam estar na boca do povo”. Eis a missão civilizatória de Heleusa: mostrar o luxo contido em cada página, em cada palavra escrita pelos escritores populares.

Abaixo, a longa e proveitosa conversa com a professora Heleusa Câmara:

Por Fabio Sena | 24/01/2017 - 16h59
Elias Dourado analisa o Governo Participativo: auge e declínio.

Timidamente, ainda em gotas homeopáticas, lideranças políticas e partidárias integrantes da dissolvida Frente Conquista Popular – aliança de partidos de esquerda que governou Vitória da Conquista durante vinte anos – iniciam o natural processo de avaliação da caminhada de duas décadas e de interpretação das razões pelas quais o projeto político migrou do auge da participação popular ao ostracismo político e à derrota eleitoral. Nesta semana, o diretório municipal do Partido dos Trabalhadores divulgou um documento com análises preliminares sobre a gestão petista, mas o Diário Conquistense já havia se antecipado na tarefa de ouvir artífices da frente e iniciou pela leitura do professor Elias Dourado, protagonista na construção da aliança que derrotou o pedralismo em 1996 e instaurou um modelo administrativo inicialmente diametralmente oposto, mas que foi, pouco a pouco, se assemelhando em formato e fisionomia aos governos ditos de direita.

Com a gentileza que o caracteriza, o professor Elias Dourado – atual titular da Superintendência dos Desportos da Bahia\Sudesb – conversou com o Diário Conquistense e manifestou sua opinião sincera e sem maquiagem acerca do projeto político liderado pelo Partido dos Trabalhadores e em cuja órbita gravitavam inicialmente PCdoB, PSB e PV, PSDB e PDT – depois recebendo adesões de PR e PSL, entre outros. Sob a ótica dos ganhos sociais obtidos nos últimos vinte anos, a avaliação de Elias Dourado é a melhor possível. “Conquista era uma quando nós iniciamos esta trajetória, e é outra completamente diferente hoje”, argumenta. Embora careça de dados estatísticos que sustentem sua tese, o professor destaca alguns aspectos por si só suficientes para identificar os avanços. “Para não detalhar muito, ao verificar os números, nós vamos ver uma arrancada desenvolvimentista de Conquista nesta primeira fase do Governo Participativo, de 96 a 2000, 2000/2004, 2008”, informa.

Se a avaliação administrativa é colorida, quando o assunto é gestão política do projeto, a avaliação do professor Elias Dourado é acinzentada. O comunista se ressente da incapacidade de suas principais lideranças e do partido dirigente – o PT – de articular-se para reciclar-se internamente e de repactuar socialmente. Em sua visão, em certa altura, o PT passou a bastar-se a si mesmo, de igual modo suas lideranças principais, com ênfase no último período, à frente o prefeito Guilherme Menezes. “… É inegável, é claro, é óbvio que a partir de 2008 o nosso projeto vai cristalizar-se com lideranças e apoiadores que se bastam a si mesmos e este aspecto, de certa maneira, impede que o projeto se renove, que o projeto se recicle, que o projeto protagonize novas lideranças que, de certa forma, até surgiram, mas surgiram por outras vias e não pela via intrínseca do governar, da ação de governo e da ação política de governo. Então, eu diria que nós temos ai uma situação que não é muito preciso o dado, mas a partir de 2008, 2010, a gente começa a estagnar um governo que infelizmente, tristemente, me parece que se basta a si mesmo”.

Abaixo, a íntegra da entrevista com o professor Elias Dourado.

Por Fabio Sena | 22/01/2017 - 02h11
Cláudio Vinicius, gerente da Viação Vitória, diz que Conquista pratica tarifa social.

O gerente da Viação Vitória, uma das duas empresas que operam o serviço de transporte coletivo em Vitória da Conquista, concedeu entrevista exclusiva do Diário Conquistense e tocou fundo nas feridas abertas de um sistema que parece permanentemente instável e incapaz de oferecer qualidade ao cidadão conquistense. Cláudio Vinícius é curto e grosso ao tratar de tema sensível ao bolso popular, a tarifa. Segundo ele, o governo municipal sob a tutela do prefeito Guilherme Menezes cometeu o pecado de forçar uma tarifa social que pôs em xeque a qualidade dos serviços e o próprio sistema, de modo que caiu no colo de Herzem Gusmão a tarefa ingrata de alterar a tarifa, única maneira de uma sobrevivência econômico-financeira das empresas.

Indagado sobre a tarifa ideal, Cláudio Vinicius preferiu demonstrar as razões pelas quais afirma ser impossível manter o funcionamento do sistema sem o reajuste do preço da passagem. “O litro de óleo diesel estava a R$ 2,63 e o governo federal deu um desconto, jogou para R$ 2,50. Uma semana depois que diminuiu, um primeiro aumento para R$ 2,65; depois R$ 2,72, depois R$ 2,74, depois R$ 2,77 e agora está a R$ 2,79. Hoje, quase 50% do que é arrecadado vai para o óleo diesel. Na tarifa que nós temos hoje, quase 50% é óleo diesel”. Mas quando perguntado se uma ma tarifa de R$ 3,30 daria um fôlego para a empresa, ele foi taxativo: “Ainda não. Isso ainda continua sendo uma tarifa social. A tarifa real seria maior ainda”.

Abaixo, a íntegra da entrevista com o gerente da Viação Vitória.

Por Fabio Sena | 21/01/2017 - 15h08
Álvaro Sousa, presidente do Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista

Dificilmente os conquistenses escapam a um reajuste de tarifa do transporte coletivo, o que deve ocorrer ainda neste mês de janeiro – provavelmente. A defasagem é gritante, argumentam as empresas que operam o sistema, Viação Vitória e Cidade Verde. Até mesmo o sindicato dos rodoviários, na voz de seu presidente, Álvaro Sousa, admite como fundamental o aumento da tarifa como forma de melhorar a qualidade de um sistema que mereceu efusivos elogios, em tempos remotos, mas que hoje ocupa as páginas de jornais e blogs como campeão na lista de reclamação dos usuários dos serviços públicos em Vitória da Conquista.

Na visão do sindicalista Álvaro Sousa, o governo municipal – sob o escudo petista – pecou feio na medida em que não promoveu regularmente o reajuste da tarifa do transporte coletivo. Assim, prejudicou econômica e financeiramente as empresas, precarizou a qualidade dos serviços e acarretou problemas aos trabalhadores rodoviários, vítimas direta da crise do sistema. “Acredito que tem, sim, que dar a tarifa. Se tiver mais ônibus, qualidade, conforto para a população, a tarifa é paga com tranquilidade, mas é preciso haver benefícios para a população, não pode ser apenas benefício financeiro para as empresas”, defende o sindicalista.

Ainda nesta entrevista exclusiva ao Diário Conquistense, o sindicalista Álvaro Sousa denuncia o que ele chama de “regime de escravidão” praticado pela Viação Cidade Verde, que estaria submetendo motoristas e cobradores a jornadas estafantes. Isto tem afetado a qualidade da relação entre esses profissionais e os usuários do sistema, esclarece Álvaro Sousa, e pode acarretar riscos mais sérios à coletividade caso a empresa não se sensibilize. “Nossos psicólogos já nos alertaram: está correndo o risco de um dia desses um motorista cometer uma loucura por conta da carga excessiva de trabalho que eles vêm exercendo”, alerta o presidente dos sindicato dos rodoviários.

Abaixo, a íntegra da entrevista:

Por Fabio Sena | 12/01/2017 - 02h04
Na engenharia nada é impossível, afirma Leandro Fonseca.

Inquieto e criativo, em permanente estado de alerta sobre os problemas da cidade, o engenheiro civil Leandro Fonseca tem, entre outras, a virtude de dar publicidade às suas inquietudes e de expressar suas opiniões de maneira pedagógica, sem jamais recorrer à linguagem rebuscada e tecnicista tão fartamente adotada por seus colegas de profissão. Conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura da Bahia, Leandro Fonseca se expressa de forma simples, de modo a ser compreendido mesmo por quem não tem especialidade em temas complexos como engenharia de tráfego ou canais de desvio pluvial.

O que segue abaixo para o leitor do Diário Conquistense é a síntese de uma demorada e produtiva conversa com Leandro Fonseca sobre a cidade. Aqui, ele manifesta seu profundo descontentamento com a ausência de planejamento do poder público municipal em questões simples e complexas, que vão desde uma política de arborização, passando por uma estratégia a longo prazo para a mobilidade urbana, até alcançar temas centrais como o desvio das águas pluviais. A entrevista é do final do ano passado, daí a remissão às chuvas que literalmente alagaram Vitória da Conquista e que tantos danos causaram em várias áreas da cidade, especialmente no centro comercial.

Tema caro a Leandro Fonseca, a criação de espaços de convivência foi objeto de análise e mereceu uma abordagem crítica e pessimista do engenheiro, que denuncia a urbanização equivocada e instalação de estruturas onde deveriam ser criados ambientes de convívio, como praças, parques e jardins. “E a natureza foi pródiga com a cidade porque se nós temos os problemas, nós tínhamos as soluções, com os piscinões naturais, como a Bateias, pra carrear água e depois paulatinamente ser despejada no Rio São Pedro; tínhamos o Loteamento Leblon, que foi permitido, eu não consigo entender, como permitiram construir um Restaurante Popular. Ali era uma área estratégica com piscinões naturais”.

Abaixo, a íntegra da entrevista com o engenheiro Leandro Fonseca.

Por Fabio Sena | 11/01/2017 - 23h31

por Fábio Sena e Marcelo Cerqueira|GGB

Luiz Roberto de Barros Mott, ou simplesmente Luiz Mott, tem uma história familiar que o precede, o explica e o projeta. Seu pai, de origem norte-italiana, de tradicional família proprietária de um belo palácio construído em Trento, nos alpes italianos, sonhou assassinar o ditador Benito Mussolini, o Duce. Sua mãe, Odete de Barros Mott, consagrada escritora, prodigiosa autora de mais de setenta livros, foi a principal autora de literatura infanto-juvenil nos anos 70, 80 e 90 no Brasil. Lucrécia Mott, sua ancestral norte-americana, foi pioneira da luta feminista e antiescravista no distante Século XIX.  Na contemporaneidade, duas intelectuais orgânicas na família: Fulvia Maria de Barros Mott Rosemberg, feminista e psicóloga da PUC de São Paulo, e Maria Lucia de Barros Mott, autora de vários trabalhos sobre as mulheres na história do Brasil: as parteiras, as enfermeiras.

Polêmico, pesquisador aplicado, militante histórico das lutas pelos Direitos Humanos, Luiz Mott se descobriu homossexual depois de um casamento hetero e duas filhas. Militante do Movimento Homossexual Brasileiro, o antigo MHB, fundador do Grupo Gay da Bahia|GGB, este doutor em Antropologia promoveu muita insônia em conservadores, fustigou a alma de muitos caretas quando mobilizou seu verbo para expressar duras verdades. Foi assim, por exemplo, quando gritou ao mundo que Zumbi dos Palmares era gay. “Cortaram-lhe o pênis e o introduziram em sua boca”, narrou, para espanto geral. Polêmico na militância, mas doce e discreto no cotidiano. Mott é só delicadeza. Gentileza à flor da pele, respondeu cada pergunta formulada por Fábio Sena e Marcelo Cerqueira (presidente atual do Grupo Gay da Bahia) com a calma de quem alcançou a sabedoria, com a sabedoria de quem experimentou de um tudo na vida, sem jamais amedrontar-se, sem jamais perder de vista seus objetivos.

Abaixo, um pouquinho de Luiz Mott. Mais que uma entrevistam um bate-papo, uma conversa.

Por Fabio Sena | 10/01/2017 - 17h13
Geovane Viana é entusiasta do potencial da economia solidária em Vitória da Conquista.

O economista Geovane Viana é um entusiasta do movimento da economia solidária, sendo um dos responsáveis pela organização dos empreendedores populares de Vitória da Conquista a partir de dois espaços privilegiados: a coordenação de economia solidária e o conselho municipal de economia solidária. Em entrevista ao Diário Conquistense ele narra um pouco da história do movimento, os avanços, recuos e potencialidades. Estudioso da área, o economista aproveita para fazer “recomendações” ao prefeito Herzem Gusmão, mas não descuida de uma crítica, embora moderada, ao ex-prefeito Guilherme Menezes que, em sua visão, reduziu bastante o investimento e o nível de prioridade à Economia Solidária, comprometendo uma importante política pública de inclusão econômica e social.

Geovane Viana lamenta que a gestão anterior tenha abandonado um dos mais audaciosos projetos encampados pel movimento, o CRESOL – Centro de Referência em Economia Solidária, iniciado em parceria com o governo federal através da Secretaria Nacional de Economia Solidária e que previa a construção do espaço físico no pavimento superior do mercado do bairro Brasil, contratação de equipe de assessoria, implantação de lojas físicas e virtuais, espaço de microcrédito, fundo rotativo solidário, quatro grandes feiras, ampliação da Escola de Artesanato com 40 novos turmas, salão de exposição de novos produtos, espaço para valorização da alimentação regional, área de inclusão digital, auditório e espaços administrativos, além da aquisição de móveis, equipamentos e veículo. “Te digo, com a segurança de quem conhece o movimento por dentro, com suas qualidades e defeitos, que se o projeto do CRESOL tivesse sido concluído, teríamos hoje o maior movimento de Economia Solidária do país”.

Por Fabio Sena | 21/12/2016 - 11h49
"Então, com toda prudência, essas auditorias serão feitas", afirma Murilo Mármore.

O ex-prefeito de Vitória da Conquista Carlos Murilo Mármore assumirá a procuradoria-geral do Município na gestão do futuro prefeito Herzem Gusmão. Ex-presidente da Empresa Municipal de Urbanização|Emurc, o advogado demonstrou em entrevista ao Diário Conquistense indignação com o fato de haver sido identificada uma dívida de R$ 20 milhões da empresa que, em seu governo (1989-1992), cumpria a função de planejamento urbano da cidade e até de executora de projetos de saneamento. Indignado com a ‘descoberta’ da dívida, Murilo afirmou: “Isto é um escândalo. É um absurdo. A população de Conquista não pode aceitar isso. E porque isso não foi divulgado? Porque não foi dito? Então, com toda prudência, essas auditorias serão feitas, a comissão de transição está indo a todos os locais, mas com muita transparência a população de Conquista vai saber onde estão esses pontos nevrálgicos que, lamentavelmente, esta administração do PT deixa para toda a comunidade”.

Leia abaixo, na íntegra, a entrevista com o ex-prefeito.

Por Thaís Pimenta | 21/12/2016 - 00h54
Ivana Patrícia é doutoranda pelo programa de estudos interdisciplinares sobre mulher, feminismo e gênero da Universidade Federal da Bahia.

Pesquisa recente realizada pela organização feminista ANIS – Instituto de Bioética – aponta que 500 mil brasileiras passaram por aborto ilegal em 2015. Mostra também o perfil das mulheres que realizaram aborto no ano passado: elas já tiveram filhos (cerca de 67%), elas são evangélicas, católicas e tem entre 20 e 24 anos. Somada a esta pesquisa, a discussão sobre o aborto vem ganhando maiores repercussões após uma decisão inédita do Supremo Federal, no final de novembro, que teve como o base o entendimento de que o aborto até o terceiro mês de gestação não deve ser considerado crime.

O assunto é polêmico e divide opiniões. Para o movimento feminista, a criminalização é sinônimo de intervenção do Estado sobre o corpo da mulher. A União de Brasileira Mulheres (UBM)  entidade civil e feminista, tem como uma de suas bandeiras principais a autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo. Em entrevista ao Diário Conquistense, a presidente da entidade em Vitória da Conquista, Ivana Patrícia, esclareceu o posicionamento da UBM acerca do assunto e sobre o quê os dados da pesquisa da Anis podem revelar. Para ela, “o sistema patriarcal que alimenta o machismo é o sistema de dominação e opressão mais arcaico em nossa sociedade”.

Ivana Patrícia é doutoranda pelo programa de estudos interdisciplinares sobre mulher, feminismo e gênero da Universidade Federal da Bahia, mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (2012), possui graduação em Psicologia ensina na Faculdade Maurício de Nassau. Também é psicóloga do Centro de Referência Albertina Vasconcelos e realiza atendimentos psicoterápicos na clínica Ethos. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Intervenção Terapêutica, atuando principalmente nos seguintes temas: Violência contra crianças e adolescentes, atenção à mulher violentada, violência sexual e gênero.

Por Fabio Sena | 19/12/2016 - 11h32
Marciglei Morais também identificou que negros e índios não são objetos de estudo na ensino público municipal.

Desalentador: os alunos da rede pública municipal de ensino de Vitória da Conquista entram e saem da escola sem conhecer a história de sua própria cidade. Foi o que identificou a historiadora e professora Marciglei Morais que investigou o tema em seu mestrado em Educação, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Segundo a estudiosa, com exceção de datas comemorativas nacionais e do aniversário da cidade, em nenhum outro momento os estudantes são convidados a saber sobre o processo histórico de formação da cidade.

“Buscamos identificar o que foi apreendido pelos alunos do 9º Ano do Ensino Fundamental, discutindo a relação entre essa aprendizagem e a formação do pensamento histórico, constatando algumas compreensões acerca do Município de Vitória da Conquista. No aspecto geral, trata-se de estudo importante por trazer algumas reflexões sobre o que se ensina e o que se aprende sobre a história local, oferecendo elementos para a análise do ensino de História e as repercussões na aprendizagem dos alunos”, esclarece a professora.

Segundo Marciglei, além de fragmentado e centrado no surgimento da cidade, o aprendizado da história local é insignificativo ao ponto dos alunos não atribuírem qualquer importância às informações. Além disso, a professora identificou a ausência de referências ao negro ao abordar a temática local, sendo um interessante objeto para estudo esta percepção de um território não-negro em Vitória da Conquista e os reflexos disso na formação da identidade de jovens negros. Abaixo, a íntegra da entrevista sobre o assunto.

Por Fabio Sena | 21/12/2016 - 02h34
Eduardo Nunes, professor, militante, intelectual.

O professor Eduardo Nunes é um intelectual vigorosamente engajado nas lutas sociais e políticas de seu tempo e que não perde a ternura jamais, apesar da dura tarefa que assumiu como professor de Artes da Rede Pública Municipal de Ensino. Idealista com os pés fincados na realidade concreta, crítico que, à confortável poltrona, prefere sempre a rua e os espaços sociais de produção, em entrevista ao Diário Conquistense, Eduardo Nunes apresentou, com argumentos consistentes e forte poder de convencimento, sua tese central: “A sociedade precisa mais de arte e cultura agora do que imagina. A sensibilidade é o que pode nos salvar da barbárie”.

Vale a pena dedicar alguns minutos à leitura da entrevista e conhecer o pensamento deste professor da rede municipal que, em 2015, como professor do Colégio Opção, dentro de seu Projeto Cultural Estruturante – Latinidades, assumiu a missão de dirigir as apresentações de seis turmas do Ensino Médio, juntando todas essas turmas numa única montagem, sem divisão de cenas por turmas, em uma dramaturgia que levou a um “espetáculo didático” de quase sessenta minutos. 120 estudantes em cena ao mesmo tempo, tudo isso com contextualização, apreciando referências, aprendendo técnicas e investigando emoções. “Apesar do medo não duvidei. Com a assistência de Teófilo Gobira e produção executiva de Mykelle Maya fizemos um dos trabalhos mais gratificantes dos meus 15 anos de teatro e 10 como professor”.

Por Fabio Sena | 14/12/2016 - 15h04
Bárbara Tigre, advogada.

Recém-graduada em Direito pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia|UESB, a advogada Bárbara Tigre dedicou sua monografia de final de curso na faculdade à pesquisa sobre um tema atualíssimo: o discurso de ódio nas redes sociais e o conflito entre liberdade de expressão e a dignidade da pessoa humana. Orientada pelo professor Luciano Tourinho, ela se debruçou na análise de que instrumentos jurídicos seriam necessários ao controle de um fenômeno que sempre existiu mas que ganhou robustez com uma poderosa plataforma, a Internet.

12